Segurança, disputa por território e trocas de farpas marcam primeira semana de campanha ao governo do RJ - QTU Questões do Universo

Segurança, disputa por território e trocas de farpas marcam primeira semana de campanha ao governo do RJ

Fonte: Bandeira da fonte

A segurança pública foi tema central da primeira semana de campanha para o governo do Rio de Janeiro.
Os candidatos buscaram contato com os eleitores nas ruas da capital e do interior do estado, além de participarem de sabatinas e entrevistas em podcasts.
A campanha começou oficialmente no domingo (16).
Desde então, os candidatos passaram a poder pedir votos, realizar comícios, carreatas e passeatas, além de fazer propaganda na internet.
Ruas concentra ataques a Lula e Paes e busca voto bolsonarista
Douglas Ruas, do PL, aparece como o segundo candidato mais bem colocado nas pesquisas eleitorais realizadas antes do início da campanha.
Ainda em desvantagem em relação a Eduardo Paes, do PSD, Ruas iniciou a caminhada eleitoral no território do adversário, percorrendo ruas da capital fluminense e mobilizando políticos do PL com força em bairros como Tijuca e Bangu.
Ainda pouco conhecido pelos eleitores, Ruas busca se apresentar e reforçar a imagem de que é o candidato da família Bolsonaro no Rio.
No domingo, primeiro dia da campanha, esteve ao lado de Flávio Bolsonaro em Copacabana, onde os dois participaram do lançamento oficial da candidatura do senador à Presidência da República.
Douglas Ruas também se associou, em caminhadas pela capital, a nomes conhecidos do bolsonarismo.
Entre eles estava o candidato ao Senado Carlos Jordy, que chegou a elevar o tom e dizer que Ruas foi vítima de um golpe do Supremo Tribunal Federal ao não assumir o governo interino.
Na mesma agenda, estava presente Daniel Silveira, ex-deputado que cumpre pena em regime aberto após ser condenado por ameaças ao Estado Democrático de Direito.
Nas entrevistas, Ruas procurou se afastar politicamente de Cláudio Castro, embora tenha feito parte do governo do ex-governador e seja do mesmo partido.
Para Josué Medeiros, cientista político, professor da UFRJ e da UFRRJ e coordenador do Observatório Político Eleitoral, esse será o principal desafio de Ruas ao longo da campanha.
"Essa tarefa é impossível.
Ele tem investido aí numa narrativa das entregas que ele, como deputado e presidente da Alerj, fez para os municípios.
Mas o nosso sistema é presidencialista.
As pessoas prestam atenção mesmo no governador, no presidente, no prefeito.
E aí, quando vai falar do governador, o que ele vai dizer? Não tem o que dizer.
Então, ele vai ter muita dificuldade e, por isso, eu acho que a estratégia dele vai ser, além das entregas, essa nacionalização, para poder tentar decolar caso o bolsonarismo confirme a força que tem no estado."
O candidato do PL também questionou como Paes e o presidente Lula conseguiram entrar em determinadas comunidades enquanto operações policiais enfrentaram forte resistência.
Paes aposta em segurança e críticas ao grupo de Cláudio Castro
Líder das pesquisas divulgadas antes do início da campanha, Eduardo Paes escolheu começar a disputa com uma agenda que combinou simbolismo religioso, presença na Baixada Fluminense e, nos dias seguintes, forte exposição na imprensa.
Nas entrevistas realizadas ao longo da semana, porém, o tom de Paes ficou mais concentrado nos ataques ao grupo político que comandou o estado nos últimos anos.
O principal alvo foi o ex-governador Cláudio Castro e, por consequência, a candidatura de Douglas Ruas, do PL.
Paes afirmou que o crime organizado teria chegado ao Palácio Guanabara e à Assembleia Legislativa e citou as prisões de integrantes da área de segurança do governo Castro e do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar.
O ápice deste início de campanha ocorre neste sábado (22), às 10h, no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.
Paes estará ao lado de Lula no evento "O Rio Abraça Lula", que marca o início da caminhada eleitoral da chapa na capital.
Josué Medeiros avalia que Paes, por estar em ampla vantagem, poderia fazer somente o "arroz com feijão" nesta primeira fase da campanha.
No entanto, a presença de Lula no estado é uma aposta ousada e um risco calculado.
“Está com um discurso bem ajustado, que é o discurso de oposição ao Cláudio Castro, que, nesse momento, é um discurso que tem muito mais aderência.
Então, ele vai fazer o feijão com arroz.
Nesse sentido, eu acho até interessante que ele tenha colocado esse desafio da agenda com o presidente Lula, dia 22, porque ele não precisava.
Poderia continuar levando a eleição até começar a TV nesse banho-maria, nesse feijão com arroz.
É um risco calculado.
Enquanto estiver nesse patamar de empate técnico que está hoje, pro Paes é bom colar com Lula.”
Paes, que não compareceu ao primeiro debate de candidatos, realizado pela Band, não fez grandes percursos pela capital, onde já é conhecido, e priorizou o interior do estado.
Na quarta-feira, passou por cinco cidades da Região dos Lagos.
Garotinho começa pelo Norte Fluminense e enfrenta questionamentos na Justiça
Anthony Garotinho escolheu uma região historicamente associada à sua trajetória política para iniciar a campanha.
Na segunda-feira, o candidato do Republicanos esteve em São Fidélis e, depois, lançou oficialmente a candidatura em Campos dos Goytacazes, seu principal reduto político.
No domingo, já havia feito uma ação de campanha em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ao lado do ex-prefeito Waguinho.
A primeira semana, no entanto, foi marcada por uma questão que não estava originalmente no roteiro eleitoral.
O Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento do registro da candidatura de Garotinho, argumentando que uma condenação por improbidade administrativa transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em 2025.
O caso ainda precisa ser analisado pela Justiça Eleitoral.
Garotinho afirmou que continuará fazendo campanha enquanto não houver decisão definitiva sobre o registro.
Garotinho ainda teve que lidar com contratempos no domingo, quando alterou pela terceira vez o vice da chapa.
O nome escolhido, até o momento, é o do ex-subtenente do Batalhão de Operações Policiais Especiais, André Monteiro.
Rio pode ter papel decisivo na disputa presidencial
Se em outras eleições o Rio de Janeiro era uma base consolidada da direita brasileira, neste ano as campanhas enxergam um cenário mais dividido.
Lula aposta em uma possível virada no estado como fator capaz de desequilibrar a eleição.
O vácuo político deixado por Cláudio Castro, seguido pelas revelações sobre funcionários fantasmas no governo do estado, deixou o cenário instável para o PL no Rio de Janeiro.
Para Josué Medeiros, considerando que as eleições têm terminado com uma margem cada vez mais apertada entre os presidenciáveis, o Rio pode ser um fator de desequilíbrio e ajudar qualquer um dos lados a obter alguma vantagem.
“O peso do Rio aumentou, sim, por conta da possibilidade de uma mudança do mapa eleitoral que não se vislumbrava.
Então, você teve, em 2018, aquele tsunami bolsonarista.
Isso se repetiu em 2022.
Então, o mapa de todo mundo era um estado onde o Flávio largaria com uma vantagem, e o Lula só tentaria reduzir danos.
E agora, não.
Você tem uma possibilidade de construir um cenário diferente, e isso aumenta muito o peso do estado.
Não dá para cravar que isso vai se manter.”
Não à toa, Flávio Bolsonaro já esteve duas vezes no estado na primeira semana de campanha, e Lula marca presença neste sábado ao lado de Eduardo Paes.
Outro fator considerado relevante é a instabilidade política vivida em Minas Gerais, onde nem PT nem PL aparecem como favoritos nas pesquisas eleitorais.
Desse ponto de vista, tende a haver um cenário de estabilidade eleitoral nos estados do Sul e do Nordeste, enquanto o principal ponto de desequilíbrio pode estar no Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro.
Os demais candidatos apostam em nichos e presença territorial
William Siri, do PSOL, adotou uma agenda mais concentrada na capital e em atividades com militantes, movimentos sociais, parlamentares e aliados.
A estratégia busca apresentar uma alternativa à polarização entre Paes e o PL, com uma presença mais vinculada à militância de esquerda e aos movimentos sociais.
André Marinho, do NOVO, dividiu a primeira semana entre entrevistas e caminhadas, inclusive em Ipanema, Leblon, Copacabana e Barra da Tijuca.
Juliete Pantoja, da UP, priorizou panfletagens em áreas de grande circulação, como Madureira e a região da UFRJ, além de atos ligados à pauta trabalhista.
Cyro Garcia, do PSTU, concentrou atividades em universidades, hospitais e encontros com a militância.
Coronel Busnello, do Missão, fez agendas no Norte Fluminense, incluindo uma visita ao Porto do Açu e um encontro com apoiadores em Campos dos Goytacazes.
Luan Monteiro, do PCO, teve uma agenda mais restrita a atividades internas do partido.
A primeira etapa da campanha ainda não conta com a exibição da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que começa somente em 28 de agosto.