Segundo turno em Portugal revela guinada à direita, mas eleitor tende ao moderado, diz jornalista

 

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O segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, realizado neste domingo (8), marca a primeira vez em 40 anos que a disputa é decidida nessa etapa. As pesquisas indicam vantagem de António José Seguro, candidato de centro-esquerda, sobre André Ventura, líder do partido de ultradireita Chega.

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Em entrevista ao Jornal da CBN, Gian Amato, colunista do "Portugal Giro", do jornal O Globo, destacou que a presença de Ventura no segundo turno consolida o avanço da ultradireita no país. Desde 2019, o Chega passou de um único deputado para cerca de 60 cadeiras no Parlamento e se tornou a segunda maior força parlamentar.

"O Chega é a segunda força no parlamento. Hoje em dia, praticamente todas as posições do governo que encampou a agenda anti-imigração da ultradireita em disputa de votos dependem do Chega. O Chega aprovou junto com o governo da Aliança Democrática o pacote anti-imigração e o aperto nas regras da cidadania que vai prejudicar milhares de brasileiros que já vivem aqui em Portugal e os que vêm a viver no futuro."

Ao comentar a situação dos imigrantes, especialmente dos brasileiros, maior grupo estrangeiro no país, o colunista contestou alegações de que essa população vive de benefícios sociais.

"Ano passado, somente os brasileiros contribuíram com 8,6 bilhões de reais, ou seja, 1,5 bilhão de euros para a segurança social, e retiraram muito menos. É um projeto de desumanizar o imigrante em Portugal, por isso que essa passagem da ultradireita pela primeira vez ao segundo turno é prejudicial para quem defende os direitos, as liberdades e as garantias previstas em Constituição."

Gian Amato explicou que a presença de André Ventura no segundo turno das eleições presidenciais é vista como um sinal de deslocamento do cenário político português mais à direita. Ao mesmo tempo, as pesquisas indicam que o eleitorado tende a preferir um nome de perfil moderado.

"A passagem do André Ventura para o segundo turno das eleições mostra que Portugal virou à direita, mas ao mesmo tempo não quer um candidato extremado populista. Diante de tudo que a gente tem visto no mundo, nos Estados Unidos e aqui na Europa, a população tende, segundo as pesquisas, a escolher um candidato moderado, institucional. O Antônio José Seguro, que estava afastado da política há uma década, se apresentou como uma alternativa viável, mais institucional para o cargo."