O segundo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina atingiu uma granja de perus de corte com 36,8 mil aves em Coronel Freitas, no Oeste do estado. O número é quase seis vezes o do primeiro caso, confirmado em 18 de outubro numa granja de Nova Itaberaba, onde 6.526 perus foram eliminados.
Os dados são de boletim divulgado nesta segunda-feira (26) pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), segundo o portal ND Mais. A confirmação de laboratório do novo foco saiu entre sexta-feira (23) e sábado (24), segundo a Cidasc.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o caso em nota no domingo (25) e informou que a granja de Coronel Freitas já estava dentro da área de restrição montada depois do primeiro foco. O despovoamento sanitário das aves da propriedade já começou.
Com o novo caso, a área de vigilância foi ampliada em 2,5 quilômetros no sentido nordeste do perímetro inicial. Outras 145 propriedades entraram no monitoramento, oito delas estabelecimentos comerciais.
Segundo a Cidasc, mais de 70% da zona de vigilância do foco de Coronel Freitas coincide com a área que já era monitorada por causa de Nova Itaberaba. Até sábado (24), as equipes tinham vistoriado mais de 160 propriedades comerciais de galinhas e perus e 317 criações de subsistência, com 78 coletas de amostras.
Quinze granjas comerciais da região tiveram resultado negativo, e as aves foram liberadas para o abate com autorização sanitária. Quatro barreiras sanitárias, fixas e móveis, funcionam 24 horas por dia, com controle do trânsito e desinfecção de veículos.
Em Nova Itaberaba, a limpeza e a desinfecção da granja do primeiro foco foram concluídas, e a propriedade está em vazio sanitário, o período em que não pode receber novas aves. A primeira barreira sanitária instalada no local foi desmobilizada.
Exames encontraram o paramixovírus aviário tipo 1 (PPMV-1) em pombos de vida livre em Marema, também no Oeste, fora da área de emergência. Segundo a Cidasc, os pombos tinham sinais clínicos da doença, e a companhia relacionou o foco de Coronel Freitas à transmissão do vírus por pombos.
O Mapa, porém, afirma que a ocorrência em Marema não tem relação epidemiológica com os focos em aves comerciais. Pelos critérios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a detecção do vírus nesses pombos não configura foco da doença de Newcastle.
Segundo o Mapa, a restrição chinesa continuou limitada a Santa Catarina depois do segundo foco, resultado de negociação do governo brasileiro que evitou a suspensão das compras de aves de todo o país. No balanço de 21 de outubro, cinco países tinham restringido produtos avícolas: China, Chile e Arábia Saudita só os de Santa Catarina, e México e Malásia os de todo o Brasil.
O ministério diz que a situação dos demais mercados segue em monitoramento. Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Águas Frias e Nova Erechim seguem em emergência zoossanitária por 60 dias, pela Portaria Mapa nº 962/2026.
A inclusão na área de emergência não significa que todas as cidades tenham focos confirmados. Segundo a Cidasc, carne de aves e ovos de estabelecimentos com inspeção sanitária continuam seguros para consumo, e a doença não passa para as pessoas pela alimentação.
Criadores devem comunicar qualquer suspeita ao escritório local da Cidasc ou pelo sistema e-Sisbravet, do Mapa. © Jornal Razão.
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