Segunda vaga da esquerda na disputa ao Senado em SP tem impasse entre Marina e Márcio França

 

Fonte:


Com Fernando Haddad (PT) como pré-candidato ao governo de São Paulo e Simone Tebet (PSB) mais consolidada como pré-candidata ao Senado, a segunda vaga da disputa à Casa Legislativa no estado ainda é alvo de impasses entre a esquerda.

De olho na reeleição: Do combustível à conta de luz, Lula prepara pacotão de benesses para conter desaprovação recorde a seis meses da eleição

Na semana passada, ao decidir que vai permanecer na Rede, Marina Silva se colocou “à disposição” para concorrer ao Senado na chapa de Haddad, mas Márcio França (PSB), outro ex-ministro de Lula (PT), também tem interesse na vaga.

Neste momento, de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, ainda não há nenhuma definição nem sobre a segunda vaga ao Senado, nem sobre quem ficará com o posto de vice de Haddad. O ex-ministro da Fazenda pretende conversar com França nesta semana para tentar chegar a um acordo.

Segundo pessoas próximas, França estaria “irritado” com Lula e com integrantes do PT por se sentir escanteado e preterido na formação da chapa paulista. Desde o ano passado, ele se colocava como possível candidato ao Palácio dos Bandeirantes, mas Haddad foi o escolhido pelo presidente da República para a disputa.

Conforme o nome de Haddad ia se consolidando, França passou a trabalhar para uma vaga ao Senado, cargo que ele disputou na eleição de 2022 — quando acabou derrotado por Marcos Pontes (PL). Naquele ano, entretanto, cada estado elegeu apenas um senador e não dois, como será em 2026.

Aliados de França têm apontado, nos bastidores, que ele aparece bem nas pesquisas de intenção de voto e tem viabilidade com o eleitor de centro-esquerda e que tem bom trânsito no interior do estado. Um levantamento do Datafolha divulgado em março mostrou Tebet com 25% das intenções de voto, atrás apenas de Haddad, que no momento em que a pesquisa foi feita ainda não havia confirmado que iria concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Em terceiro lugar, aparece França, seguido de Marina Silva.

Entretanto, o presidente da República e lideranças petistas resistem. Tanto é que havia a possibilidade de Lula nomear França para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que era ocupado por Alckmin até a semana passada, mas o integrante do PSB decidiu deixar o governo para poder disputar algum cargo nas eleições sem correr risco de esbarrar nos impedimentos da legislação eleitoral.

Uma ala do PT defende que a vaga deve ficar para Marina, sob o argumento de que seria uma chapa mais “equilibrada”, com uma candidata de centro e outra mais de esquerda. De olho no voto feminino, o partido também argumenta que uma chapa com duas mulheres bastante conhecidas a nível nacional e com trajetórias políticas consolidadas também teria bastante força eleitoral.

Por outro lado, França é visto como um aliado importante e que poderá ajudar na campanha, principalmente por já ter governado o estado durante alguns meses — ele foi vice de Alckmin, que deixou a gestão para concorrer em 2018 — e por sua história política na Baixada Santista. Petistas estão otimistas que “tudo vai se acertar” e Haddad e França devem chegar a um acordo, destacando a aliança que o PSB e o PT têm em âmbito nacional e em outros estados.

O posto de vice de Haddad ainda está em aberto, e aliados não descartam a possibilidade dele ser chamado para essa missão. França disse à CNN Brasil, nesta segunda, que a vaga ao Senado só deve ser definida em julho.

Em março, Tebet decidiu trocar o MDB pelo PSB, uma mudança costurada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A troca foi necessária porque, em São Paulo, o MDB vai apoiar a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), e só aceitaria a candidatura de Tebet pelo Mato Grosso do Sul, seu estado de origem.

A entrada de Tebet na sigla do vice-presidente, porém, acabou deixando a situação mais complicada para França. Integrantes da sigla admitem ser difícil que o partido consiga emplacar os dois candidatos ao Senado na chapa da esquerda.

Pessoas próximas ao ex-ministro do Empreendedorismo, entretanto, defendem que ela não era um nome que veio do partido e só foi filiada por causa da costura com o presidente, portanto, não haveria problema em emplacar os dois nomes em São Paulo porque ele chegou antes.

Na direita, o cenário de indefinição é parecido: uma das vagas para o Senado deve ficar para o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), mas a outra deve ser escolhida pelo PL de Jair Bolsonaro e tem um impasse entre o deputado Mário Frias (PL-SP) e o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL). O nome da deputada Rosana Valle (PL-SP) também tem sido aventado, principalmente num cenário em que a esquerda decida colocar Tebet e Marina como candidatas.