O governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-PE), em parceria com o Grupo de Líderes Empresariais (LIDE Pernambuco), lançou, na manhã desta quarta-feira (14), o Estudo Estratégico do Ecossistema de Infraestrutura Digital com orientações para criação de políticas públicas e atração de investimentos privados voltados à inovação tecnológica para o estado.
O lançamento é a primeira entrega do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o governo estadual e o LIDE Pernambuco em julho de 2026. O relatório teve investimento de R$ 2 milhões de reais, e será realizado sob consultoria da empresa privada Deloitte dentro do prazo pré-estabelecido de 90 dias. Os grupos Dislub Equador; Estratégica Engenharia, Tecnologia e Consultoria; e Cavalcanti Petribu também integram a iniciativa. Já os dados levantados serão disponibilizados posteriormente para consulta pública.
Segundo a secretária do Secti-PE, Mauricélia Montenegro, o desenvolvimento tecnológico é essencial para a economia pernambucana, e, ainda de acordo com ela, a parceria entre o público e o privado é a chave para agilizar a entrega dessa demanda.
“Dados são o novo petróleo, e petróleo é polêmico; dados também são. (Então) precisamos transportá-los com infraestrutura digital, (de forma) estruturada e responsável. (Apesar disso), muita gente ainda vê a parceria público-privada com os olhos atravessados, mas as coisas precisam acontecer por meio dela. O público tem que estruturar política [...] e o privado precisa fazer os investimentos”, diferenciou.
A secretária também reforçou que a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) promoveu estabilidade para o andamento do estudo e lançamento do relatório.
“Perguntaram quais são as respostas, o que é bom para Pernambuco, o que o governo estadual vai fazer e qual o investimento que vai vir. Hoje só temos perguntas, não temos nenhuma resposta sobre o tema, mas [...] o estudo vai trazer as respostas de como o estado pode se posicionar”, garantiu.
Cooperação No que diz respeito à atuação de diferentes frentes, o presidente-executivo do LIDE Pernambuco, Drayton Nejaim, explicou o conceito de “Ecossistema Digital” que fundamentou o estudo e será, segundo ele, o responsável por atrair investidores para Pernambuco, interessados em capital humano e acessível.
“Ecossistema digital são todos os atores que participam da montagem de uma infraestrutura, de uma oferta de valor. Já os investidores procuram ambientes produtivos. (Então), há o governo, empresários e a sociedade civil (atuando em conjunto) para dizer quais são as potencialidades de Pernambuco, para que venham de fora e invistam no estado”, disse.
Segundo o presidente, o estudo potencializará a formação de um arranjo produtivo em Pernambuco e, faturamento, um cluster. Do inglês, o termo se refere, de acordo com Drayton, a um conjunto de empresas que, juntas geograficamente, conseguem produzir com qualidade de com um valor mais acessível.
Economia A secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Danielle Jar Souto, contou que a instalação de infraestrutura digital só é proveitosa quando se analisa o potencial de geração de emprego e renda tanto na Região Metropolitana do Recife como no interior.
“(Apesar) da infraestrutura digital promover um potencial gigante para o desenvolvimento econômico, existem várias narrativas que precisam ser analisadas e instruídas para que o estado tome a decisão correta, [...] (entendendo) como a gente consegue potencializar o nosso crescimento, gerando emprego e renda para todos. O interior do estado também precisa ter essa visão”, defendeu.
Para Danielle, o estudo vai direcionar quais áreas do estado precisam de mais investimento.
Execução De acordo com o sócio de soluções de Infrastructure & Real Estate, Matheus Rodrigues, da Deloitte, responsável por apresentar o estudo, o planejamento será dividido em duas etapas, partindo do diagnóstico à construção da tese de investimento. A primeira consiste na escolha dos locais para gerar competição e dos modelos que deverão ser priorizados; já na segunda, será definido como viabilizar e atrair investimentos.
Com as duas etapas estruturantes, o estudo será dividido em quatro fases: a de diagnóstico e exemplificação de modelos para promoção de infraestrutura digital; a de comparação dos modelos pré-selecionados; a de definição de estratégias para desenvolvimento econômico e criação de mapa de risco; por fim, a estruturação da tese de investimento, com viabilidade, meios para atrair capital financeiro e cronograma de execução.
Segundo o planejamento, as responsabilidades do governo de Pernambuco estão concentradas no patrocínio e direcionamento, validação, bem como, na disponibilização de informações. Já a Deloitte atuará, principalmente, na coordenação e asseguramento de integração entre as frentes, na apresentação do que será passível de validação, e na garantia da qualidade das análises.
Folha de Pernambuco