Secretário de Serra, crítica na pandemia e apresentador: quem é Claudio Lottenberg, citado por Flávio para chefiar Saúde - QTU Questões do Universo

Secretário de Serra, crítica na pandemia e apresentador: quem é Claudio Lottenberg, citado por Flávio para chefiar Saúde

Fonte: Bandeira da fonte

Na sabatina para a TV Globo, realizada nesta sexta-feira, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse que pretende nomear o médico Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde caso seja eleito em outubro.
O oftalmologista já demonstrou proximidade com o ex-presidente e pai de Flávio, Jair Bolsonaro (PL), no passado, tendo sido inclusive considerado para assumir a pasta durante o seu governo.
No entanto, posteriormente teceu duras críticas à atuação do então titular do Planalto na pandemia da Covid-19.
Lottenberg é mestre e doutor em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), presidente do conselho do Einstein Hospital Israelita e da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e apresentador na Jovem Pan News.
Além disso, foi secretário municipal de Saúde de São Paulo em 2005, durante o mandato de José Serra.
Em abril de 2020, pouco depois de a pandemia da Covid-19 ter começado, ele foi um dos nomes cogitados para substituir o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.
Conforme publicou o colunista do GLOBO Lauro Jardim à época, pesou contra Lottenberg sua filiação recente ao partido Democratas, que viraria o União Brasil, e a sua ligação com o ex-governador paulista João Doria, que fazia oposição a Bolsonaro.

Ainda assim, Lottenberg participou de um jantar com Bolsonaro no início de 2021, quando chegou a dizer que o ex-presidente foi "simpático, absolutamente predisposto a entender e escutar minhas opiniões sobre o momento atual", em referência à crise sanitária.
Na ocasião, o oftalmologista também elogiou a recente escolha do cardiologista Marcelo Queiroga para o cargo de ministro da Saúde.
Lottenberg, porém, defendia as medidas de proteção contra o coronavírus, como uso de máscaras, isolamento social e vacinação, todas alvo de Bolsonaro.
O médico teceu duras críticas à gestão do ex-presidente nesta seara.
Em entrevista ao GLOBO, publicada em março de 2021, quando o Brasil passava pelo pior momento da crise sanitária, batendo recorde diário de casos e óbitos, Lottenberg disse que que não viu "grandes líderes aparecerem sem máscaras” — prática adotada regularmente por Bolsonaro.
O médico criticou a falta de uma ação coordenada contra a Covid-19 e afirmou que, "se houve um ente que não criou um clima inspiracional, foi o governo federal".
Naquele período, a campanha de vacinação contra o coronavírus avançava a passos lentos no país, após uma resistência do governo federal a firmar acordos com o Instituto Butantan e com a Pfizer para a aquisição dos imunizantes.
O pai de Flávio, então presidente, enfileirava críticas públicas às vacinas e aos outros métodos de combate à Covid-19 indicados pelas autoridades de saúde, como uso de máscaras e isolamento social.

— Existe uma falta de engajamento por parte do paciente em relação ao seu próprio cuidado.
Mas também precisávamos de modelos, de orientação.
E não vimos uma linguagem única, em caráter nacional.
Quer dizer, a utilização de máscara e do álcool gel, que deveria ser um mantra, não aconteceu.
É culpa de uma ordem de governança que não soube construir, em um ano, um mínimo de entendimento.
Acho que essa pergunta tem que ser feita pelo governo federal — disse Lottenberg na entrevista.

Logo em seguida, o médico citou como exemplo o primeiro-ministro israelense, que foi a público se vacinar para incentivar a adesão à campanha de imunização:
— Se houve um ente que não criou um clima inspiracional, foi o governo federal.
Não vamos olhar o modelo americano, mas o israelense.
O primeiro ministro de Israel foi o primeiro a ser vacinado .
Não vi grandes líderes de diferentes países apareceram publicamente sem máscara.

Depois, em 2024, Lottenberg participou de um jantar no Clube Hebraica com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (PL) no qual disse que "o futuro presidente do Brasil está nessa sala".
Na ocasião, estavam presentes ainda outros nomes da direita, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, a quem se referiu como "um dos maiores mestres da política", e a ex-deputada federal Carla Zambelli.