São Paulo — O secretário de comunicação de Ribeirão Pires, Bruno Botacin, foi denunciado na Câmara dos Vereadores do município por uma série de publicações sugerindo demitir pessoas que votaram pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os posts no Instagram foram realizados após a divulgação do resultado da votação, no último domingo (25/10).
As publicações foram feitas no perfil pessoal de Bruno, que é trancado. Ainda sim, a única vereadora de esquerda do município, Fernanda Henrique (PT), fez um requerimento para que as condutas fossem apuradas para evitar quebra no decoro do cargo público.
O texto também exigia um posicionamento da Prefeitura de Ribeirão Pires diante dos fatos. “Quais são os princípios éticos e as regras de conduta profissional que a Administração Municipal tem exigido dos ocupantes de cargos comissionados e de confiança, especialmente quanto ao respeito à impessoalidade, ao decoro público e à neutralidade institucional em redes sociais?”, pergunta a vereadora.
O requerimento foi negado por 16 votos a um. A sessão dessa semana na Câmara aconteceu na quinta-feira (29/10).
Na ocasião, Fernanda fez uma fala chamando a atenção para o requerimento já derrotado. Para rebater, o vereador Edmar Donizete Oldani (PSD) afirmou que coloca a mão no fogo por Bruno, porque o secretário não é preconceituoso, “mas no calor da emoção, nós políticos, às vezes erramos.”
“Eu vi o arrependimento dele [Bruno]. Se formos fazer boletim de ocorrência para tudo que vemos hoje, haja boletim de ocorrência”, afirmou Edmar em defesa do secretário.
O print mais emblemático do caso é uma republicação no story em que sugere a demissão de uma série de trabalhadores. A publicação sugere que o voto petista prejudica o negócio, a família e a vida.
O texto cita empregadas domésticas, funcionários de empresários e barbeiros. Na sequência, Bruno Botacin republica outra vez um texto que sugere investigar o perfil de funcionários nas redes sociais.
Caso seja identificado que o trabalhador fez o “L”, o aconselhado é que o demita. Em Ribeirão Pires, na região metropolitana de São Paulo, Lula ganhou no segundo turno, com 50,1% dos votos, enquanto Flávio recebeu 49,9% — apenas 455 eleitores separaram os dois candidatos.
No primeiro turno, Lula tinha ficado atrás com 41,2%, enquanto Flávio despontou com 47,2%. O Artigo 301 do Código Eleitoral diz que é crime “usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido, ainda que os fins visados não sejam conseguidos: Pena de reclusão em até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.”
O Metrópoles procurou o secretário Bruno Botacin e o prefeito da cidade, Luiz Gustavo Pinheiro Volpi (PL), já que o cargo é comissionado. Ainda não obtivemos resposta, mas o espaço segue aberto.
Metropoles