Secretário de Defesa dos EUA diz que Irã 'implorou' por cessar-fogo e que Trump 'escolheu misericórdia'

 

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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (8) no Pentágono que o Irã 'implorou por esse cessar-fogo, e todos nós sabemos disso'.

Ele acrescentou que o programa de mísseis do Irã está 'funcionalmente destruído' e que as fábricas do país foram 'arrasadas'.

'A Operação Fúria Épica foi uma vitória histórica e esmagadora no campo de batalha. Uma vitória militar com V maiúsculo, sem dúvida', continuou.

Hegseth teceu elogios ao presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que o presidente tinha o poder de paralisar toda a economia do Irã em minutos, 'mas escolheu a misericórdia'.

O Irã aceitou o acordo de cessar-fogo 'sob pressão esmagadora' porque estava 'sem opções e sem tempo', segundo ele.

Trump havia dado ao Irã um prazo até às 21h dessa terça (7) para reabrir o Estreito de Ormuz ou enfrentar a destruição, alertando que 'toda uma civilização morrerá' se Teerã não concordasse com um acordo.

Hegseth descreve a 'devastadora derrota militar' do Irã, afirmando que os EUA e Israel 'alcançaram todos os objetivos conforme o planejado, dentro do prazo, exatamente como estabelecido desde o primeiro dia'.

Ele afirma que, na noite passada, os EUA lançaram uma onda de mais de 800 ataques que 'acabaram por destruir completamente a base industrial de defesa do Irã, um pilar fundamental de nossa missão'.

O Irã ainda pode disparar, diz Hegseth, mas seu comando e controle estão 'tão dizimados que eles não conseguem se comunicar e coordenar, então ainda podem disparar aqui e ali. Mas isso seria muito, muito imprudente'.

O secretário de Defesa dos EUA afirmou que o material nuclear do Irã seria removido nos termos de um acordo e descartou qualquer capacidade futura de produzir armas nucleares.

'Qualquer material nuclear que eles não devam possuir será removido', disse ele.

Trump diz que Irã concordou em não enriquecer urânio

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

Em uma publicação na sua rede social Truth Social nesta quarta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que o Irã concordou em não enriquecer urânio e que 'muitos' dos pontos foram acordados.

Segundo ele, os EUA com os iranianos 'desenterrarão e removerão toda a "poeira" nuclear profundamente enterrada (dos bombardeiros B-2)'.

'Ela está, e tem estado, sob rigorosa vigilância por satélite (Força Espacial!). Nada foi tocado desde a data do ataque. Estamos, e continuaremos, negociando o alívio de tarifas e sanções com o Irã', revelou.

Além disso, o republicano comentou que países que fornecerem 'armas militares ao Irã' serão taxados em 50% sobre todos os produtos vendidos aos Estados Unidos da América, 'com efeito imediato'.

Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir na sexta-feira (10) no Paquistão para negociar um plano de paz definitivo. O convite foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que intermediou o cessar-fogo de duas semanas fechado nesta terça-feira (7) entre o presidente Donald Trump e o regime iraniano.

A trégua foi anunciada 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelo presidente americano em que ele ameaçava “exterminar a civilização iraniana” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.

Os americanos anunciaram a interrupção imediata dos ataques e garantiram que Israel faria o mesmo. Em troca, Teerã anunciou a reabertura da rota estratégica, por onde passa um quinto da produção global de petróleo e gás.

Trump confirmou que recebeu uma proposta de Teerã com 10 pontos, que incluem a permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz e a suspensão de todas as sanções americanas.

O plano exige o fim das agressões americanas e israelenses; a aceitação do enriquecimento de urânio do Irã; e a revogação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, relativas ao programa nuclear iraniano.

A proposta também cobra “compensação integral” pelos danos da guerra; a retirada de todas as forças de combate americanas das bases no Oriente Médio; e o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.

Fumaça após ataque contra o Irã na guerra do Oriente Médio.

AFP

O presidente dos Estados Unidos, que prometia uma vitória incondicional, disse que considera a proposta do Irã uma base viável para negociação. Para o vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Roberto Goulart Menezes, um dos pontos sensíveis nesses 15 dias será o controle sobre o Estreito.

Após o anúncio da trégua, as cotações do petróleo despencaram. O preço do barril caiu 18%, da faixa dos US$ 110 para US$ 90. No mercado financeiro, as ações subiram e o dólar caiu. As bolsas asiáticas também estão fechando no positivo. No Japão e na Coreia do Sul, os principais índices subiram mais de 5%.

Nesta madrugada, o presidente Donald Trump disse na rede social dele que os Estados Unidos ajudarão o Irã a desafogar o tráfego de navios acumulados no Estreito de Ormuz. Contrariando o discurso apocalíptico de mais cedo, o republicano afirmou que a terça-feira foi “um grande dia para a Paz Mundial”.

Em Teerã, manifestantes saíram às ruas para celebrar o acordo e protestar contra os Estados Unidos e Israel. Apesar do anúncio do acordo de cessar-fogo, as forças de Israel mantiveram a ofensiva aérea contra o território persa na madrugada desta quarta-feira (8).

Os iranianos também continuaram a disparar mísseis e drones contra Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait. Em Abu Dhabi, uma unidade de processamento de gás pegou fogo após ser bombardeada.