Secretário de Defesa diz que EUA mataram líder de unidade iraniana acusado de tentar assassinar Trump
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira que o Irã “tentou matar o presidente Donald Trump” e declarou que o governo americano respondeu à suposta ameaça. Segundo ele, forças dos EUA “caçaram e mataram” o “líder da unidade que tentou assassinar o presidente Trump”. Em tom de escalada, o chefe do Pentágono disse ainda que Washington está vencendo a guerra “de forma decisiva, devastadora e sem misericórdia”, anunciou o afundamento de um navio iraniano no Oceano Índico e indicou que novas ações militares são iminentes.
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A declaração foi dada no Pentágono, em Washington, durante conversa com jornalistas ao lado do chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine. Hegseth acrescentou que, na sua avaliação, “o presidente Trump deu a última risada”.
Em 2024, o governo dos EUA apresentou acusações contra um cidadão afegão em conexão com um suposto plano iraniano para assassinar Trump antes de sua eleição naquele ano. O Departamento de Justiça alegou que Farhad Shakeri, então com 51 anos, foi encarregado de “fornecer um plano” para matar Trump e que estaria no Irã.
Em uma queixa criminal apresentada em um tribunal de Manhattan, promotores afirmaram que um oficial da Guarda Revolucionária do Irã orientou Shakeri, em setembro, a elaborar um plano para vigiar e matar o então candidato.
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No domingo, segundo informações do The Washington Post, o próprio Trump reconheceu que as ameaças iranianas contra sua vida influenciaram sua decisão de atacar o país. Em entrevista à ABC News, ele afirmou que levou em consideração os supostos planos para assassiná-lo ao autorizar a operação conjunta entre Estados Unidos e Israel que matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
— Eu o peguei antes que ele me pegasse. Eu o peguei primeiro — disse.
Autoridades de segurança nacional já haviam alertado a campanha de Trump sobre possíveis ameaças iranianas. O desejo de vingança de Teerã remonta ao ataque aéreo americano que matou o general Qasem Soleimani, em janeiro de 2020. Desde então, promotores federais apresentaram acusações relacionadas a supostos esquemas iranianos de assassinato por encomenda contra autoridades americanas. A Casa Branca, porém, não apresentou evidências que sustentem a ligação entre o Irã e as duas tentativas de assassinato sofridas por Trump.
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Durante a coletiva desta quarta, Hegseth também adotou um tom enfático ao comentar a ofensiva militar em curso.
— A América está vencendo, de forma decisiva, devastadora e sem misericórdia — afirmou. Segundo ele, os resultados dos últimos quatro dias foram “incríveis, realmente históricos”, e os Estados Unidos “vão levar todo o tempo necessário” para garantir que a operação seja bem-sucedida.
O secretário declarou ainda que o regime iraniano “está acabado”, acrescentando que as forças americanas começaram a “caçar, desmantelar, desmoralizar, destruir e derrotar” as capacidades de Teerã. Ele também afirmou que os líderes iranianos olharão para o céu e verão apenas “o poder aéreo dos EUA e de Israel” até que os dois países decidam que a guerra terminou.
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No Pentágono, Hegseth indicou que novas ações militares são iminentes.
— Isso nunca foi pensado para ser uma luta justa, e não é uma luta justa. Mais e maiores ondas estão por vir, estamos apenas começando — declarou, ao afirmar que os EUA estão atacando o Irã “enquanto eles estão fragilizados”.
Caine reforçou a sinalização, dizendo que as forças armadas “agora começarão a expandir para o interior, atingindo progressivamente áreas mais profundas do território iraniano”.
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O secretário também afirmou que os militares americanos afundaram “um navio de guerra iraniano” no Oceano Índico com um torpedo. Segundo ele, a embarcação “achava que estava segura em águas internacionais”, mas foi atingida. Hegseth não informou o nome do navio. Mais cedo, a Marinha do Sri Lanka confirmou ter resgatado 32 pessoas após um pedido de socorro do navio iraniano IRIS Dena. Cerca de 140 pessoas que estavam a bordo seguem desaparecidas.
Questionado sobre o bombardeio de uma escola para meninas em Minab, no Irã, Hegseth afirmou que os Estados Unidos estão “investigando” o caso e evitou comentar se havia informações de inteligência sobre qual país teria fornecido a munição que atingiu o prédio.
O secretário elogiou ainda a atuação de Israel, afirmando que o aliado tem conduzido sua parte na guerra com “habilidade incomparável e determinação de ferro”. Ele classificou a ofensiva como uma “ação ousada” do presidente Trump ao colocar “a América em primeiro lugar” e reforçou: “Quatro dias depois, estamos apenas começando a luta”.
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Ao ser questionado sobre o papel de China e Rússia no conflito, Hegseth descartou influência dos dois países nas decisões de Washington.
— Não tenho uma mensagem para eles, e eles não são realmente um fator aqui, e nosso problema não é com eles — afirmou, acrescentando que o foco dos EUA é exclusivamente pôr fim ao que chamou de “ambições nucleares do Irã”.
Rússia e China mantêm relações diplomáticas e comerciais de longa data com o Irã, e Moscou possui estreitos laços militares com o país. Ambos os governos têm criticado a guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o governo iraniano e suas forças armadas.
(Com AFP e New York Times)
