Sean Penn faltou ao Oscar para ir à Ucrânia; entenda o histórico de ativismo do ator
Sean Penn ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação como um militar fanático em "Uma batalha após a outra", de Paul Thomas Anderson. Mas ele faltou à cerimônia no domingo e partiu para a Europa, com planos de visitar a Ucrânia, segundo duas pessoas que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir o assunto.
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As fontes não especificaram o que ele faria lá ou exatamente para qual cidade do país ele pretende ir. Ainda havia a possibilidade de que, embora Penn já tivesse deixado os Estados Unidos no momento da transmissão, seu itinerário pudesse ter mudado.
Segundo a AFP, Penn deve se reunir ainda nesta segunda-feira (16) com o presidente Volodimir Zelensky. O ator americano codirigiu um documentário elogioso sobre o presidente ucraniano, "Superpower", exibido no Festival de Berlim em 2023. Uma segunda fonte disse à agência que o ator planeja inclusive visitar a linha de frente no leste do país.
Esta foi a sexta indicação ao Oscar e a terceira vitória de Penn, de 65 anos, um dos favoritos para levar a estatueta para casa. Os outros concorrentes a melhor ator coadjuvante eram Stellan Skarsgård por seu papel como o pai egocêntrico em "O Valor Sentimental"; Jacob Elordi por sua interpretação da monstruosa criatura em "Frankenstein"; Delroy Lindo como um músico de blues que luta contra vampiros em “Pecadores”; e Benicio Del Toro por sua interpretação de um instrutor de caratê e aliado revolucionário em “Uma batalha após a outra”.
História de ativismo
Sean Penn apresentou o documentário 'Superpower' no Festival de Berlim
Stefanie Loos/ AFP
Durante a cerimônia, ao apresentar a categoria de melhor ator coadjuvante, Kieran Culkin disse: "Sean Penn não pôde estar aqui esta noite, ou não quis vir, então aceitarei o prêmio em seu nome."
A atuação de Penn também rendeu um BAFTA e um prêmio do Screen Actors Guild, mas ele não compareceu a nenhuma das duas cerimônias. Com a vitória no domingo, Penn se junta a um seleto grupo de atores que ganharam três Oscars. Entre eles estão Meryl Streep, Daniel Day-Lewis, Jack Nicholson e Ingrid Bergman. A recordista é Katharine Hepburn, com 4.
Penn passou um tempo considerável na Ucrânia desde 2022, quando filmou o documentário "Superpower", sobre a invasão russa do país. Seu longo histórico de ativismo foi fortalecido por sua fama e impulsionado pelo desconforto com a atenção que vem junto com ela.
O pai dele, Leo Penn, era um ator cuja carreira no cinema terminou na década de 1950, quando foi incluído na lista negra por se recusar a cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes. (Mais tarde, ele se tornou um diretor de televisão de grande sucesso.)
O ativismo de Sean Penn — e seus desentendimentos com os paparazzi — tem sido assunto público pelo menos desde 1985, quando ele se envolveu romanticamente com Madonna, sua primeira esposa. De acordo com a biografia "Madonna: A Rebel Life", de 2023, Penn tentou salvar um amigo próximo da estrela da música comprando no México medicamentos contra o HIV que não haviam sido aprovados nos Estados Unidos. (O amigo, Martin Burgoyne, morreu de AIDS em novembro de 1986.)
Sean Penn em cena de 'Sobre meninos e lobos'
Divulgação
Em 2002, Penn publicou um anúncio no "Washington Post" opondo-se ao plano de George W. Bush de entrar em guerra no Iraque. Dois meses depois, visitou Bagdá, afirmando que o Iraque não possuía armas de destruição em massa. Quando Penn ganhou o Oscar de melhor ator por "Sobre Meninos e Lobos", em 2004, subiu ao palco e disse: "Se há uma coisa que os atores sabem, além de que não havia armas de destruição em massa, é que não existe essa coisa de 'melhor' na atuação".
Em 2005, Penn operou um barco de resgate em Nova Orleans após a passagem do furacão Katrina, e em 2010 fundou uma organização hoje conhecida como Core, que montou um acampamento no Haiti para mais de 50 mil pessoas desabrigadas.
Um ano antes, ele havia recebido seu segundo Oscar de melhor ator, por interpretar o ativista dos direitos dos homossexuais Harvey Milk. No discurso, reconheceu: "Sei o quanto torno difícil para as pessoas me valorizarem", e prosseguiu criticando "aqueles que votaram pela proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo", dizendo que era "um bom momento para se sentarem, refletirem e anteciparem a grande vergonha que sentirão perante seus netos se continuarem a apoiar essa causa". "Precisamos de direitos iguais para todos", continuou.
Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, Penn chamou o ataque de "a ponta de lança contra a conquista democrática dos sonhos", acrescentando: "Se permitirmos que ela lute sozinha, nossa alma como América estará perdida".
Ele fez amizade com Volodymyr Zelenskyy e, durante uma visita, tirou um de seus Oscars de uma mochila e o deu de presente a ele. Penn disse que ele poderia devolvê-lo quando a guerra terminasse.
Sean Penn deixa estátua do Oscar com presidente ucraniano até vitória na guerra
Reprodução
