'Se for pra morrer, que eu morra com a beca lá dentro', diz advogado de Jairinho ao voltar ao TJ-RJ após infarto

 

Fonte: Bandeira



O advogado Fabiano Lopes, da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, disse que está fazendo um sacrifício para acompanhar o quarto dia do júri do caso Henry Borel, mesmo depois de ter sofrido um infarto no fim de semana. Questionado sobre os riscos de participar de um julgamento tão longo e desgastante, ele afirmou que, “se for pra morrer, que eu morra com a beca lá dentro”.

A sessão estava marcada para as 9h, mas, por volta de 9h51, o julgamento ainda não tinha sido retomado no Tribunal de Justiça do Rio.

Fabiano disse que ficou internado desde sábado, chegou a passar por três hospitais e saiu à revelia dos três. Segundo o advogado, o coração está funcionando com 33% da capacidade.

Ele também afirmou que o problema pode ter relação com o uso de anabolizantes ao longo da vida.

Advogado Fabiano Lopes, da defesa do ex-vereador Jairinho. Vídeo: Gabriel Freitas/ CBN

Fabiano é apontado como o líder da banca de defesa de Jairinho. A ausência dele provocou um impasse logo no primeiro dia do júri. Na segunda-feira, o ex-vereador tentou adiar a sessão mais uma vez, alegando que estava indefeso sem o advogado.

Jairinho chegou a desconstituir quase todos os defensores e disse que queria ser representado apenas por Fabiano Lopes. Só que o advogado estava internado e não estava no tribunal. Se essa decisão fosse mantida, o réu ficaria sem defesa presente no plenário.

Foi nesse contexto que a juíza Elizabeth Machado Louro acolheu um pedido do Ministério Público para transferir Jairinho de Bangu 8 para Bangu 1, unidade de segurança mais rígida. Depois disso, o ex-vereador pediu para conversar com os advogados e acabou reconstituindo parte da defesa. Esse recuo permitiu que o julgamento continuasse.

Nesta quinta-feira (28), a expectativa é que sejam ouvidas testemunhas importantes para a acusação. Estão previstos os depoimentos de Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, Natasha de Oliveira Machado e Débora Mello Saraiva. Se houver tempo, Leila Rosângela de Souza Mattos também pode ser chamada.

Kaylane é filha de Natasha, ex-namorada de Jairinho. Ela é ex-enteada do ex-vereador e pode falar sobre relatos de violência atribuídos a ele contra crianças. Débora Mello Saraiva também é ex-namorada de Jairinho, e o filho dela teria sido vítima de agressões atribuídas ao ex-vereador. Esses depoimentos são usados pela acusação para tentar demonstrar um padrão de comportamento.

Leila Rosângela de Souza Mattos era empregada doméstica de Jairinho e Monique Medeiros. Ela pode falar sobre a rotina no apartamento e episódios envolvendo Henry antes da morte.

Na quarta-feira (27), o principal depoimento foi o do psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro, testemunha da acusação. Ele afirmou aos jurados que Jairinho apresentaria prazer em causar dor a crianças, em uma fala que reforçou a tese do Ministério Público de que a morte de Henry não foi um acidente.

Também foi ouvida a médica Maria Cristina Souza Azevedo, que atendeu Henry no Hospital Barra D’Or na noite da morte. Ela relatou que o menino chegou em parada cardiorrespiratória e com marcas roxas no corpo.

Durante o depoimento, a assistência de acusação exibiu um vídeo de Henry dançando na casa do pai, Leniel Borel, na manhã da véspera da morte. Monique chorou ao assistir às imagens no plenário.

Henry tinha quatro anos quando morreu, em março de 2021, depois de ser levado a um hospital na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Jairinho e Monique são julgados por homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica.