Se Flávio for eleito, investigações sobre ele serão paralisadas

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República neste domingo de segundo turno, os inquéritos a que responde no caso Dark Horse e por suspeitas de lavagem de dinheiro serão congelados a partir do momento em que ele for diplomado. A imunidade temporária está prevista na Constituição e, na prática, paralisaria as investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas tanto no uso de dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro quanto em investigações de branqueamento de capitais envolvendo o advogado Willer Tomaz.

O candidato nega as irregularidades. A Constituição Federal impede que o presidente seja responsabilizado por atos anteriores ao mandato.

Como o financiamento do filme Dark Horse ocorreu no final de 2024 e ao longo de 2025, quando Flávio tinha mandato como senador, na hipótese de ele ser eleito presidente o caso é congelado porque o chefe do Executivo não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções enquanto estiver no mandato.

No Supremo Tribunal Federal (STF) parte dos ministros entende que é possível avançar na coleta de provas, mas isso não é consenso. Michel Temer, suspeito de receber dinheiro ilícito da Odebrecht, e Jair Bolsonaro, processado por afirmar que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada “porque era feia”, tiveram seus casos paralisados quando assumiram a Presidência.

Continua após a publicidade No último dia 16, a Polícia Federal pediu a prorrogação do inquérito do caso Dark Horse por mais 90 dias, lapso temporal crucial para se saber se, na hipótese de Flávio Bolsonaro vencer as eleições, o processo será ou não paralisado.

Se confirmada, a interrupção das investigações beneficiaria também outros investigados, como o deputado bolsonarista Mário Frias (PL-SP). A PF alegou que precisa de mais prazo porque ainda faltam ser concluídas perícias contábeis e um pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para rastrear o dinheiro do filme.

Continua após a publicidade No caso do segundo inquérito, a partir do telefone celular de Willer Tomaz os investigadores identificaram indícios de suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo a PF, o acervo do aparelho mostrou também que Flávio Bolsonaro era cadastrado como usuário de uma conta bancária de uma das empresas do advogado, o que o advogado também nega. Como o senador e candidato à Presidência tem foro privilegiado no STF, o caso foi enviado para Brasília e está a cargo do ministro Alexandre de Moraes.

Veja a linha do tempo da relação de Flávio Bolsonaro com o Dark Horse, segundo a Polícia Federal: Continua após a publicidade

8 de dezembro de 2024: O publicitário Thiago Miranda, aliado de Vorcaro e investigado na esteira do escândalo do Master, entra em contato om Flávio para agendar uma reunião entre o hoje candidato e o ex-banqueiro. O assunto, diz Miranda, era o “filme do presidente”.

O encontro entre Vorcaro e Flávio acabou agendado para 11 de dezembro daquele ano. 10 de dezembro de 2024: Uma mensagem atribuída a Flávio e encaminhada por Thiago Miranda a Vorcaro informa que o deputado federal bolsonarista Mário Frias, alvo recente de uma operação policial para apurar se emendas parlamentares foram desviadas para custear ilegalmente a cinebiografia, participaria da reunião.

20 de janeiro de 2025: Thiago Miranda apresenta a Vorcaro o print de uma conversa com Flávio Bolsonaro em que o senador e presidenciável cobrava resposta da equipe jurídica do ex-banqueiro sobre o financiamento da produção audiovisual. A partir desta data, registra a Polícia Federal, o cunhado de Vorcaro Fabiano Zettel, também investigado por sucessivos escândalos financeiros, entra na jogada.

Àquela altura, as conversas giram em torno da viabilização e do acompanhamento dos repasses de dinheiro para financiar a produção. 28 de janeiro de 2025: Vorcaro diz a Zettel que o pagamento do Dark Horse é “o mais importante disparado” e que não poderia haver falhas nos repasses.

O senso de urgência do ex-banqueiro se compara ao pagamento feito para o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Conforme mostrou VEJA, Vorcaro tratava os repasses à banca de advocacia como crucial para os interesses do grupo.

Março de 2025: Miranda informa a Vorcaro que “Flavio B e Eduardo” pretendiam marcar reunião com ele a respeito do filme e – mais relevante – Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estado Unidos, dá, nas palavras da PF, “orientações sobre a gestão dos recursos” no território americano.

20 de agosto de 2025: A PF diz que neste mês há indícios de interlocução direta entre Flávio e Daniel Vorcaro. No dia 20, por exemplo, mensagens sugerem provável encontro presencial entre ambos.

A resposta de Flávio: “a caminho”. 8 de setembro de 2025: Flávio encaminha mensagem de áudio a Vorcaro cobrando os pagamentos do filme.

Na mensagem, o Zero Um afirma se preocupar com o risco de inadimplemento perante o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. 15 de setembro de 2025: Thiago Miranda volta à intermediação das conversas e diz a Vorcaro que Flávio gostaria de encontrá-lo pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado.

Uma reunião na casa do ex-dono do Master é sugerida. 16 de setembro de 2025: Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro se falam pelo telefone.

O episódio coincide com a última remessa da Entre Investimentos e a Havengate. 17 de setembro de 2025: Flávio e Vorcaro trocam mensagens que indica novo encontro presencial.

Novas mensagens também foram encontradas ao longo de setembro. 22 de outubro de 2025: Flávio informa a Vorcaro que precisava de novo aporte para o filme porque a produção estava “no limite”.

Era o terceiro dia de gravações da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na sequência, o candidato à Presidência convida o ex-dono do Master a jantar com o ator principal da produção Jim Cazievel.

7 de novembro de 2025: Flávio envia um vídeo a Vorcaro com loas à parceria. Segundo a PF, o senador registra que “aquilo somente estaria acontecendo em razão da ajuda dele”.

16 de novembro de 2025: É véspera da primeira prisão de Daniel Vorcaro. Flávio tenta contato telefônico com o ex-banqueiro.

Na sequência, envia uma mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

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Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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