O ex-governador de Minas Gerais e candidato à presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, disse nesta quarta-feira que está confiante em relação à sua campanha eleitoral.
Na pesquisa Quaest divulgada hoje, Zema aparece com 1% das intenções de voto, contra 2% registrados na pesquisa anterior, de 14 de agosto.
Ele aparece tecnicamente empatado na quarta colocação com os candidatos Pablo Marçal, do PRTB (3%), Renan Santos, do Missão (3%) e Ronaldo Caiado, do PSD (1%).
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 37%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 30%, e o escritor Augusto Cury (Avante) com 10%.
"Respeito as pesquisas mas, se dependesse de pesquisa, em 2018 eu nunca teria sido eleito governador do Estado.
Até a última semana eu estava lá em terceiro, quarto lugar.
Eu falo que eleição é igual o cardápio, o eleitor vai abri-lo na hora que chegar o momento de degustar.
Então, estou muito confiante, continuo fazendo a minha campanha", afirmou Zema.
O ex-governador parabenizou Augusto Cury.
"Parabéns para o doutor Augusto Cury, que teve um fenômeno de novidade, um avanço muito grande, um nome que o brasileiro tem de reconhecer, que já vendeu livros lá fora.
Então, fico feliz da nossa democracia, pelo menos nesse aspecto está funcionando", declarou.
Perguntado se considera que errou ao decidir não participar do debate eleitoral na Band, em 23 de agosto, considerando que Cury ganhou cerca de 2 milhões de seguidores a partir de então, e subiu nas pesquisas, Zema disse que não acredita ter errado.
"Não acredito, não.
Eu não participei devido à ausência do Lula, que é quem eu gostaria de questionar, mas até devido a tudo isso que está acontecendo, e devido eu ter sido também o primeiro a participar da sabatina do Jornal Nacional, que acabou tendo só um dia de diferença, e nós achamos que valeria a pena não participar", disse Zema.
O candidato também foi questionado se acredita numa queda nas pesquisas do candidato Flávio Bolsonaro, após o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ter identificado novo repasse pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse" maior que o valor admitido pelo candidato do PL.
"É muito difícil saber.
O gosto do eleitor é algo que nenhum especialista consegue prever, caso contrário, teria a receita do sucesso.
Mas eu acho que quem teve envolvimento com o banqueiro bandido deve explicar muito bem", afirmou.
Zema apoiou a candidatura à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no segundo turno em 2022, tendo apoio de uma parcela do bolsonarismo.
O candidato do Novo subiu o tom das críticas a Flávio Bolsonaro entre maio e junho deste ano, após a revelação dos diálogos entre o ex-banqueiro e Flávio sobre o financiamento do filme.
Mas sofreu pressão dos diretórios do Novo do Paraná e de Santa Catarina, e acabou voltando atrás, passando a concentrar as críticas a Lula e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Crítica ao Supremo
Zema voltou a criticar os ministros do STF.
Na terça-feira, um relatório da Polícia Federal (PF) mostrou mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes, mostrando que Vorcaro buscava obter detalhes sobre investigações junto do ministro e interferir nas apurações.
O ministro do STF André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo do relatório.
Nesta quarta, o site de notícias ICL revelou que o advogado Ciro Rocha Soares, próximo de Vorcaro, enviou mensagem ao banqueiro discutindo um suposto encontro com Mendonça.
O ministro confirmou que se reuniu com Vorcaro no início de 2025, para tratar de um caso sobre precatórios em julgamento no Supremo.
Disse que apenas ouviu o banqueiro e que sua decisão sobre o caso foi contrário ao interesse de Vorcaro.
"Ontem, nós tivemos aí mais um capítulo da novela dos intocáveis.
Mas, com certeza, o que nós vimos até agora é somente a ponta do iceberg.
Nesses celulares aí tem muita coisa para aparecer e acho que esses ministros, para o bem do Brasil, deveriam se afastar das suas funções.
É o mínimo que se espera de quem tem o mínimo de hombridade no Brasil.
É um escárnio o que a sociedade brasileira está sofrendo e assistindo", declarou Zema.
"Em qualquer país que tem um mínimo de seriedade, esses ministros já deveriam ter sido afastados.
No mínimo, teriam sido afastados.
Na minha opinião, deveriam ir para a cadeia, porque tiveram ganhos financeiros expressivos.
E ainda tem um procurador-geral da República dando cobertura, falando que a investigação é ilegal, até porque ele está envolvido também", acrescentou.
Na terça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pela nulidade da investigação, alegando que o relator do caso não deveria pedir apurações sobre o destinatário das mensagens do ex-banqueiro, sem um pedido do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.
Encontro com motoristas
O ex-governador participou nesta manhã de um encontro com motoristas de aplicativo no centro de São Paulo.
Zema ouviu reivindicações dos motoristas e defendeu que haja uma negociação clara entre motoristas e as empresas de aplicativo para determinar o percentual de ganho do motorista por corrida.
"Todo representante comercial sabe o que ele vai ganhar de comissão.
Os motoristas de aplicativo nem sempre, dependendo da empresa.
Isso para mim seria algo que é mais do necessário ele saber.
(...) Eu vejo que há aí uma desfuncionalidade no contrato e isso precisaria, na minha opinião, ser revisto", disse.
Zema acrescentou que essa negociação deve ser feita sem interferência do governo.
"Não é o governo regulamentar, acho que quem está no aplicativo deveria abrir uma MEI, fazer o recolhimento, porque se ele ficar doente, amanhã ele tem o seguro saúde para poder cobrir as suas despesas enquanto está se tratando, mas isso, na minha opinião, já é algo que depende do motorista.
Agora, o que nós não podemos é ter um contrato onde uma parte fica colocando unilateralmente aquilo que é comissão", afirmou.
O candidato também defendeu a formalização dos trabalhadores e mudança na legislação para permitir que jovens de 14 a 16 anos possam trabalhar formalmente.
À noite, Zema participará de entrevista no podcast Inteligência Ltda.
Max / Divulgação
Romeu Zema, candidato à presidência da República do Novo, em ação de campanha no centro de São Paulo.
