Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente, diz Lula
O presidente Lula afirmou na tarde desta segunda-feira (09) no Palácio do Planalto que na América Latina não tem bomba nuclear e que é necessário se preparar na questão da defesa, porque corre o risco de invadirem o território.
"Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones é [sic] para agricultura, para ciência e tecnologia e não para guerra. E se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente".
A fala do presidente ocorreu após a visita de Estado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que está em Brasília.
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Na fala, Lula reforça a preocupação do governo com a soberania nacional no momento em que o Brasil atua em uma frente diplomática delicada com os Estados Unidos. De acordo com o portal G1, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tentar impedir que o governo Donald Trump classifique facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas estrangeiras. O temor do Itamaraty é que a medida abra brechas na legislação americana para operações militares unilaterais no Brasil, a exemplo do que ocorreu com a Venezuela recentemente.
Os ministros também trataram da ida de Lula a Washington, que estava prevista para esse mês. Lula chegou a falar, inclusive, na data do dia 16, mas depois da guerra do Irã, essas negociações ainda estão ocorrendo. O presidente brasileiro também falou sobre as terras raras.
Ele disse que o Brasil tem 30% de terras raras, mas que quer utilizar esses minérios críticos para o processo de transformação no Brasil e que pode fazer um acordo com a África do Sul para explorar aqui, através de empresas africanas, no território brasileiro, mas tem que ser negociado.
"Expus ao presidente Ramaphosa minha profunda preocupação com a escalada de conflito no Oriente Médio, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, com impacto humanitário e econômico de ampla alcance. Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, insumos e alimentos. São os mais vulneráveis, sobretudo mulheres e crianças, que sofrem o impacto mais severo dessas crises. É importante lembrar que, por conta da guerra do Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo".
O presidente reforçou que o Brasil já está avisando ao mundo que não vai fazer das Terras Raras, com os minerais críticos, aquilo que foi feito com o minério de ferro, que vai se negociar, mas sim num processo de transformação para que o Brasil também possa ganhar algo nessa exploração dessas terras críticas, desses minérios críticos, que são tão visados também pelos Estados Unidos.
