Schulz cria sistema que pode aumentar em até 30% a vida útil dos pneus de caminhões

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Há cerca de quatro anos, a Schulz iniciou um projeto para monitorar componentes de caminhões e identificar quando seria necessário substituir as peças. Ao apresentar a ideia aos transportadores, no entanto, a empresas percebeu que o custo de acompanhar tantos itens dificultaria a adoção da tecnologia.

As conversas apontaram uma oportunidade mais específica: concentrar o monitoramento nos pneus, uma das principais despesas das frotas, para reduzir o desgaste e evitar trocas antes da hora. Calçados Bibi reaproveita 31% do material antes descartado e reduz em 11% custo de palmilhas

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Foi a partir dessa constatação que a Schulz Tech, vertical de tecnologia da fabricante de compressores e autopeças, concentrou o desenvolvimento em um sistema para medir pressão e temperatura dos pneus durante as viagens. A iniciativa deu origem a sensores sem fios conectados a uma plataforma de gestão.

Segundo a empresa, clientes registram aumento de 25% a 30% na vida útil dos pneus e economia de combustível entre 2,5% e 3%, dependendo da operação. Até chegar a esses resultados, a equipe precisou reduzir o tempo de instalação da tecnologia, que poderia inviabilizar sua adoção pelos transportadores.

Na fase de pesquisa, o sistema utilizava cabos para conectar os pontos de medição a uma central. Instalar o sistema no caminhão e na carreta exigia cerca de oito horas com os veículos parados.

Além disso, os cabos precisavam de manutenção, o que dificultava o uso da tecnologia na rotina das frotas. Painel que monitora temperatura e pressão dos pneus da Schulz na cabine do caminhão

Divulgação “Imagina parar um caminhão oito horas para montar um sistema.

É inaceitável hoje parar de produzir para fazer isso”, afirma Juliano Pimentel, head de operações da Schulz Tech. O desafio era transformar o experimento em um produto que pudesse ser instalado durante uma parada de manutenção, sem comprometer a rotina dos transportadores.

O trabalho com parceiros, fornecedores e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) ajudou a empresa a avançar para uma configuração sem fios. Segundo Pimentel, essa evolução levou aproximadamente dois anos e meio.

Sensor sem fio Na versão atual, o sensor ocupa o lugar da tampa da válvula do pneu e permite fazer a calibragem sem removê-lo.

Sua bateria tem duração estimada de três anos e pode ser substituída. De oito horas, a instalação do conjunto em um caminhão com carreta de três eixos passou a levar entre 40 e 50 minutos, de acordo com o executivo.

A facilidade de montagem também se tornou parte do modelo de negócio. A empresa envia um kit que pode ser instalado pelo próprio transportador, reduzindo a necessidade de manter equipes em campo para atender cada cliente.

“Foi uma maneira que a gente encontrou de poder escalar o negócio. Se eu tivesse que ter profissionais de montagem, teria que ter uma equipe de pós-venda muito grande.

A simplicidade com que desenvolvemos os componentes fez com que a gente conseguisse enviar o kit para o cliente para ele mesmo fazer instalação na cabine e nos pneus”, explica o executivo. Um painel na cabine permite ao motorista acompanhar pressão e temperatura e receber avisos de alterações.

As informações também chegam a uma plataforma, pela qual os gestores podem monitorar os veículos a distância. As medições são atualizadas a cada um minuto e meio.

O desenvolvimento envolveu estudos sobre as condições de operação dos pneus e aprendizado com fabricantes e transportadores. Os primeiros clientes que contrataram estavam na região de Joinville, em Santa Catarina, próximo à fábrica da Schulz, o que facilitou acompanhar o funcionamento e fazer ajustes.

A validação incluiu o transporte florestal, com equipamentos pesados em trajetos fora de estrada e ambientes agressivos. Com a evolução do sistema, os dados deixaram de servir apenas para avisar que havia um problema.

A plataforma passou a registrar a quilometragem individual dos pneus, as posições ocupadas nos veículos e o histórico de pressão e temperatura. Juliano Pimental, head de operações da Schulz Tech

Divulgação Da alerta à predição

“A gente começou a coletar esses dados e transformá-los em valor. Conforme a tecnologia evoluiu, saímos de uma plataforma que dava alertas de problemas, para uma plataforma que hoje efetivamente faz a gestão do pneu”, compara Pimentel.

O aumento da durabilidade dos pneus está associado à possibilidade de identificar e corrigir condições que aceleram o desgaste. Rodar com pressão abaixo da recomendada ou com temperatura excessiva pode comprometer o pneu antes que ele alcance a quilometragem prevista pelo fabricante.

É importante ressaltar que ganhos dependem da resposta aos avisos. Identificar uma queda de pressão pouco adianta se o caminhão continuar rodando nessas condições por um período prolongado.

Por isso, o acompanhamento considera a frequência dos alertas e o tempo que o transportador leva para resolver cada ocorrência. Por este motivo, a adoção da plataforma inclui treinamento para interpretar os avisos e avaliar a necessidade de intervenção.

A proposta é ajudar motoristas e gestores a planejar a manutenção e evitar que uma falha identificável se transforme em uma parada durante a viagem. Segundo Pimentel, a empresa tem como expectativa usar o histórico de dados acumulado para ampliar o apoio às decisões dos transportadores.

Ao cruzar quilometragem, marca, modelo e condições de utilização, a empresa pretende indicar quais pneus apresentam melhor desempenho em cada operação. “Às vezes, você tem um pneu premium e um pneu mais simples, mas a condição é tão ruim ou tão severa que os dois acabam danificando.

Então, vai refinando aos pouquinhos e criando dados para dar subsídio à escolha da marca de pneu que mais atende”, explica. Outra frente é explorar a relação entre a temperatura dos pneus e o funcionamento dos freios.

Segundo o executivo, algoritmos analisam diferenças de comportamento térmico para identificar sinais de possíveis falhas de manutenção ou aquecimento excessivo durante a condução. Com o avanço dessas análises, a intenção é antecipar problemas e estimar a durabilidade dos pneus nas condições de cada cliente.

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