Sardenberg: economia brasileira desacelerou no 2º semestre por causa dos juros altos

 

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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de 2,3% em 2025, totalizando R$ 12,7 trilhões. O âncora e comentarista da CBN, Carlos Alberto Sardenberg, comenta que o crescimento no quarto trimestre foi fraco e manteve-se em apenas 0,1%, repetindo o desempenho do terceiro trimestre.

"A economia brasileira veio desacelerando de maneira acentuada ao longo do ano. Nós tivemos no primeiro trimestre do ano passado um crescimento de 1,5%. No segundo trimestre caiu para 0,3% de crescimento e no terceiro e no quarto repetiu-se o número de 0,1% de crescimento."

O cenário reflete o impacto da alta taxa de juros. A desaceleração era prevista por analistas e autoridades, já que a inflação tem mostrado tendência de queda.

"Essa desaceleração do quarto trimestre era amplamente esperada tanto dentro do governo quanto pelos analistas de fora do governo. É uma consequência da taxa de juros bastante elevada, cujo objetivo da taxa de juros é justamente desacelerar a economia e derrubar a inflação, fenômeno que está em andamento. A inflação está caindo e a economia, na medida em que a economia vai se desacelerando."

Agro impulsiona PIB, enquanto indústria e serviços ficam abaixo da média

Agronegócio. Foto: Pixabay

CBN

Sardenberg destaca que composição do PIB revelou que o agronegócio foi o principal motor do crescimento, com avanço de 11,7% em 2025. Em contraste, a indústria cresceu 1,4% e os serviços 1,8%, ambos abaixo do desempenho médio da economia.

Investimentos recuam 3,5% no 4º trimestre

Investimento

PxHere

No entanto, o investimento no país apresentou queda significativa no quarto trimestre, com recuo de 3,5% em investimentos públicos e privados, e apenas 2,9% de crescimento no acumulado do ano, índice considerado muito baixo para o Brasil. O consumo das famílias também ficou abaixo da média, avançando apenas 1,3%.

"É muito baixo. Devia ser várias vezes acima desse valor. O investimento, no caso do Brasil, devia ser 14% ou 15% do PIB e está tendo um crescimento muito baixo."

Outro ponto de atenção, segundo o economista, é a poupança, que correspondeu a 14,4% do PIB em 2025, distante dos 24% a 25% que especialistas consideram ideais para acelerar o crescimento econômico.

Qual é a expectativa para o primeiro trimestre de 2026?

De acordo com Carlos Alberto Sardenberg, para 2026 a expectativa é de alguma melhora puxada novamente pelo agronegócio, mas o cenário geral continua apontando para crescimento baixo e desafios estruturais para a economia brasileira.

"Para este primeiro trimestre de 2026, a expectativa é de melhora em relação à média do ano passado, porque agora no primeiro trimestre deste ano entra a produção agropecuária que deve dar uma puxada no PIB, como costuma fazer. Mas o resultado da economia é um resultado baixo."