São Paulo tem recorde de feminicídios em 2025
São Paulo registrou alta de 8,1% no número de feminicídios em 2025 em comparação com o ano anterior. Foram 266 casos, o que levou o número ao maior patamar da série histórica para esse tipo de crime no estado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Em 2024, tinha sido 246 casos. A alta em feminicídios é observada no país como um todo.
O aumento em 2025 também foi registrado na capital paulista, que contabilizou 60 casos, alta de 22,4% em relação ao ano anterior, quando houve 49 feminicídios.
Em nota, o governo de São Paulo afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é "tratado como prioridade". Cita que em 2023 foi criada a Secretaria de Políticas para a Mulher, que trabalha em conjunto com a Secretaria de Segurança.
Segundo a gestão Tarcísio de Freitas, desde 2023, 1,1 mil agressores foram monitorados com tornozeleiras eletrônica, dos quais 112 foram presos por descumprimento de medidas protetivas. "Essa medida foi implantada de forma pioneira em São Paulo e impede, em tempo real, a aproximação das vítimas ". Outras medidas mencionadas são:
App SP Mulher Segura para conectar, 24 horas por dia, mulheres em risco com a polícia. São 45 mil usuárias e 7 mil acionamentos do botão do pânico, com envio imediato de policiais via georreferenciamento.
Ampliação em 54% dos espaços especializados de atendimento às vítimas de violência: 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 170 Salas DDM 24h. Os atendimentos resultaram em um crescimento de 21% de medidas protetivas.
Inauguração de 20 Casas da Mulher Paulista e construção de outras 16 unidades, para acolhimento a vítimas;
Criação do auxílio-aluguel, que já apoia 4 mil mulheres vítimas de violência doméstica em 582 municípios;
Movimento SP por Todas: criado para dar visibilidade e facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção e acolhimento;
Capacitação de mais de 135 mil profissionais de bares, restaurantes e shows para ações de prevenção com o Protocolo Não se Cale.
Em levantamento divulgado no fim do ano passado, o Instituto Sou da Paz identificou que a ocorrência de assassinatos de mulheres em vias públicas quase dobrou em 2025. Enquanto em 2024 os feminicídios em vias públicas representavam 17,6% do total, em 2025, o percentual saltou para 28,0%. Em números absolutos, as ocorrências subiram de 33 para 58 no estado, no comparativo entre os dez primeiros meses de 2024 e 2025.
— Vivemos um momento de recrudescimento da misoginia, da violência contra a mulher, isso tem sido alimentado por uma radicalização, em que as redes sociais catalisam isso com muita força. Existe uma certeza de impunidade até sobre crimes cometidos no meio da rua contra os corpos dessas mulheres. A gente precisa, como resposta a isso, ter responsabilizações muito emblemáticas nesses casos, a gente precisa que as pessoas se envolvam e não permitam que essa violência aconteça — afirmou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.
Apesar do forte aumento em vias públicas, a própria casa ainda permanece como o principal local onde as mulheres são vítimas. Entre janeiro e outubro de 2025, seis em cada 10 mulheres (61,8% do total) foram vítimas de feminicídio dentro de suas casas no estado.
Números recordes em todo o Brasil
No início deste ano, o Brasil registrou recorde no total de feminicídios em 2025, com 1.470 registrados de janeiro a dezembro , segundo dados do Ministério da Justiça que ainda não consideravam o número de casos para dezembro do estado de São Paulo, divulgado nesta quinta. Os registro tendem a crescer ainda mais com Alagoas, Paraíba e Pernambuco, que também ainda não tinham fechado o dado para dezembro. Os números atuais indicam que quatro mulheres foram assassinadas por dia no ano passado.
O total de casos supera os 1.459 de 2024 e representa o maior índice contabilizado nos últimos dez anos. A tipificação do crime foi criada em 2015, ano em que foram registrados 535 ocorrências. Em todo o período, 13.448 mulheres foram mortas nessas circunstâncias.
Ao longo do ano, casos como o de Tainara Santos, de 31 anos, chocaram o país. A jovem morreu no final de dezembro após permanecer quase um mês internada e perder as duas pernas. Ela foi vítima de um ex-ficante, identificado como Douglas Alves, que a atropelou e arrastou por quase um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo. Na mesma semana da morte de Tainara, Jéssica Daiane Cabral de Oliveira, 30 anos, foi assassinada com seis tiros dentro da casa onde ela morava no Paraná com a filha de 7 anos, que estava no local no momento do crime. O ex-companheiro dela, o guarda municipal Gerson Rafael Geidelis, de 46, foi identificado pela polícia como o autor dos disparos.
Antes, a adolescente Vitória Regina de Souza, de 17 anos, foi encontrada morta também no ano passado após ficar sumida por uma semana no município de Cajamar, na Grande São Paulo. Ela foi morta por facadas no rosto, tórax e pescoço, e teve o corpo encontrado degolado e com a cabeça raspada. A autoria do crime foi confessada por Maicol Sales dos Santos, que acompanhava a rotina da jovem e chegou a ser apontado por investigadores como um possível stalker ou perseguidor.
Já no início deste mês, o governo federal passou a considerar o dia 17 de outubro como a data nacional de luto e de memória às mulheres vítimas de feminicídio. A efeméride foi criada em referência ao dia em que a jovem Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, foi morta a tiros pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, em 2008.
