São Paulo tem menor índice de homicídios em 25 anos, diz governo

 

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O estado de São Paulo registrou, no primeiro trimestre deste ano, o menor índice de homicídios desde 2001, início da série histórica da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Segundo os dados divulgados nessa quinta-feira (30), nos primeiros três meses de 2026 também houve queda em outros indicadores criminais, como latrocínios, roubos e furtos. Os casos de estupro de vulnerável, no entanto, aumentaram na capital paulista no período.

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Foram 605 homicídios dolosos no trimestre. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 641, a redução foi de 5%. Os latrocínios apresentaram queda de 50% no estado em comparação com o primeiro trimestre de 2025 e de 53% na capital. Os roubos também recuaram 19% no estado e 14% na cidade de São Paulo. Já os furtos tiveram retração de 1,3% na capital e 6,3% no estado.

— A Polícia Militar tem atuado com apoio do sistema de inteligência e tecnologia para se antecipar às ações que possam resultar em morte. O policiamento nas ruas é feito de forma estratégica, em áreas previamente mapeadas, o que permite maior presença policial e atuação direcionada nas regiões mais sensíveis — afirmou a comandante-geral da Polícia Militar, Glauce Cavalli.

Assim como os latrocínios, os roubos de veículos também tiveram o menor patamar da série histórica para o primeiro trimestre, com 4.355 casos no estado — queda de 37%. Na capital, foram 1.741 registros. Os furtos de veículos também recuaram: 11% no estado e 7% na cidade de São Paulo.

Estatísticas criminais

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Estupro de vulnerável

Em sentido oposto, os registros de estupro de vulnerável cresceram. Na capital paulista, foram 60 casos a mais do que no primeiro trimestre do ano passado, totalizando 640 — alta de 10%. No estado, o aumento foi mais discreto, de 0,3%, passando de 2.932 para 2.942 casos. Também houve crescimento em crimes como lesão corporal dolosa e culposa por acidente de trânsito.

Em nota, a SSP afirma ter intensificado o combate à violência contra a mulher, incluindo o estupro. A pasta informa que ampliou a rede de atendimento em delegacias especializadas e que a Polícia Civil tem realizado operações voltadas à prisão de agressores. E acrescenta que as ações de fiscalização no trânsito foram reforçadas pela PM, com pontos de bloqueio e blitzes para coibir crimes.

Onde os roubos crescem

Dados do Mapa do Crime, ferramenta interativa do GLOBO, indicam que, apesar da queda nos roubos na capital nos últimos três anos, houve aumento de ocorrências em 2025 em regiões da cidade.

Os roubos de celular, por exemplo, diminuíram nos bairros do centro expandido, mas cresceram em áreas da Zona Sul, como Capão Redondo, Jardim Herculano e Parque Santo Antônio. Tendência semelhante foi observada nos roubos de carros e motos, com elevação em distritos policiais das zonas Leste e Sul.

O levantamento aponta que a atuação das gangues conhecidas como “quebra-vidros” alterou a dinâmica dos roubos de celular. No topo da lista de ruas com mais ocorrências, vias marcadas pelo fluxo intenso de pedestres deram lugar a logradouros com grande tráfego de veículos. A Avenida do Estado registrou 314 roubos em 2025, enquanto a Paulista — que liderava o ranking em 2023 — foi vice-líder em 2024 e caiu para a décima posição.

Nessa quinta, a Polícia Militar realizou uma operação com cerca de 900 agentes e 290 viaturas na região central com maior incidência do “quebra-vidro”.

— A operação responde com escala e tecnologia ao que o crime organizado construiu ao longo do tempo — disse o secretário-executivo de Segurança Pública, coronel Henguel Pereira.

Percepção de violência

Apesar da redução de diversos indicadores criminais, a percepção da população segue marcada pela preocupação com a violência. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta, a violência é o principal problema de São Paulo para 36%, seguida pela saúde (19%). O levantamento ouviu 1.650 pessoas entre 23 e 27 de abril e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.