São José e meus milagres
Foi no ano 2000. Depois de mais de três anos de uma relação iô-iô com o amor da minha vida, João preparou um jantar gostoso para nós e me convidou para morar com ele, em seu apartamento na Rua Cristiano Viana, em São Paulo. Para tanto, esvaziou o armário principal do quarto em que dormia (naquela época sobre um tatame) e separou espaço em sua estante para os meus livros. Nosso começo foi apaixonado e desastrado.
Tivemos outras histórias no caminho; ele terminou comigo algumas vezes, passei um ano estudando em Londres. Mas dia 19 de março de 2000, na hora de fazer meu pedido para São José, fui precisa: “quero ficar com o João, São José; gosto muito dele, me ajuda?”. Dia 24 daquele mesmo mês ocorreu o tal jantar da primeira frase desse parágrafo e a parceria segue firme até hoje. Juntos, criamos dois filhos, mudamos de casa 10 vezes (no momento, buscamos um novo lar), vivemos em seis cidades de três países diferentes e percorremos 26 capitais deste país. Por motivo de uma internação da minha mãe, não fui com ele para Rio Branco, capital do Acre.
A história da minha promessa a São José ficou tão famosa que, em 2002, a Ana Astiz e a Luciana Maia, então responsáveis pela Publifolha, me chamaram para escrever um volume sobre como fazer pedidos para santos. E por causa de “O livro das graças” e dos outros tantos que escrevi sobre espiritualidade, estou aqui neste espaço, a convite da Adriana Dias Lopes.
Abri essa janela na minha vida para dar uma pequena amostra do tanto que São José é importante para mim. Meu casamento é apenas um dos milagres que ele me concedeu. Agradeço a ele meus filhos, vários momentos da minha carreira, minha saúde. A lista é bem grande. Também tenho um rosário de lindas histórias de pessoas para quem ensinei como fazer a promessa. Algumas, de leitores aqui de O Globo. Não por acaso, faz quase dois anos, tenho ele tatuado no meu braço direito.
Por isso hoje, dia 19 de março, véspera do equinócio de outono — aquela data em que algumas regiões da Terra e grande parte do nosso país terão um dia do mesmo tamanho da noite —, será sempre dia de São José por aqui. E sempre vou dar um jeito de divulgar a forma de pedir um milagre para esse santo que me é tão caro.
É assim: escreva em uma folha de papel todas as frutas que você é capaz de reconhecer. Recorte e dobre cada uma delas, como se faz em qualquer sorteio. Coloque todas juntas em um recipiente. Converse com São José. Como se estivesse falando com um amigo de verdade. Alguém que sempre te escuta. Peça com clareza o que precisa. Sorteie, então, um papel dobrado (sim, dos que têm nomes das frutas). Aquela fruta cujo nome estiver escrito no papel que você desdobrar deve ser evitada até o dia 19 de março de 2027.
Significa que se você tirar, por exemplo, banana, como foi o caso do João no ano passado, você só voltará a comer banana, bolo de banana, sorvete de banana, vitamina de banana e tudo o que for capaz de se preparar com banana dia 20 de março de 2027. Em troca, São José, pai adotivo de Jesus Cristo, padroeiro da família e dos trabalhadores, te concederá sua graça.
Vou responder perguntas frequentes: o pedido somente pode ser feito hoje, dia 19 de março. Acredito cada vez mais que essa data é um portal energético poderoso, conhecido por nossos ancestrais há séculos e atribuído a São José pela Igreja Católica. Ele só atende um pedido por CPF. Se você insistir e tirar duas frutas, ele vai escolher qual dos dois vai ajudar — e talvez não seja o que você mais queria.
Algumas vezes seu pedido não será realizado, apesar de você cumprir sua parte do combinado com rigor. Já aconteceu comigo. Anos mais tarde, entendi exatamente o porquê. Por isso, sério mesmo: se você tem um milagre a pedir, vá em frente. São José não falha. Dou minha palavra!
*Carolina Chagas é colunista do GLOBO (@carolchagas)
