De Roma a Machu Picchu, passando por Salvador, Petrópolis e Balneário Camboriú. O que poderia ser o roteiro de um turista inusitado reúne alguns dos lugares onde o Santuário Cristo Redentor marca sua presença, por meio de acordos de cooperação com monumentos, santuários e destinos turísticos do Brasil e do exterior. São as geminações, parcerias que buscam promover o intercâmbio de experiências e valorizar patrimônios históricos, culturais e religiosos. Anteontem, dentro das comemorações dos 95 anos, foi concretizada a segunda etapa do acordo com o Parque Arqueológico do Coliseu, em Roma — uma das novas sete maravilhas do mundo, ao lado do Cristo Redentor e das cidades de Machu Picchu, no Peru, e Petra, na Jordânia, também geminadas com o santuário carioca. O convênio prevê a organização de conferências e workshops, o desenvolvimento de programas de visitação recíproca e a colaboração mútua em iniciativas de divulgação, para promover os destinos e aumentar sua visibilidade internacional. — É uma parceria grandiosa, que só o Cristo Redentor tem força para atrair — avalia o reitor do Santuário, padre Omar Raposo. Ele sinaliza o interesse no intercâmbio de atividades culturais e de conhecimentos técnicos na área de conservação e restauro. — Queremos criar seminários acadêmicos e eventos comemorativos na mesma data. Vamos iluminar o Coliseu, eles iluminam o Cristo Redentor. Embora esteja próximo dos 100 anos, o Cristo foi reconhecido em 2006 como santuário religioso, o primeiro a céu aberto do mundo. A partir daí, houve uma aproximação institucional com outros entes. A primeira geminação ocorreu em 2009, com o Santuário Cristo Rei, de Almada, Portugal, por ocasião dos 50 anos da imagem lusitana. O Cristo carioca, aliás, foi inspiração para o “monumento irmão”, após visita do Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manoel Cerejeira, em 1934. Fora do Brasil, as geminações incluem a cidade portuguesa de Cascais, o Cristo del Otero, na Espanha, e o Cristo Redentore di Maratea, na Itália. Em território nacional, existem parcerias com os santuários Santa Dulce dos Pobres, em Salvador (BA), e Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP), além do Cristo Redentor de Itaperuna (RJ) e o Cristo Luz, de Balneário Camboriú (SC). A geminação mais recente, concluída no início do mês, foi com a Catedral de São Pedro de Alcântara, de Petrópolis. E já estão em andamento convênios com o Santuário Santa Paulina, em Nova Trento (SC), e com a Igreja de Cristo Obrero y Nuestra Señora de Lourdes, no Uruguai, declarada Patrimônio Mundial da Unesco. Os acordos de geminação são firmados por meio do Instituto Redemptor, braço executivo do Santuário. O objetivo é impulsionar sobretudo a área do turismo, com reflexos no desenvolvimento econômico e social das localidades envolvidas. As parcerias propõem também intercâmbios religiosos, com visitas de sacerdotes, peregrinações e atividades conjuntas. Todo dia 25, por exemplo, são celebradas missas no santuário carioca, com a participação de frades do Santuário Frei Galvão. A proximidade com o Cristo Redentor favoreceu a projeção do primeiro santo brasileiro dentro e fora do país, com aumento de visitas no santuário paulista. E as pílulas de Frei Galvão — orações escritas em papel de arroz, usadas na busca por bênçãos — receberam traduções para o espanhol e para o inglês, graças ao aumento da devoção no exterior. — Nossa avaliação é muito positiva. O Cristo é uma grande vitrine, propulsora da divulgação de Frei Galvão — avalia frei Diego Melo, reitor do santuário paulista. Ele destaca frutos recentes da parceria, como a oportunidade de criar um roteiro turístico entre os dois santuários, e a presença do padre Omar, pelo terceiro ano consecutivo, na Festa de Frei Galvão, que acontece até o dia 25 de outubro. À sua imagem e semelhança Desde sua inauguração, em 1931, o Cristo Redentor tem inspirado a criação de outros monumentos à sua imagem e semelhança. Já são mais de 300 pelo Brasil e pelo mundo, segundo estimativa do santuário carioca. Somente no estado de São Paulo foram mapeadas mais de 60 estátuas — o que motivou a criação de um guia com informações para quem quer fazer o roteiro turístico. Um dos mais imponentes é o Cristo Salvador, de Sertãozinho, em Ribeirão Preto. Localizado no Morro do Vanzela, uma antiga pedreira na entrada da cidade, o monumento possui 18 metros de altura, e chega a impressionantes 57 metros com o pedestal — para efeito de comparação, a estátua carioca tem 30 metros de altura, mais oito do pedestal. Mas a maior estátua de Cristo fica hoje em Encantado, no Vale do Taquari, região central do Rio Grande do Sul. Com 37,5 metros de altura (mais seis do pedestal), a imponente estátua foi inaugurada em abril de 2025, no Complexo do Cristo Protetor, que conta com capela, fonte e pias de água benta, além de lojas e praça de alimentação. Cristo Protetor na Cidade de Encantado Divulgação Também contam com suas estátuas de Cristo os municípios de Sobral (CE), Colatina (ES), Poços de Caldas (MG), Cajazeiras (PB), Francisco Beltrão (PR), Currais Novos (RN), entre outros. Fora do país, é possível encontrar as imagens em países como Bolívia, Colômbia, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Índia, Itália, México, Peru, Polônia, Portugal, Sérvia e Timor Leste — alguns deles já com acordos firmados com o monumento carioca.
Santuário Cristo Redentor promove parcerias com monumentos religiosos e destinos turísticos, inspirando fiéis dentro e fora do país
Fonte da notícia:
O Globo
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