Produtores de cebola de Santa Catarina estão gastando menos com fertilizantes e reduzindo as perdas na lavoura. Após duas décadas de pesquisas da Epagri, a adubação da cebola passou por mudanças que trouxeram economia e melhoraram a qualidade da produção.
O problema começou a ganhar força no início dos anos 2000. Na época, produtores catarinenses enfrentavam a concorrência da cebola argentina e tentavam aumentar a produtividade colocando mais fertilizantes nas plantações.
Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), alguns agricultores chegaram a utilizar quase 300% mais fertilizantes em comparação com os anos 1990. Só que o excesso trouxe consequências.
O nitrogênio aplicado sem controle favoreceu o aparecimento de doenças bacterianas e fúngicas, prejudicou a qualidade das cebolas e aumentou as perdas depois da colheita. Diante desse cenário, pesquisadores começaram a estudar as quantidades adequadas de nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK.
A proposta era encontrar uma combinação capaz de manter a produtividade, melhorar a qualidade e diminuir os gastos dos agricultores. Os resultados apresentados pela Epagri mostram uma mudança importante no campo.
Em 20 anos, o consumo de fertilizantes caiu 40%. O custo médio de produção da cebola em Santa Catarina diminuiu 10%, enquanto as perdas após a colheita recuaram 21,4%.
De acordo com o Balanço Social 2025, os benefícios econômicos da adoção da tecnologia chegaram a R$ 62,47 milhões em todo o estado. Esse valor considera a redução das despesas, o aumento da produtividade e a diminuição dos desperdícios.
O pesquisador Claudinei Kurtz, da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga, explica que os estudos também identificaram os melhores momentos para aplicar nutrientes. A recomendação passou a considerar o crescimento das plantas e a absorção de nutrientes por diferentes cultivares.
Com isso, a aplicação dos fertilizantes passou a ser dividida em etapas, conforme a necessidade da cultura. Segundo Kurtz, quase 90% dos produtores já seguem as orientações técnicas, que vêm sendo divulgadas há cerca de dez anos por meio de eventos, materiais informativos e visitas às propriedades.
Um dos exemplos apresentados pela Epagri é o agricultor Renato da Silva, de 45 anos, morador de Ituporanga. Ele cultiva sete hectares de cebola na localidade de Chapadão Santana, situada a 600 metros de altitude.
Durante anos, Renato utilizou fertilizantes sem realizar análises de solo. A prática incluía misturas de esterco com NPK, mas os problemas de podridão eram frequentes.
A mudança aconteceu em 2022, quando o aumento dos preços dos fertilizantes fez o agricultor rever os gastos. Depois de adotar as recomendações, o consumo caiu de 150 para 90 sacas de 50 quilos.
Na prática, isso representa uma redução de três toneladas de fertilizantes, equivalente a 40% do volume anteriormente utilizado. Mesmo usando menos produto, Renato colheu 273 toneladas na última safra, com produtividade de 39 toneladas por hectare.
O resultado superou a média catarinense de 28,841 toneladas por hectare registrada na safra 2024/25. Outro caso é o de Vanderlei Schmitt, de 42 anos, agricultor de Aurora.
Ele cultiva quatro hectares e começou a seguir as recomendações da Epagri em 2021, depois de participar de uma palestra sobre adubação. Na safra 2025/26, sua propriedade produziu 176 toneladas de cebola.
Segundo Vanderlei, a mudança também melhorou a conservação das cebolas armazenadas no galpão. O agricultor relata que consegue manter a qualidade do produto até maio, período em que, segundo sua experiência, o preço de venda chega a dobrar.
Os resultados também levaram seu irmão, Leandro Schmitt, de 35 anos, a adotar o manejo recomendado. O trabalho técnico inclui publicações específicas para orientar o setor.
Em 2016, Claudinei Kurtz participou da elaboração do Manual de Adubação e Calagem para a cultura da cebola em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Dois anos depois, foi publicado o boletim técnico sobre fertilidade do solo, adubação e nutrição da cultura.
A Epagri mantém o trabalho de pesquisa e assistência aos produtores, com orientações sobre doses, épocas de aplicação e necessidades nutricionais das lavouras. Matéria elaborada com base em dados de Canal Rural.
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