Santa Catarina reajusta salário mínimo regional e agora tem o segundo maior piso do país

 

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A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) aprovou, no dia 18 de março, uma lei que reajusta o salário mínimo regional para até R$ 2.106. Com a atualização, o estado passa a ter agora o segundo maior piso regional do país. Só fica atrás do Paraná.

Os valores do salário mínimo em Santa Catarina agora variam de R$ 1.842 a R$ 2.106. O piso tem quatro faixas de remuneração existentes, um aumento médio de 6,5% em relação ao salário anterior, num momento de mercado de trabalho aquecido. O índice aplicado é maior que a inflação do ano passado, que foi de 4,26%.

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A faixa inicial do valor mínimo a ser pago por empresas de Santa Catarina ficou R$ 221 acima do salário mínimo do país, reajustado pelo governo federal em janeiro, que passou a ser R$ 1.621.

Apesar de ser o menos populoso e ter o menor Produto Interno Bruto (PIB) entre os três estados da Região Sul, Santa Catarina tem a sexta maior economia entre as unidades da federação do país. O PIB supera R$ 500 bilhões, com destaque para polos industrias importantes como o têxtil, o de máquinas e o de eletrodomésticos.

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— O reajuste do piso de SC é mais um reflexo de que o mercado de trabalho brasileiro está aquecido, ainda mais em regiões como a do estado. Santa Catarina é um caso à parte, é a unidade da federação com a menor taxa de desocupação do Brasil. Todavia, só representa 4,5% da população ocupada do país como um todo. O reajuste tem mais impacto local, podendo ter repasse de preços, especialmente na inflação de serviços. Em contrapartida, pode atrair mais trabalhadores, já que a migração no estado foi forte nos últimos anos e pode continuar contribuindo para isso — analisa o economista da 4intelligence, Bruno Imaizumi.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, em 2025, a taxa anual de desocupação de Santa Catarina foi de 2,3%, bem abaixo da taxa do país, de 5,6%.

Como ficam as novas faixas em SC

O reajuste, segundo a Alesc, será aplicado às quatro faixas de remuneração existentes no estado, sendo elas:

Primeira faixa: R$1.842 e inclui trabalhadores da agricultura, pecuária, pesca, construção civil e empregados domésticos.

Segunda faixa: R$1.908 e abrange setores como vestuário, calçados, comunicação e telemarketing.

Terceira faixa: R$2.022 e contempla indústrias químicas, farmacêuticas, alimentícias e o comércio em geral.

Quarta faixa: R$2.106 e é destinada a áreas como metalurgia, mecânica, tecnologia da informação, transporte e serviços de saúde.

Para a supervisora do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) de Santa Catarina, Crystiane Peres, o impacto do reajuste é positivo para os trabalhadores e também para a economia do estado:

— Os trabalhadores catarinenses passam a contar com reajuste do parâmetro mínimo em 6,5% e um ganho real de 2,5%. É importante para que os trabalhadores tenham, de certa forma, compensado o custo de vida no estado, que em alguns aspectos é mais elevado do que em outras localidades do país. E também, por outro lado, tem um impacto muito positivo na economia. A própria existência do piso estadual é um motor para a economia, pois impulsiona o rendimento dos trabalhadores e dá um dinamismo maior ao mercado interno — explica.

Ela continua:

— O desemprego baixo impulsiona os reajustes dos pisos, esse é um momento importante para que, tanto no nível estadual quanto no federal, a taxa de desemprego mais baixa seja um impulso para os reajustes salariais

Segundo Imaizumi, o aumento do salário mínimo de Santa Catarina acima da inflação está em linha com a política de valorização do salário mínimo federal.

— A grande preocupação dos aumentos de salários mínimos acima da inflação (0,88%) é a questão da produtividade, que depende não só da qualidade da mão de obra, mas de tecnologia, infraestrutura, questões mais estruturais, que se encontram estagnadas há mais de uma década. Se não houver avanço de produtividade junto com avanço de rendimentos, o repasse de preços para bens e serviços é maior — reflete o economista.

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Piso regional dos outros estados

Além de Santa Catarina, mais quatro estados brasileiros também adotam piso regional próprio, com valores diferentes daquele definido como o salário mínimo nacional, com o objetivo de equalizar particularidades econômicas de cada região, como o custo de vida.

Paraná

Rio Grande do Sul

São Paulo

Rio de Janeiro

— Santa Catarina tem uma especificidade importante: é o único estado em que esse valor das faixas dos pisos é determinado por um processo de negociação direta entre patrões e trabalhadores. Há uma organização no sentido de representar todas as categorias do estado na comissão de negociação — pontua Peres.

O Paraná tem hoje com o maior piso salarial regional do país, aprovado em janeiro. Veja como são as faixas:

O primeiro grupo possui piso de R$ 2.105,34, destinado a trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca;

o segundo grupo tem o valor de R$2.181,63, abrangendo trabalhadores dos serviços administrativos, comércio, reparação e manutenção;

o terceiro conta com piso de R$2.250,04, voltado aos profissionais da produção de bens e serviços industriais;

e o quarto grupo tem piso de R$2.407,90 e contempla técnicos de nível médio.

Em São Paulo, com o reajuste que entrou em vigor em julho de 2025, o piso regional passou a ser de R$ 1.804. É a maior economia do país, mas ficou com o terceiro piso salarial da federação. Ainda assim, a atualização refletiu um aumento de 10% em relação ao salário mínimo anterior e supera em R$ 183 o piso salarial nacional.

O Rio Grande do Sul aprovou, em julho de 2025, atualizações no piso, ficando na quarta posição entre os estados que possuem faixas regionais:

R$ 1.789,04, para o primeiro grupo (agricultura, indústrias extrativas, empregados domésticos, motoboys…);

R$ 1.830,23 para o segundo grupo (indústrias do vestuário, jornais e revistas, empregados em bancas…);

R$ 1.871,75 para o terceiro grupo (indústrias farmacêuticas, comércio em geral, alimentação…);

R$ 1.945,67 para o quarto grupo (metalúrgicas, mecânicas, vigilantes…);

e R$ 2.267,21 para o quinto grupo (técnicos de nível médio, tanto em cursos integrados, quanto subsequentes ou concomitantes).

Já no Rio de Janeiro, com o quinto maior salário mínimo regional do país, a última atualização aprovada em 2023 pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) estabeleceu:

R$ 1.652,80 para o primeiro grupo (auxiliar de escritório, faxineiro, empresas comerciais…);

R$ 1.713,70 para o segundo (barbeiros, cozinheiros, serviços administrativos…);

R$ 1.835,55 para o terceiro (agentes de trânsito, porteiros, clínica médica e serviço hospitalar…);

R$ 2.223,92 para o quarto grupo (educador social, bombeiro civil, técnicos em laboratório…);

R$ 3.354,15 para o quinto (motoristas de ambulância, técnicos de segurança do trabalho, taxistas profissionais…);

R$ 4.750,00 para o sexto (enfermeiros, técnicos de enfermagem, parteiras…);

e R$ 4.217,02 para o sétimo grupo (psicólogos, jornalistas, profissionais de educação física…).

(*Estagiária sob supervisão de Danielle Nogueira)