O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não está disposto a discutir comércio, diplomacia ou qualquer outra questão que possa ajudar a aliviar o sofrimento causado pelas sanções americanas, afirmaram líderes cubanos.
O impasse ocorre em um momento de aumento da mortalidade infantil e de mortes evitáveis.
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— O canal de diálogo está completamente paralisado.
Os dois lados não conseguem chegar a um acordo nem sequer sobre uma agenda básica, acrescentou — disse Lianys Torres Rivera, principal diplomata de Cuba em Washington.
Lianys Torres Rivera, embaixadora de Cuba nos Estados Unidos, na embaixada cubana em Washington.
Pete Kiehart/Bloomberg
Apesar da campanha de pressão de Trump, que inclui um bloqueio de fato ao fornecimento de combustíveis e medidas contra empresas estrangeiras que operam na ilha, a diplomata afirmou que o governo cubano quer manter uma boa relação com o poderoso vizinho.
Rivera também rejeitou as acusações de que Havana representa um risco à segurança nacional e usa sua influência para fomentar manifestações antiamericanas nos Estados Unidos e no exterior.
— Cuba não é uma ameaça aos Estados Unidos.
Cuba quer uma relação de respeito com os Estados Unidos, na qual possamos conversar sobre nossas prioridades comuns — afirmou.
Questionado sobre as declarações da diplomata, um funcionário americano descreveu Cuba como um Estado falido e mal administrado há anos.
O principal obstáculo para melhorar as relações com Washington, afirmou, é uma classe dirigente em Havana que controla a ilha em benefício próprio.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o governo cubano até agora não se mostrou disposto a concordar com nenhuma medida que pudesse ajudar a própria população.
O governo americano usará todos os instrumentos disponíveis para enfrentar ameaças à segurança e ajudar o país a se recuperar, afirmou o porta-voz.
Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, tentam forçar a liderança comunista de Cuba a deixar o poder após mais de 67 anos de regime de partido único.
Embora as opções militares tenham ficado em segundo plano, o governo americano amplia gradualmente as sanções contra a ilha na esperança de provocar mudanças econômicas e políticas.
Em janeiro, comandos dos EUA capturaram o principal aliado regional de Cuba, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e interromperam o fornecimento crucial de combustível do país sul-americano à ilha.
Trump então ameaçou impor tarifas punitivas a qualquer país que tentasse enviar petróleo ao governo cubano.
Como resultado, apenas um navio-tanque russo entregou combustível nos últimos meses, e os cortes de energia chegam frequentemente a 20 horas por dia — embora os EUA permitam entregas de combustível ao pequeno, mas crescente, setor privado de Cuba.
— Que país consegue funcionar normalmente quando recebeu apenas uma remessa de combustível em 200 dias? Isso é punição coletiva.
É uma guerra sem bombas — declarou Rivera.
A diplomata afirmou que mais de 100 mil pessoas aguardam cirurgias, 34 mil mulheres esperam por exames de ultrassom e mais de 3 mil pacientes em diálise deixam de realizar sessões devido aos amplos cortes de energia, agravados pelas restrições de Trump ao fornecimento de combustível.
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Segundo o Departamento de Estado, os EUA também forneceram US$ 100 milhões em assistência à população cubana por meio da Igreja Católica.
A ajuda busca evitar uma crise agravada pela pressão americana, que tem provocado repetidos apagões, com impacto sobre hospitais, saneamento público, abastecimento de água e distribuição de alimentos.
No início deste ano, pareciam haver avanços.
Autoridades americanas e cubanas reconheceram que conversas estavam em andamento, e a equipe de Rubio realizou reuniões com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro, que ainda é visto como o principal articulador do poder na ilha.
Cuba afirmou repetidamente que está disposta a promover mudanças econômicas — e anunciou no início deste ano um pacote de 176 reformas de livre mercado —, mas insiste que o sistema de governo e a liderança política do país não estão sujeitos a negociação.
Esse ponto se tornou um obstáculo para os EUA, que consideram que a ilha é governada por um regime autoritário.
Embora Cuba realize eleições para escolher representantes do Legislativo, apenas integrantes do Partido Comunista podem concorrer, e a dissidência política pode resultar em prisão, exílio ou consequências ainda mais graves.
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Torres Rivera afirmou que não cabe aos Estados Unidos aprovar os sistemas políticos de outros países.
— Cuba tem seu próprio sistema democrático, escolhido pelos cubanos.
Temos eleições a cada cinco anos, nas quais o povo vota e, diferentemente dos Estados Unidos, não é o dinheiro que decide quem é o melhor candidato.
