'Salvar o futuro': Veja vídeo em mandarim divulgado pela CIA para recrutar militares chineses insatisfeitos como espiões

 

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A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) publicou um vídeo de recrutamento em mandarim direcionado a soldados chineses, em uma aparente tentativa de capitalizar a recente instabilidade no Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) após uma série de expurgos de altos oficiais.

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O vídeo, divulgado na quinta-feira no canal da agência no YouTube e nas redes sociais, tem como título “The Reason for Stepping Forward: To Save the Future” (“A razão para dar um passo à frente: salvar o futuro”). A peça retrata um oficial militar chinês fictício que entra em contato com a CIA após se desiludir com seus próprios líderes.

Na narração, o personagem afirma: “Este é o mundo que conheço, defendendo a pátria e protegendo o povo. Mas, dia após dia, a verdade se torna cada vez mais óbvia: o que os líderes realmente estão protegendo é o próprio interesse”. Mais adiante, o oficial diz: “Eu não poderia permitir que a loucura deles fizesse parte do futuro da minha filha”.

Este é o quinto anúncio de recrutamento em mandarim publicado pela CIA desde outubro de 2024. O diretor da agência, John Ratcliffe, declarou à Reuters que os vídeos alcançaram muitos cidadãos chineses, apesar de o YouTube ser bloqueado na China. Internautas conseguem acessar sites restritos com o uso de softwares especializados para driblar os controles de internet impostos por Pequim.

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No ano passado, uma versão satírica em inglês, gerada por inteligência artificial, circulou em redes sociais chinesas. O vídeo imitava o formato das campanhas da CIA para ironizar a vida nos Estados Unidos, onde “as elites de Wall Street manipulam as finanças”.

A divulgação ocorre em meio a turbulências no PLA. No mês passado, o líder chinês Xi Jinping, também comandante-em-chefe das Forças Armadas, colocou sob investigação por suspeita de corrupção o general de mais alta patente do país. A queda de Zhang Youxia, antes visto como o aliado militar mais próximo de Xi, provocou ondas de choque em agências de inteligência ocidentais. Liu Zhenli, outro integrante da Comissão Militar Central, também foi alvo de investigação.

Nos últimos anos, diversos oficiais e altos funcionários da Defesa foram afastados sob suspeita de corrupção ou deslealdade a Xi, entre eles o ex-ministro da Defesa Li Shangfu.

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Na terça-feira, Xi fez comentários raros reconhecendo a turbulência nas Forças Armadas, ao afirmar que o Exército havia “passado por um temperamento revolucionário na luta contra a corrupção”. Ele acrescentou que as tropas permaneceram leais ao Partido Comunista Chinês e “provaram ser capazes e confiáveis”.

Reação de Pequim

Após a divulgação do vídeo, a China prometeu adotar "todas as medidas necessárias" contra atividades de espionagem estrangeiras. Em comunicado lido pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, Pequim ressaltou, ainda, que irá "combater de forma resoluta as atividades de infiltração e sabotagem de forças estrangeiras anti-China e salvaguardar resolutamente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento".