Salgueiro é alvo de intolerância religiosa após divulgar enredo sobre Xica da Silva
Após o Salgueiro anunciar o enredo “Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história” para o carnaval de 2027, a escola de samba foi alvo de intolerância religiosa nas redes sociais. Inspirado no livro homônimo de Leonardo Antan, o tema associa a personagem a uma pomba-gira, entidade das religiões de matriz africana. Em um teaser divulgado nas redes sociais, um internauta comentou: “Lá vem macumba de novo”. A agremiação respondeu: “Meu terreiro é a casa da mandinga. Se não está feliz é só ir embora”.
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Salgueiro reage a comentário negativo após anunciar enredo sobre Xica da Silva
Reprodução/Instagram
Leonardo Antan escreveu, na mesma publicação: "É uma grande honra e missão de vida ser um médium dessa pomba-gira. Vamos mais uma vez saudá-la e contar sua verdadeira história".
Ao comemorar a escolha do enredo, personalidades como Taís Araujo, que já interpretou Xica da Silva, e Viviane Araújo, rainha de bateria da escola se pronunciaram. "Não vejo a hora!", escreveu Taís. "Minha escola não tá de brincadeira!", escreveu Viviane.
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Memórias
No carnaval de 1963, o Salgueiro apresentou "Xica da Silva", considerado até hoje um dos mais fantásticos desfiles do carnaval carioca, e que garantiu à escola o seu segundo titulo e o primeiro sozinha (o de1960 fora dividido com Portela, Mangueira, Império Serrano e Unidos da Capela). Após 17 anos sem ganhar um campeonato, a vermelho e branco vai apostar em 2027 numa revisita ao mito e a lenda de Francisca da Silva Oliveira, a Xica ou Chica, também chamada de a "Imperatriz do Tijuco" e a "Dona de Diamantina".
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A proposta do desfile nasceu da pesquisa de mestrado do enredista Leonardo Antan e ganhou força após a divulgação pública, no ano passado, do testamento oficial de Francisca da Silva Oliveira pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O documento trouxe novas informações sobre a mulher real por trás da personagem eternizada depois em novelas, filmes, ampliando o debate sobre os estereótipos que marcaram sua representação ao longo das décadas.
—Nós vamos revisitar a história de uma das personagens mais importantes da trajetória do Salgueiro, responsável pelo segundo título da academia, em 1963. Vamos agora aprofundar aspectos da sua história, revisitá-la e conhecer novas informações através de pesquisas recentes — explicou o carnavalesco Jorge Silveira.
O testamento
“Aos doze do mês de novembro de mil setecentos e setenta anos e neste sítio de Macaúbas, eu, Francisca da Silva de Oliveira, andando de saúde natural e em meu perfeito juízo e conhecimento, porém temendo a morte como a todas as criaturas e não sabendo a hora em que Deus Nosso Senhor será servido chamar-me para, e desejando claramente dispor dos bens, evitar qualquer prejuízo que possa sobrar a todos ou algum dos meus herdeiros, pedi e roguei a Francisco José de Sales que este meu testamento e última vontade escrevesse e a meu rogo assinou, o qual faço na forma e maneira seguinte.”
Com essas palavras Xica da Silva registou seu testamento, escrito em 12 de novembro de 1770 no Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição de Monte Alegre de Macaúbas, em Santa Luzia, região central de Minas Gerais. O documento, que servirá de base para o enredo do Salgueiro foi registrado no Acervo Minas Justiça sob o nome “Nota de Registro de Testamento”, uma vez que faz parte do Livro de Registros de Testamentos nº 35, da Comarca do Serro, que reúne diversos documentos da mesma natureza. Francisca da Silva de Oliveira nasceu no distrito de Milho Verde, pertencente ao Serro, na região do Vale do Jequitinhonha, por volta do ano de 1734.
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