Saideira: Meza Bar fecha as portas no Humaitá depois de 18 anos com programação de despedida
São 18 anos de uma bela trajetória na noite carioca. Pioneiro no conceito de gastrobar na cidade — dispensando a mesma atenção e cuidados à coquetelaria autoral, muitas vezes premiada, e à cozinha, que inaugurou por aqui a ideia da comida em potinhos, quando pouco se via disso por essas bandas —, o Meza Bar vai fechar as portas no Humaitá no final de abril. A decisão, que pegou os frequentadores da casa de surpresa na última terça-feira (31), segundo a revista Prazeres da Mesa, vem da soma de uma longa insegurança jurídica envolvendo o imóvel — marcada pela falta de acordo com os proprietários — com entraves operacionais e financeiros recentes que tornaram a continuidade do negócio inviável.
Mais de um século de história: conheça 15 bares, restaurantes e cafés centenários no Rio
Ovo de Páscoa em fatias: conheça a tendência que viralizou nas redes e aprenda receita
Meza Bar: coquetéis e comida em potinhos
divulgação/Rodrigo Azevedo
Mas não sem uma bela despedida. Ao longo do mês de abril, a casa promove uma programação especial que reúne nomes e profissionais que ajudaram a construir sua história, com noites temáticas, releituras de clássicos do cardápio e convidados atrás do balcão. O encerramento oficial está marcado para o dia 26, com uma festa final que promete celebrar, em clima de brinde coletivo, as quase duas décadas de influência na cena boêmia carioca.
À frente do Meza, os sócios Fernando Blower, que fundou a casa em 2008, e a chef Andressa Cabral vinham, nos últimos anos, lidando com desafios que iam além do salão — do aumento de custos à crise das bebidas adulteradas com metanol e a dificuldade de previsibilidade em um ponto que vinham operando sob incertezas contratuais. A decisão de encerrar as atividades, amadurecida ao longo dos últimos meses, reflete também um momento de virada pessoal e profissional da dupla, que deve agora direcionar energia a novos projetos, como o restaurante de comida brasileira Yayá Comidaria, no Leme.
Ambiente do Meza Bar, que fecha as portas em abril
divulgação/Rodrigo Azevedo
Nesses últimos 18 anos, o Meza rapidamente se firmou como um dos endereços mais inventivos da cidade, ajudando a moldar uma geração de bares que passaram a tratar cozinha e coquetelaria com o mesmo protagonismo. Referência na última seara, ajudou a formar uma geração de bartenders e acumula diversos prêmios por suas criações etílicas. No último ano, a casa passou por uma reforma que reforçou seu caráter afetivo: o salão ganhou ares de lar, com objetos pessoais, retratos e memórias dos sócios espalhados pelo ambiente — uma extensão simbólica da hospitalidade que sempre marcou o serviço. No cardápio, os célebres “potinhos”, assinados por Andressa, seguem como marca registrada de uma cozinha autoral e despretensiosa. Vai deixar saudades.
