Saiba quem é o engenheiro suspeito de fabricar 'armas fantasma' com impressora 3D preso em SP
Natural do Espírito Santo, Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, 26, preso nesta manhã em Rio das Pedras, no interior de São Paulo, é apontado por investigadores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como responsável por desenvolver, divulgar e comercializar armas produzidas em impressoras 3D. Conhecidas como ghost guns — ou “armas fantasma”, em tradução livre —, as peças não possuem rastreabilidade e teriam sido vendidas para ao menos 11 estados entre 2021 e 2022.
De acordo com o G1, Lucas, conhecido como “Zé Carioca”, publicava em fóruns na internet instruções para a montagem dos armamentos. O material era acompanhado de manuais técnicos e de um “manifesto ideológico” em que defendia o porte irrestrito de armas.
Engenheiro, a trajetória acadêmica do investigado, nascido em 2000, inclui passagens por instituições federais no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Em 2019, ele ingressou no curso de Engenharia Eletrônica do Cefet/RJ e chegou a participar de um programa de iniciação científica. Posteriormente, foi aprovado no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e, mais recentemente, manteve vínculo com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde cursava Engenharia Elétrica.
A investigação também identificou outros três integrantes do grupo, cada um com funções específicas, que iam do suporte técnico e da divulgação de instruções à articulação ideológica, propaganda e criação de identidade visual.
No endereço usado pelo grupo, investigadores apreenderam armas de diversos calibres, incluindo pistolas, revólveres, espingardas e rifles. Segundo a apuração, os clientes estão distribuídos por ao menos 11 estados, e parte deles possui antecedentes criminais, principalmente por tráfico de drogas e outros delitos graves.
A ação foi realizada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) e pelo MPRJ, por meio do CyberGaeco. Ao todo, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão contra 30 suspeitos em 12 estados.
As polícias civis de Sergipe, Bahia, Goiás, Santa Catarina, Roraima, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais deram apoio à operação. Os investigados devem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.
