Saiba quem é Josh D'Amaro, o executivo escolhido como novo CEO da Disney
Enquanto grande parte da indústria do entretenimento de Hollywood estava focada na temporada de premiações e nas negociações em torno da possÃvel aquisição da Warner Bros. pela Netflix — ou talvez da Paramount —, a Disney preparava uma revolução que afetaria todos os setores do entretenimento nos Estados Unidos e sua presença global. Hoje, o estúdio fundado por Walt Disney em 1923 anunciou seu novo CEO, uma escolha que a empresa vinha considerando há mais de dois anos.
Mudança: Disney escolhe Josh D’Amaro, chefe da divisão de parques, como novo CEO
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O candidato escolhido foi Josh D'Amaro, o executivo de 54 anos que até então era responsável pelos 14 parques temáticos espalhados por três continentes, bem como pela frota de cruzeiros da Disney, que atualmente inclui oito navios, com mais cinco a serem adicionados em breve. Embora muitos na indústria cinematográfica e televisiva se refiram a D'Amaro como "o cara dos parques", a verdade é que a unidade de negócios sob sua liderança representou aproximadamente 60% dos lucros da Disney no ano passado. Além disso, no mundo dos negócios, as áreas que ele chefia desde 2022 — cruzeiros, atrações e parques — são consideradas as de maior potencial de crescimento em toda a empresa.
— A Disney não é apenas uma marca, é um sentimento. É encantamento, é pertencimento e é otimismo. Representa memórias transmitidas de geração em geração. Manter essa conexão e tentar aprofundá-la é o motivo do orgulho que sinto no meu trabalho — disse D’Amaro em julho passado, durante as comemorações do 70º aniversário da Disneylândia, enquanto Bob Iger, o lendário CEO da empresa, assentia ao seu lado. Para os especialistas, isso foi um selo de aprovação que colocou o executivo com mais de trinta anos de experiência na Disney à frente de Dana Walden, sua concorrente direta pelo cargo que ele acabou conquistando. Walden, uma produtora de televisão experiente, ingressou no estúdio em 2019, após a aquisição dos ativos de televisão e cinema da Fox pela Disney.
Maior parte dos lucros da Disney no trimestre foi gerada pela unidade de parques e cruzeiros, liderada por Josh D’Amaro
Bloomberg
Durante dois anos, o conselho de administração da empresa avaliou os dois candidatos, um processo particularmente complicado devido à desastrosa transição de liderança em 2020, quando Iger escolheu Bob Chapek para sucedê-lo. Curiosamente, antes de ser selecionado como CEO de toda a empresa, Chapek ocupava o mesmo cargo que D'Amato agora deixa para trás para ascender ao topo da empresa mais poderosa e influente do mundo do entretenimento.
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Naquela época, a infeliz combinação da pandemia e dos desentendimentos entre Iger e Chapek resultou em caos interno na Disney, que em 2022 demitiu seu novo CEO e pediu a Iger, adorado pelos fãs da marca, que retornasse para apagar o incêndio, sob a condição de que fosse um retorno temporário até que encontrassem um substituto mais adequado para a empresa. Isso parece ter acontecido agora com D'Amaro, que, apesar de não ter experiência direta com as divisões criativas de TV, streaming e cinema, possui algumas vantagens que seu antecessor não tinha. Para começar, embora seja executivo da Disney há mais de três décadas, o novo CEO tem formação em artes visuais, com especialização em escultura, e já trabalhou com algumas das figuras mais respeitadas de Hollywood no desenvolvimento de atrações para os parques, como James Cameron, com quem idealizou as atrações de Avatar.
Da esquerda para a direita: Josh D’Amaro, presidente da divisão Disney Experiences da The Walt Disney Company, e Bob Iger, diretor-executivo da Disney, na Disneyland, em Anaheim, Califórnia
Mark Abramson/The New York Times
Outro fator que pesou a favor de D'Amaro foi seu papel central nas negociações com o governo chinês, uma relação complexa que inclui a colaboração na gestão dos parques temáticos de Xangai e Hong Kong, onde o executivo morou no inÃcio de sua carreira na Disney. Além disso, o conselho de administração decidiu que Walden também receberia uma promoção, tornando-se, a partir de 18 de março, dia em que os novos executivos assumiram oficialmente seus cargos, presidente e diretora criativa da empresa, reportando-se diretamente a D'Amaro. A intenção é que a combinação de ambos resulte na sinergia entre negócios e conteúdo que a Disney precisa para manter sua estrutura equilibrada. Trata-se de evitar erros como os cometidos por Chapek quando ele não se posicionou contra polÃticas discriminatórias no estado da Flórida e, posteriormente, quando se envolveu em uma batalha pública com Scarlett Johansson sobre o lançamento do filme "Viúva Negra" no Disney+, o que resultou em um processo por quebra de contrato movido pela atriz.
A verdade é que essa mudança na liderança provavelmente passará despercebida pelo público, embora outro motivo para a escolha de D'Amaro como CEO tenha sido sua vasta experiência com novas tecnologias já implementadas nos parques, onde combinavam avanços em robótica com inteligência artificial. De fato, o executivo supervisionou a criação de um sistema interno de IA chamado Jarvis (em referência ao assistente virtual de Tony Stark em "Homem de Ferro") que processa 73 anos de arquivos da Disney em uma única ferramenta.
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