Saiba quais são as rodas de samba favoritas de alguns dos jurados e veja o que elas têm de especia
A votação do GLOBO que definiu as melhores rodas de samba da cidade refletiu o gosto pessoal dos jurados, portanto, não é uma lista definitiva. Tanto que numa ferramenta interativa, os leitores e internautas poderão montar sua própria relação de favoritas. O time oficial de jurados reuniu 50 bambas, entre sambistas, produtores culturais, jornalistas, profissionais do mundo do samba e influenciadores. Aqui, alguns justificam seus votos e explicam porque a roda escolhida é a sua favorita.
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Para o cantor e compositor Arlindinho o Terreiro de Crioulo, que cravou entre suas favoritas é um símbolo de resistência. Pelo regulamento, ele não pôde votar na sua roda Arlindinho das Antigas — que ficou entre as dez mais votadas.
— O Terreiro de Crioulo representa a resistência do samba de raiz, do samba antigo. Se o samba é uma religião, podemos dizer que o terreiro de crioulo é um culto. Já fizemos algumas coisas juntos e também já participei em alguns eventos deles. A energia e a ancestralidade do samba com certeza está ali com eles — justifica Arlindinho.
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José Reinaldo Marques, curador da FliSamba, cravou a campeã Terreiro de Crioulo, como sua favorita. Ele elogia a escolha de repertório, que seja nas composições mais antigas ou as mais recentes privilegia sempre o melhor time de sambistas do país. Ele elogia também o ambiente da roda, que se apresenta num quintal em Realengo que, segundo diz, traz uma sensação de pertencimento:
—A cada apresentação, o grupo toca o que há de melhor no repertório do samba. Tanto as obras mais antigas quanto composições mais recentes, mas sempre composições do melhor time de sambistas do país. Também acho que o ambiente nos dá a sensação de pertencimento. É um clima que nos remete à memória e à ancestralidade do samba e a sua identidade forjada nas matrizes das culturas africanas, através do canto e da dança do samba — explica.
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Ele votou também no Samba do Trabalhador, que ficou em segundo lugar. Na sua opinião o sucesso da roda se deve ao espírito empreendedor e visionário do músico Moacyr Luz, aliado à aura do Clube Renascença, no Andaraí, onde a roda acontece todas das segundas-feiras. Ela lembra que o local sempre teve tradição de samba e nos anos 1970 reuniu um time de bambas numa roda que contava em seu elenco com Xangô da Mangueira, Preto Rico, Roberto Ribeiro e tantos outros.
— O Samba do Trabalhador tem duas coisas: uma é a capacidade do Moacyr Luz como artista, empreendedor e visionário que viu o momento de criar essa roda e foi para o lugar certo, que é o Clube Renascença, que foi protagonista da maior roda de samba que existia no País, que era realizada nos anos 1970, com a participação de Xangô da Mangueira, Preto Rico, Roberto Ribeiro, o pessoal da Portela, da Imperatriz e tantos outros. Então juntou essa capacidade empreendedora do Moacyr Luz com o ambiente do lugar. Tudo que se faz de bom no Renascença acontece, o lugar tem essa tradição do samba e precisava resgatar esse protagonismo — analisa.
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A roda favorita do escritor Marcelo Moutinho é a do Bip Bip em Copacabana. Na sua opinião o minúsculo bar que recebe músicos e convidados de primeira para um dos melhores sambas da cidade é não só um lugar para ouvir boa música, mas também um local de encontros.
— O Bip Bip é uma referência incontornável quanto se trata de roda de samba. Não só pela história de respeito aos músicos e à música brasileira, mas também pelo sentido de comunidade que criou. É um lugar aonde vamos para ouvir samba, mas também para encontrar, seja com o outro, seja com nós mesmos — afirma ao justificar o voto na roda que empatou na nona colocação com a Gloriosa.
O escritor, um assíduo frequentador das rodas, também votou no Samba do Trabalhador, a segunda colocada, e no Terreiro de Mangueira, que ficou em quarto lugar:
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— O Samba do Trabalhador é uma experiência quase catártica. Reúne gente de todo canto da cidade, e o canto coral da multidão reitera essa que é uma das características das melhores rodas de samba: o sentido de coletividade. Já o Terreiro de Mangueira se destaca pelo repertório que passeia pela história do samba, de clássicos como Candeia e Cartola, passando por Dona Ivone Lara e Roberto Ribeiro, até chegar à turma revolucionária do Cacique de Ramos. E o mais bacana é que não se limita aos grandes sucessos, abrindo espaços para sambas menos conhecidos — justifica.
O ranking do GLOBO está disponível em uma ferramenta on-line, mas cada leitor pode criar seu próprio top 10, selecionando suas rodas de samba favoritas. Esse resultado ainda pode ser compartilhado nas redes sociais.
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Conheça as cinco mais bem colocadas
Na votação do GLOBO, o primeiro lugar coube ao Terreiro de Crioulo, roda surgida há 14 anos em um quintal de Realengo, na Zona Oeste, com capacidade para receber até 1.200 pessoas. A roda atrai público de diferentes regiões da cidade e, com o sucesso, passou a se apresentar em outros locais, inclusive fora do Rio. Considerada também a roda carioca mais preta, seus tambores ecoam ancestralidade em chão de terra batida que remete à África.
A segunda roda mais votada, o Samba do Trabalhador, surgiu de uma maneira despretensiosa há mais de duas décadas no Clube Renascença, no Andaraí. A ideia inicial era promover um encontro descontraído de músicos nas tardes de segundas-feiras, tradicionalmente dia de folga para essa categoria profissional. Deu tão certo que, 21 anos depois, virou programa obrigatório de cariocas e turistas.
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A medalha de bronze coube a uma roda comandada pela dupla Mosquito e Inácio Rios, dois dos sambistas mais respeitados de sua geração: a Encontro Casuais. Há pouco mais de dez anos, os dois amigos resolveram unir seus talentos e desde então lotam o Beco do Rato, na Lapa, nas noites de quinta-feira. A roda é marcada por improviso, convidados surpresa e forte interação com o público.
O Top 5 é completado pelo Terreiro de Mangueira e pelo Samba da Volta. A primeira roda surgiu há cerca de sete anos numa laje da Rua Visconde de Niterói, na subida da Mangueira. O crescimento se deu à base do boca a boca e ganhou impulso depois de uma visita feita pela sambista Teresa Cristina. Bastou um comentário elogioso da cantora e compositora nas ruas redes sociais para tornar o espaço um dos mais disputados da cidade.
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