Saiba quais filmes do Festival de Cannes têm potencial para concorrer ao Oscar 2027

Saiba quais filmes do Festival de Cannes têm potencial para concorrer ao Oscar 2027

 

Fonte: Bandeira



Seja pela falta de estrelas de primeira grandeza ou pela seleção controversa de filmes em competição, muitos consideraram o Festival de Cannes deste ano decepcionante. Não houve muita empolgação em torno dos concorrentes à Palma de ouro, e mesmo os cineastas mais aclamados apresentaram trabalhos um tanto familiares demais. Ainda assim, essa seleção pode ganhar força quando a temporada de premiações começar. Nos últimos tempos, Cannes tem produzido de dois a três indicados a melhor filme a cada ano, e mesmo esta programação mais discreta tem seus fortes concorrentes. Abaixo, listamos alguns possíveis destaques.

Cannes 2026: 'Fjord', do romeno Cristian Mungiu, ganha a Palma de Ouro do festival

"La bola negra"

Cena de 'La bola negra'

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"La Bola Negra" estreou no penúltimo dia da competição e deu impulso ao festival. Dirigido pelos espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi, é um tríptico grandioso e romântico de histórias gays que transita de forma fluída dos dias atuais até a Guerra Civil Espanhola. Embora o elenco seja composto principalmente por jovens rostos desconhecidos, as sempre candidatas ao Oscar Penélope Cruz e Glenn Close aparecem em algumas cenas marcantes.

Penélope Cruz em 'La bola negra'

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Com tom emotivo e visual de grande produção, “La Bola Negra” se apresenta como um forte candidato ao Oscar em todas as categorias. O filme chegou a Cannes sem distribuidor nos Estados Unidos, mas a imprensa especializada noticiou uma disputa acirrada que parece ter sido vencida pela Netflix.

"Club kid"

“Club Kid”, dirigido pelo americano Jordan Firstman (“I Love L.A.”), foi a maior venda do festival, adquirido pela A24 por cerca de US$ 17 milhões, um valor que prenuncia uma campanha significativa para o Oscar. Talvez você não espere que esta comédia seja um forte candidato ao Oscar, já que se trata de uma pequena história sobre um promotor de boate gay que conhece o filho que nunca soube que existia. Mas Firstman consegue realizar tudo de uma forma que agrada ao público, e o produtor de “Anora”, Alex Coco, sabe como conduzir um filme pequeno e desleixado como este pelas águas turbulentas da temporada de premiações.

Melhor atriz

A terceira chance pode ser a vez de Scarlett Johansson? Indicada duas vezes ao Oscar, ela tem fortes chances de ganhar com “Paper Tiger”, no qual interpreta uma mãe nova-iorquina extrovertida que enfrenta uma crise de saúde.

Léa Seydoux nunca foi indicada pela Academia, mas teve um bom desempenho em Cannes com “The Unknown” e “Gentle Monster” — e este último pode se destacar com a campanha certa para as premiações.

Léa Seydoux em 'Gentle Monster' (2026)

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Melhor ator

Dois vencedores do Oscar chegaram a Cannes com performances impactantes que concorriam ao prêmio de melhor ator do festival. Em “The Man I Love”, Rami Malek interpreta outro artista enfrentando a AIDS, mas o filme do diretor americano Ira Sachs tem uma abordagem diferente de “Bohemian Rhapsody”: é um triângulo amoroso intimista sobre inspiração e a paixão pela vida.

Rami Malek em 'The Man I Love' (2026)

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Embora a trama de “The beloved” possa lembrar o de “O Valor Sentimental” — um diretor oferece à sua filha distante um papel em seu novo filme — a atuação de Javier Bardem é tão explosiva que a Academia pode premiá-lo.

Javier Bardem e Victoria Luengo em 'The Beloved' (2026)

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Melhor diretor

O diretor romeno Cristian Mungiu tem uma coleção de prêmios em Cannes por filmes como “Além das montanhas” e “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, mas seus filmes nunca conquistaram o público do Oscar. Isso pode mudar com “Fiorde”, sobre intolerância religiosa, especialmente por contar com os recentes indicados ao Oscar Sebastian Stan e Renate Reinsve no elenco.

Sebastian Stan e Renate Reinsve em 'Fiorde' (2026)

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Filmes estrangeiros

Além disso, quatro cineastas consagrados no Oscar podem estar prestes a repetir o feito.

O diretor russo Andrey Zvyagintsev, indicado ao Oscar de filme estrangeiro por “Leviatã” (2014) e “Sem Amor” (2017), recebeu ótimas críticas por seu thriller sobre infidelidade “Minotauro”, enquanto o belga Lukas Dhont (“Close”) apresentou o comovente “Covarde”, sobre um romance em tempos de guerra. O diretor japonês Ryusuke Hamaguchi, conhecido por “Drive my car”, traz outro filme de três horas, repleto de diálogos, “De Repente”, sobre a amizade nascente entre duas mulheres.

Cena de 'Covarde', de Lukas Dhont

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E o cineasta polonês Pawel Pawlikowski (“Guerra Fria”) apresenta outro drama pós-guerra em preto e branco, “A terra do meu pai”, com uma atuação marcante de Sandra Hüller. A atriz de “Anatomia de uma Queda” está tendo um ano excelente, coestrelando “Devorador de estrelas” e o próximo filme de Tom Cruise, “Digger”, de Alejandro González Iñárritu.

Sandra Hüller em 'A terra do meu pai' (2026)

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Felizmente, ela não precisa se preocupar com o fato de nenhuma dessas atuações canibalizar a outra: uma antiga regra do Oscar foi revogada este ano, permitindo que um ator seja indicado duas vezes na mesma categoria, e "A terra do meu pai" sugere que Hüller pode ser a primeira a se beneficiar disso.