Saiba por que técnica menos invasiva ganha espaço nas cirurgias de quadril
A popstar internacional Madonna já falou publicamente sobre a cirurgia de artroplastia total do quadril à qual foi submetida após enfrentar dores causadas pela artrose. Na época, a cantora compartilhou imagens da cicatriz nas redes sociais e comentou a recuperação, que permitiu a retomada gradual de suas atividades profissionais.
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De forma semelhante, o ator e ex-fisiculturista Arnold Schwarzenegger também já relatou sua experiência com uma prótese de quadril. Segundo ele, o procedimento possibilitou o retorno aos treinos e até à prática de esqui após a recuperação. O astro costuma defender que dores persistentes e limitações físicas não devem ser encaradas como consequências inevitáveis do envelhecimento.
Nos últimos anos, discussões sobre dores crônicas e perda de mobilidade têm ganhado espaço, ampliando o debate sobre autonomia e qualidade de vida. O tema se torna ainda mais relevante entre pessoas acima dos 60 anos, faixa etária em que a artrose de quadril aparece entre as principais causas de dor e dificuldade de locomoção.
Nesse contexto, uma técnica conhecida como acesso anterior direto vem conquistando espaço entre especialistas no Brasil e no exterior. A abordagem é considerada menos invasiva do que métodos tradicionais porque o acesso à articulação é feito por um espaço entre os músculos, sem necessidade de cortar estruturas musculares da região.
Segundo especialistas, essa característica pode influenciar diretamente o pós-operatório. Pacientes submetidos ao método costumam apresentar menos desconforto inicial e recuperação funcional mais rápida. Enquanto técnicas convencionais geralmente exigem restrições temporárias de movimento, como evitar flexionar excessivamente o quadril ou sentar em posições mais baixas, a nova abordagem tende a permitir uma retomada mais livre das atividades cotidianas.
O método foi difundido internacionalmente pelo cirurgião americano Joel Matta e já é utilizado em diferentes centros médicos fora do Brasil. No país, porém, a técnica ainda é considerada mais restrita, principalmente por exigir treinamento específico e uma curva de aprendizado mais longa.
Entre os especialistas brasileiros que utilizam o acesso anterior direto está o ortopedista Alexandre Penna Torini, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, que atua com cirurgias de quadril. Segundo ele, a principal característica da técnica está na preservação muscular durante o procedimento.
"Como a via de acesso preserva a musculatura, o paciente sente menos dor e consegue retomar suas atividades muito mais rápido", afirma.
Outro ponto destacado pelos especialistas é a precisão durante a cirurgia. O procedimento é realizado com o paciente de barriga para cima, posição que permite o uso de imagens em tempo real para auxiliar no alinhamento da prótese e no equilíbrio do comprimento das pernas. O recurso ajuda a equipe médica a ajustar detalhes biomecânicos ainda durante a operação.
"A fluoroscopia (raio X) intra-operatória, aliada a softwares de análise, nos dá uma visão em tempo real do que está acontecendo. Conseguimos ajustar o posicionamento da prótese com maior precisão antes de terminar a cirurgia", explica.
De acordo com o Dr. Alexandre, o uso de uma mesa ortopédica específica também pode contribuir para reduzir o tempo cirúrgico.
A recuperação costuma ser um dos aspectos que mais despertam interesse entre os pacientes. Em técnicas tradicionais, é comum haver restrições temporárias de movimento, como evitar flexionar o quadril acima de 90 graus durante algumas semanas, o que pode dificultar tarefas simples do cotidiano, como sentar, entrar no carro ou utilizar o vaso sanitário. Segundo o ortopedista, no acesso anterior direto essas limitações tendem a ser menores.
"O paciente é orientado a usar o quadril normalmente desde o primeiro dia. A musculatura permanece íntegra e a prótese estável", diz. Ele acrescenta que muitos pacientes conseguem caminhar poucas horas após a cirurgia e recebem alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
Além da artrose em estágio avançado, a técnica pode ser indicada para casos de necrose avascular da cabeça do fêmur, displasias do quadril e determinadas fraturas. "A escolha da abordagem depende de avaliação individualizada, levando em conta fatores como idade, histórico clínico e perfil de cada paciente", conclui.
Dr. Alexandre Penna Torini explica como técnica minimamente invasiva está transformando as cirurgias de prótese de quadril
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