Saiba o que está por trás do cansaço na busca por uma aparência perfeita

Saiba o que está por trás do cansaço na busca por uma aparência perfeita

 

Fonte: Bandeira



A rotina de beleza nunca foi tão extensa e, ao mesmo tempo, tão imperceptível. Há produtos para antes de dormir, ao acordar e até para simular descanso em dias de cansaço real. Em busca de uma aparência cada vez mais "natural", construiu-se um paradoxo em que quanto mais se tenta parecer espontânea, mais elaborado se torna o processo. Entre filtros hiper-realistas, procedimentos estéticos e tendências que mudam em ritmo acelerado, cresce a sensação de que cuidar da aparência deixou de ser um gesto de bem-estar e passa a ser percebido como uma obrigação constante.

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Esse cansaço ganhou nome fora do Brasil: "beauty burnout". O termo passou a ser usado para descrever o desgaste provocado pela pressão estética nas redes sociais e pela ideia persistente de que sempre há algo a ser ajustado no rosto ou no corpo.

Para a doutora Nívea Bordin Chacur, CEO da GoldIncision, esse esgotamento já é perceptível no consultório. Segundo ela, muitas pacientes chegam após um período de consumo intenso de referências estéticas marcadas pelo excesso e pela busca contínua de aperfeiçoamento.

"Hoje vemos muitas mulheres cansadas dessa lógica de perfeição permanente. Elas começam a buscar uma relação mais leve, saudável e possível com a própria imagem", afirma.

Nos últimos anos, procedimentos minimamente invasivos deixaram os consultórios e passaram a fazer parte da linguagem cotidiana das redes sociais. Bioestimuladores, preenchimentos, lasers e protocolos corporais se tornaram frequentes em conteúdos de beleza, muitas vezes ao lado de filtros e rotinas estéticas de difícil reprodução na vida real. Com o tempo, o excesso visual também passou a gerar saturação.

Essa fadiga estética, segundo a especialista, vem impulsionando uma mudança de comportamento. As pacientes seguem interessadas em cuidados estéticos, mas com uma lógica diferente, mais preventiva e menos transformadora.

"Existe hoje uma procura maior por qualidade de pele, manutenção saudável e resultados que preservem identidade, em vez de mudanças marcadas ou exageradas", diz.

Nesse cenário, tratamentos voltados à saúde da pele e à manutenção da aparência ganham espaço dentro da estética contemporânea. Em vez de transformações visíveis, cresce o interesse por protocolos associados à prevenção, longevidade estética e naturalidade, uma transição que, segundo Nívea, reflete uma nova relação com o próprio corpo.

Para ela, o "beauty burnout" não representa um afastamento da vaidade, mas uma tentativa de reorganizar expectativas depois de anos sob pressão estética constante.

"O que vemos hoje é uma mudança de mentalidade. O novo luxo da estética é parecer saudável sem parecer artificial", resume.