A safra 2025/26 de tabaco no Sul do Brasil registrou a colheita de 710.229 toneladas, uma queda de 1,3% em relação às 719.891 toneladas produzidas no ciclo 2024/25.
Além do volume colhido, os preços ofertados pela produção também caíram.
Os números foram divulgados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e são obtidos por meio de pesquisas realizadas junto aos produtores.
A área cultivada passou de 309.982 para 308.932 hectares, recuo de 0,3%.
O número de famílias produtoras diminuiu de 138.020 para 135.972, redução de 1,5%, enquanto o número de estufas passou de 160.912 para 160.157, queda de 0,5%.
A produtividade média ficou em 2.299 kg/ha, 1% abaixo dos 2.322 kg/ha registrados na safra anterior.
A análise da Afubra aponta que a safra apresentou comportamento diverso entre as regiões produtoras.
Em algumas áreas, as lavouras tiveram bom desenvolvimento vegetativo, sanidade adequada e resposta favorável às chuvas ocorridas em momentos importantes do ciclo.
Em outras, frio prolongado, geadas, excesso de umidade, ventos, chuvas intensas, granizo e períodos de estiagem comprometeram parcialmente o rendimento, a uniformidade e a qualidade do produto.
Segundo o presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, o resultado geral deve ser analisado considerando essas diferenças regionais.
“Foi uma safra bastante heterogênea.
Tivemos regiões com bom desenvolvimento das lavouras e condições favoráveis em momentos importantes, mas também áreas prejudicadas por diferentes eventos climáticos.
Por isso, a realidade não foi a mesma para todos os produtores”, destaca.
O Rio Grande do Sul encerrou a safra com 286.603 toneladas, redução de 5,5% em relação ao ciclo anterior.
Em Santa Catarina, foram colhidas 223.643 toneladas, redução de 1,1% na mesma comparação.
O Paraná foi o único dos três Estados do Sul a registrar crescimento na produção total, com 199.983 toneladas, aumento de 5,1%.
Comercialização e receita bruta
Ao longo da safra, aumentaram os relatos de insatisfação com os preços e os critérios de classificação, afirma a Afubra.
Em algumas regiões ocorreram cancelamentos de cargas, devoluções de produto às propriedades e retenção de parte da produção nos paióis, na expectativa de melhores condições de mercado.
O preço médio ficou em R$ 18,07 o quilo, redução de 10,8% em relação aos R$ 20,25/kg registrados na safra anterior.
Por tipo, os valores médios foram de R$ 18,45/kg para o Virgínia, R$ 14,91/kg para o Burley e R$ 13,05/kg para o Comum.
A receita bruta dos produtores do Sul do Brasil totalizou R$ 12,835 bilhões, redução de 11,9% em relação aos R$ 14,575 bilhões da safra 2024/2025.
Deste total, o Rio Grande do Sul respondeu por R$ 5,071 bilhões; Santa Catarina, por R$ 4,104 bilhões; e o Paraná, por R$ 3,659 bilhões.
Safra 2026/2027 exige cautela
Segundo a Afubra, a safra 2026/27 inicia em um cenário que exige atenção.
Apesar das dificuldades enfrentadas na comercialização do ciclo anterior, os relatos indicam que, em muitas regiões, a área plantada tende a permanecer em patamar semelhante.
“Depois de uma safra com dificuldades de comercialização e redução no preço recebido, é fundamental buscar maior equilíbrio entre oferta e demanda.
O produtor precisa dimensionar a lavoura de acordo com a realidade da propriedade e priorizar a produção de tabaco de qualidade, preservando a sustentabilidade da atividade e a sua rentabilidade”, salienta Drescher.
A estimativa inicial de produção da safra 2026/27 será finalizada pela Afubra em novembro.
