'Safáris humanos': estrangeiros competiam para ver quem matava as mulheres mais bonitas em Sarajevo, diz livro

 

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Entre 1992 e 1996, estrangeiros abastados, entusiastas de armas e oportunistas, desembolsaram 80 mil marcos alemães (cerca de US$ 53 mil à época) a sérvios a fim de obter autorização para participar de "safáris humanos" no cerco a Sarajevo (Bósnia).

De acordo com o novo livro do jornalista croata Domagoj Margetic, "Pay and Shoot" (Pague e Atire, em tradução livre), os estrangeiros competiam para ver quem conseguia matar as mulheres mais bonitas.

Segundo Margetic, o valor cobrado pelos sérvios subia para 95 mil marcos alemães e 110 mil para que os estrangeiros pudessem eliminar, respectivamente, mulheres jovens e grávidas.

Membro de força especial da Bósnia abre fogo contra sérvios durante o cerco a Sarajevo

AFP

O livro é baseado principalmente num relatório de inteligência assinado pelo agente bósnio Nedzad Ugljen, morto em 1996.

"Ugljen também escreveu que os estrangeiros competiam para ver quem conseguia atirar nas mulheres mais bonitas", disse Margetic ao jornal "The Times", de Londres (Inglaterra).

O conflito nos Bálcãs deixou 11 mil mortos apenas em Sarajevo.

Entenda o caso

Investigações sobre os brutais episódios tiveram origem no documentário "Sarajevo Safari", lançado em 2022 pelo cineasta Miran Zupanič. A produção afirma que entusiastas de armas da Rússia, dos EUA, do Canadá e de outros países viajavam a Sarajevo para atirar em civis por diversão, pagando valores mais altos para alvejar crianças e outros moradores da região. A Procuradoria de Milão (Itália) abriu uma investigação sobre a suspeita de que turistas italianos tenham desembolsado até US$ 120 mil para participar de dos "safáris humanos" durante o cerco a Sarajevo.

De acordo com o "Daily Mail", a denúncia, apresentada pelo escritor e jornalista Ezio Gavazzeni com apoio do ex-magistrado Guido Salvini e da ex-prefeita de Sarajevo Benjamina Karic, aponta que os participantes teriam feito acordos com o exército sérvio-bósnio, chefiado por Radovan Karadžić, condenado em 2016 a 40 anos de prisão por genocídio e crimes contra a humanidade. As investigações afirmam que os turistas, supostamente ligados a círculos de extrema-direita, viajavam de Trieste a Belgrado pela companhia aérea sérvia Aviogenex e pagavam militares para participar de "fins de semana de tiro". O assassinato de crianças custava mais caro, segundo revelou o jornal "El País".