'Sacrifício de sangue', na Netflix: uma fórmula conhecida, mas com suspense eficiente

Fonte: Bandeira da fonte

Séries suecas de suspense são um subgênero adorável.
O nordic noir tem uma luz característica, atores menos conhecidos e cenários bonitos — tanto os urbanos quanto os rurais.
Em geral, o enredo começa com um crime rompendo a placidez de um cotidiano organizado e onde as relações são aparentemente muito civilizadas.
“Sacrifício de sangue”, lançada pela Netflix, tem tudo isso.
Não espere um programa que esmigalha fórmulas e propõe altas novidades.
Essa é uma trama convencional, com um roteiro, em vários momentos, previsível.
Ainda assim, recomendo.
Vale para acompanhar a produção bem realizada, levada por um elenco cheio de talentos e com numerosas sequências externas em Estocolmo.
São cinco episódios ideais para uma maratona de fim de semana.
A ação se desenrola no fim de maio, um período em que os dias na Escandinávia são longos.
As primeiras cenas transcorrem na madrugada de uma sexta-feira, numa delegacia.
Policiais estão atendendo as ligações, todas elas com pedidos de ajuda para situações sem gravidade.
É quando o telefonema de uma mulher interrompe a tranquilidade dos plantonistas.
Ela chora e implorando por socorro urgente.
Antes de desligar, menciona um homem que quer matá-la com uma faca.
Uma dupla de agentes que está fazendo ronda nas imediações é enviada para o endereço.
No dia seguinte, entretanto, os dois são encontrados decapitados na sala da casa.
Thomas Berg (Jakob Oftebro) é o detetive destacado para desvendar os crimes.
Há sangue para todo lado na cena do crime, mas a perícia não acha pistas que ajudem a esclarecer o que houve.
A polícia decide manter a investigação em segredo quando, na semana seguinte, outro crime parecido acontece na cidade.
Vou pular os detalhes para evitar o spoiler.
Sacrifício de sangue
Netflix
Nessa altura, o pai de Thomas, Alfred Berg (Peter Andersson), entra na história.
Ele também era um policial importante, mas foi afastado por má conduta.
Agora, vive numa área distante do centro de Estocolmo, bebe muito e se ocupa brincando com autoramas e outras miniaturas.
É frustrado e sua relação com o filho, turbulenta.
Sem saber como conduzir sua averiguação sem pistas, Thomas procura o pai.
Eles começam a trabalhar juntos, mas a participação de Alfred é extraoficial.
A convivência reaviva um vínculo marcado pelo sentimento de abandono e por um ressentimento recalcitrante.
Assim, “Sacrifício de sangue” vai embaralhando suspense com drama e mantém o espectador ligado e curioso.
Ela tem qualidades e não chegou à toa ao topo da lista das séries mais vistas da Netflix na última semana.
O roteiro só patina no desfecho.
De novo, sem spoiler.
PS: A partir do próximo domingo, estarei de férias até outubro.
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