Sabrina Parlatore relata ganho de peso na menopausa; saiba por que emagrecer é um desafio
A chegada da menopausa traz mudanças que vão muito além da ausência da menstruação: o corpo se transforma, o metabolismo desacelera e muitas mulheres percebem um aumento de peso inesperado, mesmo mantendo hábitos saudáveis. Recentemente, a apresentadora Sabrina Parlatore, de 51 anos, compartilhou no Instagram sua experiência com essas alterações:
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"Eu tinha engordado uns 5 kg, sem perceber, fazendo tudo igual: praticando atividade física e me alimentando saudavelmente. Como do nada, meu peso havia aumentado em 5 kg? A resposta? Menopausa. Eu me dei conta disso sozinha. Ninguém havia me falado que, quando eu parasse de menstruar, o funcionamento do meu organismo mudaria."
O relato de Sabrina reflete uma realidade comum. Segundo o ginecologista Igor Padovesi, especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS), explica:
"Mesmo comendo bem e praticando atividade física, elas costumam notar maior acúmulo de gordura no abdômen e têm dificuldade em lidar com isso. Sabemos que a queda hormonal, principalmente do estrogênio e da testosterona, é um fator bem importante para essa relação."
A médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), complementa:
"Somado a isso, temos uma redução do metabolismo basal, porque a massa muscular reduzida resulta em menor gasto de calorias em repouso, que pode dificultar a manutenção do peso ideal, levar a alterações na composição corporal, com mudanças na distribuição da gordura e aumento da gordura abdominal."
Diante desse cenário, muitas mulheres recorrem a dietas radicais, mas essa estratégia nem sempre é segura ou eficaz. Para a ginecologista Patricia Magier, criadora do Método Plena, essas abordagens podem comprometer a preservação da massa magra e o metabolismo feminino.
"Essa estratégia, além de ineficaz, pode ser perigosa. Depois dos 40, passamos por uma fase em que a tendência é a diminuição da massa magra, por isso a ideia é tentar preservar essa massa magra para sustentar o metabolismo e prevenir doenças comuns nessa fase da vida, como a sarcopenia e a osteoporose", detalha.
"Dietas muito restritivas induzem à perda rápida de peso, mas boa parte dessa perda vem de massa muscular, o que compromete gravemente a saúde na menopausa e no climatério", acrescenta.
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O impacto é ainda maior em mulheres que não praticam atividades físicas regularmente. Dr. Padovesi esclarece: "A alteração da composição corporal é percebida com o aumento do acúmulo de gordura aliada a uma redução da massa muscular."
A Dra. Marcella descreve os efeitos dessa mudança. "Os principais desafios nesse período estão relacionados à diminuição de massa muscular e à diminuição da força, que podem levar a uma pior qualidade de vida, pois a perda muscular está associada a uma série de problemas de saúde, como a redução da densidade óssea, aumento do risco de fraturas, diminuição do metabolismo basal e maior suscetibilidade a doenças cardiometabólicas, como diabetes, hipertensão arterial e obesidade", observa.
Além das alterações físicas, a menopausa também afeta o humor e a disposição. A endocrinologista Deborah Beranger ressalta: "A menopausa aumenta muito o grau de ansiedade e de irritabilidade e também aumenta a chance de depressão já que há uma alteração dos neurotransmissores do cérebro."
O caminho para lidar com essas mudanças envolve hábitos saudáveis aliados a estratégias médicas individualizadas. Segundo Dr. Padovesi, a terapia de reposição hormonal pode ser um recurso importante.
"Ao repor esses hormônios nas doses certas e com os hormônios mais adequados, podemos ajudar a melhorar a composição corporal, facilitando o ganho de massa magra quando a paciente faz atividade física, e isso reflete na qualidade de vida. Obviamente a terapia hormonal também melhora vários outros sintomas que a mulher pode enfrentar nessa fase", diz.
Dra. Deborah reforça que o tratamento é personalizado. "O tratamento de reposição hormonal é individualizado em relação ao hormônio utilizado e a dose, que depende muito das queixas da paciente. E o tempo de duração, tanto para iniciar quanto para terminar, também varia", comenta.
A Dra. Patricia enfatiza que a abordagem deve ser multidisciplinar, envolvendo nutricionista, personal trainer e planejamento alimentar estratégico: "Assim, além de respeitarmos as necessidades dessa fase, evitamos o efeito sanfona, que é extremamente comum após dietas muito restritivas."
Ela acrescenta a importância dos exercícios resistidos. "A perda natural de massa muscular reduz o gasto energético basal e dificulta a queima de gordura. Exercícios resistidos aumentam densidade óssea, melhoram sensibilidade à insulina e elevam a taxa metabólica de repouso. Musculação, hoje, é considerada quase um 'tratamento' para o metabolismo feminino", pontua.
A Dra. Deborah complementa: "Então a paciente tem que fazer exercício regular, pelo menos três vezes na semana, por uma hora". Na alimentação, o foco deve ser preservar a massa muscular. Dra. Marcella Garcez recomenda:
"Proteínas de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais como carnes magras, peixes, ovos, laticínios e leguminosas devem estar presentes e distribuídas em todas as grandes refeições, diariamente. Porém, considerar a suplementação de proteínas ou aminoácidos específicos pode ser importante para bater a meta de consumo e preservar a síntese muscular."
Ela conclui: "Além disso, consumir carboidratos complexos, como grãos integrais, legumes, frutas e vegetais, que também fornecem vitaminas, minerais e fibras, pode ajudar a poupar proteínas para a síntese muscular. Consumir alimentos ricos em antioxidantes, como frutas, vegetais, nozes e sementes, pode ajudar a reduzir o estresse oxidativo e apoiar a saúde muscular. Por fim, a hidratação adequada é essencial para o funcionamento muscular adequado."
