Às vésperas da Copa, filho de Ancelotti revela traços de personalidade do pai; 'Na infância, cronometrava o tempo de vestir o pijama'
Antes de lidar com craques em vestiários de Real Madrid, Milan, PSG, Bayern, Napoli ou da Seleção brasileira, Carlo Ancelotti já ensaiava em casa uma de suas estratégias de treinador: transformar tarefas simples em desafios. Quem contou foi Davide Ancelotti, filho do técnico e hoje auxiliar do pai no Brasil, ao podcast “Tripletta”, do jornal italiano “Gazzetta dello Sport”, em entrevista na qual também comentou a presença de Neymar na pré-lista de convocados.
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Ao ser perguntado se era verdade que, quando criança, Carlo cronometrava quanto tempo ele levava para vestir o pijama, Davide confirmou:
— Verdade. Era uma artimanha de grande treinador, criar um desafio para mim para me fazer ir para a cama. No fim, funciona da mesma forma com os jogadores, que são sempre muito competitivos.
Técnico Davide Ancelotti, em Botafogo x Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro
Marcelo Theobald
Segundo Davide, esse espírito competitivo ajuda a explicar parte da rotina dos atletas de elite — ainda que, às vezes, passe do ponto.
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— Acho que sim. Embora às vezes haja exageros. Lembro, por exemplo, que no Real Madrid dois jogadores, cujos nomes não vou mencionar, se enfrentaram no badminton às 4h da manhã, na volta de um jogo fora de casa, porque tinham prometido um ao outro. Ou que tivemos que tirar a quadra de futevôlei porque as partidas eram acaloradas demais.
Davide Ancelotti em coletiva de imprensa após vitória do Botafogo
Reprodução/ Botafogo TV
Desde março, Davide trabalha como auxiliar de Carlo Ancelotti na Seleção brasileira, depois de sua primeira experiência como treinador principal no Botafogo.
— Uma experiência que me moldou e me deixou mais forte — afirmou.
Depois da Copa ao lado do pai, ele já pensa em seguir sozinho novamente.
— E depois espero encontrar um clube que me intrigue. Há algumas propostas na mesa; gostaria de decidir antes do torneio em junho, mas veremos.
Davide também destacou o impacto que teve ao trabalhar no Brasil e a força da cultura competitiva no país.
— Pensamos que fora da Itália não existe a cultura de competir a qualquer custo, mas a paixão que vi no Brasil, pela Seleção, mas também no Botafogo, onde treinei, é incrível. Todo mundo quer vencer, e quando você vê a camisa verde e amarela, não tem como não sentir um grande senso de responsabilidade.
Questionado sobre a pressão que cerca Carlo Ancelotti, Davide disse que ela faz parte da profissão.
— Bem, quem faz este trabalho ama tê-la ao redor; na verdade, você tem sorte de tê-la ao redor. E, se você treinou times como Juventus, Milan, Real Madrid, PSG, Bayern ou Napoli, já conviveu com isso por muito tempo.
Sobre a preparação para a Copa, o auxiliar citou o calor, a disciplina defensiva e as bolas paradas como pontos importantes.
— O calor será um fator que não deve ser subestimado, assim como a direção que o futebol moderno está tomando. Acredito que a disciplina defensiva e as bolas paradas serão importantes. Do nosso ponto de vista, também teremos que respeitar os valores de um país como o Brasil, que valoriza alegria e humildade não só em campo, mas na vida.
A Copa do Mundo também está ligada à primeira lembrança de futebol de Davide na infância.
— EUA 94 no bar local. Meu pai estava na América com a Itália de Sacchi, mas eu era muito pequeno e, com razão, não fui.
Entre os craques com quem conviveu, Cristiano Ronaldo apareceu como exemplo máximo de perfeccionismo.
— Absolutamente, ele tem uma ética de trabalho única. Quando ganhou a Bola de Ouro em 2014, Cristiano se permitiu uma taça de champanhe para comemorar. Bem, no primeiro treino disponível, pediu uma sessão extra para compensar.
Já o adversário que deixou Davide e Carlo sem palavras foi Mbappé, em um confronto entre Real Madrid e PSG em 2022.
— Mbappé quando jogamos Real Madrid contra PSG em 2022. Olhamos um para o outro e dissemos: “Que tipo de jogador é esse?”. Impressionante.
Ao falar sobre o melhor meio-campista que já treinou, Davide citou Toni Kroos, mas emendou uma história curiosa sobre Luka Modric.
— Kroos. Mas também Modric, sobre quem tenho uma ótima anedota: ele sempre jogava com meias que usava por baixo das meias do Real Madrid. Um dia, na casa do Rayo, o roupeiro, que era como um irmão para ele, esqueceu de levá-las. Foi um inferno, Luka ficou furioso. Fale sobre jogadores perfeccionistas.
Davide também foi perguntado se Carlo era mais rígido com ele ou com os jogadores.
— Definitivamente com os jogadores.
Sobre o estilo do pai, rejeitou a ideia de que Carlo seja apenas um gestor de estrelas.
— Absolutamente não. Ele se atualizou ao longo dos anos, mudando muito.
E ainda comentou a fama do técnico nas cartas.
— Na verdade, ele é bom em blefar e vence por causa disso.
