Às vésperas da Copa, aumentam buscas por camisas retrôs da Seleção
A poucos dias do início da Copa do Mundo, a busca por camisas da seleção brasileira aumenta. Mas, neste ano, a procura não é somente pela amarelinha que será usada pelos convocados por Carlo Ancelotti. Camisas produzidas nas cinco edições em que o Brasil ganhou o título e em estilo retrô têm sido buscadas cada vez mais pelos torcedores.
O empresário Luis Quedinho afirma ter optado pelas blusas vintage por lembrarem de tempos vitoriosos da seleção:
"Decidi comprar a camisa retrô porque a gente tenta resgatar a melhor fase da seleção brasileira. O modelo retrô faz esse tipo de resgate, as boas lembranças do nosso futebol".
As golas polo das blusas de 1958 e 1962, a simplicidade da que vestiu o esquadrão de 1970 e até as mais largas no estilo de 1994 e 2002 são algumas das características mais marcantes mencionadas por quem busca as camisas.
Segundo a professora do Centro Universitário de Belas Artes, pesquisadora e consultora na área de Moda, Camila Ortega, a preferência por modelos retrô ou camisas vintage representa uma busca por estabilidade. De acordo com ela, a previsibilidade de tempos mais vitoriosos, como os anos em que o Brasil foi campeão, traz mais conforto.
A professora também destacou quais elementos retrô têm sido mais vistos nas camisas da seleção brasileira:
"A busca pelo passado, algo que a gente já sabe, quais foram os desdobramentos. Essa busca acaba sendo mais saudosista, confortável, do que simplesmente encarar o futuro de frente e entender que a gente não tem total certeza de tudo que vai acontecer no futuro. Eu acho que o verde e amarelo ainda é muito forte. E com relação aos modelos de camisas, existe uma busca voltada para as mais minimalistas. Então a gente pode trazer modelos, por exemplo, os de 1974, 1978. Os punhos e a gola são bem marcados, são um pouco mais largos. E também a gola com um estilo parecido com o da polo".
Além da lembrança das vitórias da seleção, outro fator levado em conta na hora de comprar a camisa tem sido o preço. A professsora Camila Ortega afirma que a camisa atual da seleção brasileira é uma das que mais pesa para o bolso da própria população, o que acaba justificando a procura por alternativas.
O estudante Ronaldo Filho abriu mão de comprar a blusa desse ano e preferiu uma que remete à Copa de 1994 para poder caber no bolso:
"Eu decidi comprar uma camisa retrô da Seleção pelo simples fato que está muito cara atualmente as camisas atuais da Seleção Brasileira. Eu gostei muito dos dois modelos, tanto da azul, tanto da amarela, mas eu estava pensando em comprar a amarela, mas o preço muito elevado. Então, optei por nessa Copa comprar uma camisa retrô".
Enquanto as camisas atuais podem chegar a valer quase R$ 800, as vintage simples e em estilo retrô têm preços mais em conta, em uma média de R$ 250 reais.
Ainda assim, a grande procura abre margem para a pirataria e até mesmo golpes. Vinnie Martins é dono da Atrox Casual Club, loja especializada em vender camisas de futebol antigas, e dá dicas para evitar cair em ciladas:
"Primeiro, tem o código global das etiquetas que tem que bater com o código que aparece na internet. A Nike, a Adidas e a Puma têm os seus próprios. Quando não tem o código, vai da percepção do colecionador. [Por exemplo] tem muita camisa original que as etiquetas são removidas. A gente sabe que é original pela costura, pelo tecido, pela malha".
O Brasil estreia na Copa do Mundo em 13 de junho, contra o Marrocos, às sete da noite.
