Às vésperas da 1ª decisão de juros do banco central dos EUA sob novo presidente, Trump pressiona seu indicado
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Federal Reserve (Fed), o banco central do país, cometeria um erro ao elevar os juros enquanto seu indicado, Kevin Warsh, se prepara para comandar sua primeira reunião de política monetária à frente do banco central.
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Em entrevista ao programa "Meet the Press", do canal NBC, Trump procurou rebater o sentimento predominante nos mercados após um forte relatório de emprego dos EUA referente a maio, que levou investidores a apostar que o próximo movimento do Fed será uma alta de juros para manter a inflação sob controle.
— Hoje em dia, quando você tem relatórios bons, o mercado cai porque as pessoas acham que vão aumentar os juros — disse Trump. — Não há razão para elevar as taxas de juros.
O comentário de Trump foi gravado na sexta-feira e exibido no domingo. A declaração acrescenta mais um elemento às pressões econômicas e políticas enfrentadas por Warsh enquanto ele se prepara para presidir sua primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), marcada para os dias 16 e 17 de junho. Segundo Trump, elevar a taxa básica de juros “é a coisa errada a se fazer”.
— Na verdade, deveríamos reduzir os juros — afirmou.
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Warsh assume o Fed
Warsh, novo presidente do Fed, participou de uma cerimônia de posse na Casa Branca em 22 de maio. Ele assume o comando do banco central em um momento delicado tanto para a economia quanto para a própria instituição.
O relatório de emprego divulgado na sexta-feira mostrou que a criação de vagas em maio superou todas as previsões dos analistas. O resultado provocou uma venda de títulos do Tesouro americano e levou operadores a precificarem integralmente uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa de juros do Fed até o fim do ano.
Trump indicou Warsh para liderar o Fed após uma campanha pública insistente pela redução dos custos de financiamento. Desde então, porém, afirmou que deseja que o novo presidente do banco central faça “o que achar melhor”.
Ainda assim, os comentários à NBC sugeriram alguma frustração.
— Estou convivendo com Kevin — disse Trump. — Tenho muito respeito por ele, mas sinto que, quando um país está indo bem, ele não deveria ser punido com uma elevação imediata dos juros.
— Nós temos dívida, temos outras coisas — acrescentou. — Temos questões das quais precisamos cuidar. Quero ampliar os gastos com as Forças Armadas.
Mercado aposta em aperto monetário
A venda de títulos e a reavaliação das apostas sobre a política monetária refletem a crescente confiança dos investidores de que o Fed sob a liderança de Warsh precisará elevar os custos de empréstimos para conter uma inflação que continua acima da meta.
Economistas do Goldman Sachs abandonaram na sexta-feira sua previsão de corte de juros em dezembro de 2026, após a divulgação dos dados mais fortes do que o esperado do mercado de trabalho americano. Eles ainda projetam duas reduções de 0,25 ponto percentual, mas agora apenas em 2027, nos meses de junho e dezembro.
As expectativas de alta dos juros ganharam força após os números do mercado de trabalho divulgados na sexta-feira. O emprego fora do setor agrícola aumentou em 172 mil vagas em maio, após revisões para cima dos dois meses anteriores, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%.
Com sua popularidade pressionada por preocupações da população com a guerra no Irã, sua condução da economia e os preços elevados da gasolina, Trump tem argumentado que o crescimento econômico e a geração de empregos podem, por si só, ajudar a controlar a inflação.
— Se a inflação aparecer — e as pessoas convivem com inflação —, o que acontece é que você a combate — disse à NBC. — Mas o sucesso pode derrotar a inflação da mesma forma que juros mais altos.
