S.O.S Parque da Prainha: em meio a queixas como trilhas fechadas e banheiros precários, prefeitura faz nova promessa de reforma

 

Fonte:


Um dos cartões-postais da Zona Sudoeste e do Rio, o Parque Natural Municipal da Prainha enfrenta um cenário de degradação que tem gerado reclamações de frequentadores e da Associação de Surfistas e Amigos da Prainha (Asap), entidade que historicamente defende o espaço e foi uma das responsáveis por sua criação. Interditada desde maio de 2025 por falta de manutenção, a trilha que leva ao Mirante do Caeté e é o principal acesso à parte alta do parque virou símbolo do mau estado de conservação, mas há uma série de outros problemas, segundo os relatos.

Recuo: Após comunicar corte de pagamento a Zé da Lagoa, prefeitura diz que situação será resolvida

Festival infantil: Evento gratuito e inédito vai levar cultura e sustentabilidade à Cidade das Artes

O acesso à parte alta do parque está fechado desde 19 de maio do ano passado. A interdição ocorreu devido a um acidente leve no deque instalado no mirante. Quase um ano depois, há registros de calhas de água de chuva obstruídas, pontes carentes de manutenção, árvores tombadas, galhos e sinais de deslizamento ao longo da trilha que leva até lá. A situação afeta diretamente a experiência dos cerca de 500 visitantes diários e mais de três mil em alta temporada, que não conseguem circular nas áreas mais procuradas do parque.

As condições dos banheiros, com portas quebradas, falta de iluminação, infiltrações nas paredes, vasos sanitários fora de funcionamento e falta de produtos de higiene e limpeza também são alvo de reclamações.

— Quando o banheiro está aberto, as condições são tão precárias que nem dá vontade de usar — compartilha Fernanda de Oliveira, frequentadora do parque.

Instalações no Parque Natural Municipal da Prainha

A sede administrativa também apresenta deterioração, com escadas danificadas, portas e janelas quebradas, sujeira acumulada, falta de lâmpadas e espaços para uso dos funcionários com estrutura comprometida, segundo a Asap. O cenário é agravado pela falta de eletricidade, apesar da existência de um sistema de energia solar.

De acordo com frequentadores e pessoas que trabalham no local, a estrutura está inoperante há mais de um ano. Volta e meia, dizem, observa-se o trânsito de funcionários que carregam baterias particulares para auxiliar na realização de tarefas simples do cotidiano e ligar equipamentos necessários no período da noite.

Com aproximadamente 157 hectares de extensão até Grumari, o parque tem na limpeza um outro desafio. Segundo visitantes, é comum observar cúmulo de lixo em diferentes trechos. A Comlurb informa que realiza limpeza diária nas áreas comuns, com dois garis pela manhã e um à tarde, e diz que vai verificar como gestor do parque se o serviço precisa de ajuste.

Degradação do Clube Federal: Secretário de Administração denuncia abandono e promete acionar a Justiça

A ausência de placas de sinalização também é um obstáculo. Nas redes sociais, há depoimentos de pessoas que foram até o parque tencionando conhecer a parte alta e só descobriram que o acesso estava bloqueado ao se depararem com o cordão de isolamento no início da trilha.

— O problema não é com a gestão do parque ou a subprefeitura. Esses fazem o que podem — defende Juca Garcia, presidente da Asap. — A cobrança é à Secretaria de Meio Ambiente e Clima (Smac), que prometeu melhorias no ano passado.


De acordo com Garcia, há dois meses a Asap teve uma nova reunião na Smac na qual ficou prometido que em abril as reformas no local seriam iniciadas, o que não aconteceu.

Moradora do Recreio, bairro vizinho ao Parque da Prainha, e frequentadora assídua há dez anos, Flávia Rossi relata a mudança, para pior, que tem observado.

— Adoro caminhar no parque, porque a quietude e a natureza fazem o dia começar melhor, mas está difícil. A falta de manutenção é evidente e afeta muita gente. Não existe segurança também. Muitos guias deixaram de fazer passeio lá, por exemplo — conta.

O 31º BPM (Recreio) informa que realiza policiamento ostensivo na região do parque, com policiais fazendo abordagens e revistas, e que não há registro de aumento de crimes.

Imposto de Renda 2026: Universidades oferecem ajuda gratuita para declarar

Importância ambiental

O cenário de conservação deficiente contrasta com a importância ambiental da área. Recoberto por diferentes formações vegetais da Mata Atlântica, o Parque da Prainha tem mais de 200 espécies de plantas, incluindo carrapateiras, figueiras, paus-d’alho, cedrinhos e embaúbas. De fauna são quase 270, algumas sob ameaças de extinção, como o gato-do-mato, além de outras que se tornaram símbolo do local, como as preguiças e os tamanduás-mirins.

Tiê-sangue, uma das espécies de pássaros presentes no Parque Natural Municipal da Prainha

Berg Silva/29-1-2018

Os 700 metros de extensão da Prainha propriamente dita, área frequentada por surfistas e famílias, ostentam nesta temporada o selo Bandeira Azul, certificação internacional entregue pela ONG Foundation For Environmental Education a praias e áreas costeiras que cumprem uma série de exigências ambientais. O reconhecimento tem sido frequente desde 2012.

Procurada, a Smac informou, em nota, que um processo licitatório para obras no parque e em outras unidades sob sua gestão que precisam de reformas deve ser publicado dentro dos próximos 30 dias.

Initial plugin text