Ryu: sem vestígios de k-pop, restaurante serve comida 100% coreana na Barra
É recorrente por aqui se misturar a culinária coreana com a japonesa, a chinesa, as asiáticas em geral. Alguns pratos coreanos estão até pelos fast foods, e o kimchi, o fermentado de acelga, quase um símbolo da mesa coreana, pode compor pratos criados por chefs como Thomas Troisgros e Bruno Katz. Kimchi é fichinha, mas o restante não, um emaranhado de fios, de noodles desconhecidos com texturas, espessuras e composições distintas. Podem se chamar “miltok”, o mais fácil de ser pronunciado. Para se comer com colher ou hashis, os “jeotgarak”, que são palitinhos reutilizáveis de metal. A bebida é o soju, destilado de arroz com batata-doce (fazem de bambu também), a R$ 14,50/ml.
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Mul mandu do Ryu
Divulgação/Rafael Mollica
Esse admirável mundo novo coreano explorei no Ryu, restaurante de cozinha 100% local, que funciona há sete anos na Barra, quase Recreio. Vale a esticada (para quem não mora por ali), já que temos poucas opções de coreanos na cidade, a grande maioria de instalações precárias. Sem refrigeração, por exemplo, com as labaredas rolando soltas pelo espaço sem espaço. O Ryu é outro patamar.
Clara Shin é fotógrafa, filha de coreanos, morou em Seul, Nova York e elegeu o Rio para viver com o marido e o filho. Comprou um apartamento na Barra e, da varanda, acompanhou a construção de um centro com salas comerciais e algumas lojas embaixo. Escolheu exatamente a que queria — com mais de 300 m², de esquina (para driblar o sol e aproveitar o vento) e com mesas do lado de fora — para realizar o sonho de fazer cozinha coreana. Importa vários ingredientes, as cerâmicas e até o coffee korean, os pacotinhos de café solúvel para tomar na caneca com gelo.
Japché do Ryu
Divulgação/Rafael Mollica
O cardápio traz fotos para facilitar o nosso lado. Gung jung tokbokki é uma das massas coreanas, os canudos longos e largos salteados no shoyu adocicado (da casa) com verduras e pedaços de carne bovina braseada supersaborosa (R$ 80). Yatchê twigim são tiras de batata-doce (tá em todas), cenoura, cebola e cebolinha empanadas (R$ 39). E sweet gan jon são fatias de shiitake (pode ser frango) empanadas, fritas com amendoim e molho docinho (R$ 65). Comemos kimchi mandu, os pasteizinhos meio guioza, superleves, com carne de porco, tofu e molho picante, mais kimchi, e o mul mandu (R$ 69), mesmo prato, só que de camarão. As massas são leves, os pratos são apimentados e há sempre verduras empanadas finalizando.
O salão tem lanternas de papel coloridas, mesão coletivo e espaços para sentar com ou sem sapatos. E o nome Ryu nada tem a ver com o Rio, foi criado a partir do alfabeto coreano que, aprendi, se chama hangul. Foi uma tarde de imersão coreana, felizmente sem qualquer vestígio de k-pop ao redor.
Ryu: três garfinhos (bom)
Av. das Américas 12.600, bloco 5, loja 104 , Barra (3197-1666). Ter a sáb, das 12h às 22h. Dom, das 12h às 21h . Fecha no último domingo do mês.
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