Rutte diz que Otan saiu reunida da cúpula de Ancara após ‘desavenças’ com Trump
As divergências entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) demonstraram a força democrática da aliança e devem servir de lição para o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, após a cúpula realizada em Ancara.
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Em entrevista à Reuters, Rutte também disse que não vê necessidade de mudar a forma como lida com Trump, apesar das acusações de que faz elogios excessivos ao presidente americano e deixa de responder às críticas dele aos aliados.
"Eles sabiam o que estavam contratando quando me escolheram, e eu sou quem sou", disse.
"Se as pessoas fazem um bom trabalho, eu digo isso.
Se eu discordo, também direi, mas provavelmente não em público, tentando preservar a unidade da aliança."
Trump agitou a cúpula ao ameaçar publicamente interromper as relações comerciais com a Espanha, reacender divergências sobre a guerra contra o Irã e voltar a reivindicar a Groenlândia, antes de reafirmar seu compromisso com a aliança e dizer que havia "muito carinho" e união entre os 32 líderes.
Questionado sobre a mensagem que essas desavenças enviavam ao líder russo e se elas enfraqueciam a mensagem de dissuasão da Otan, Rutte respondeu: "Eu diria a Putin: vocês deveriam ter mais discussões entre vocês, em público."
O presidente Donald Trump, à esquerda, caminha com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, após uma foto de grupo dos chefes de Estado e de governo na cúpula da aliança militar em Ancara, Turquia, na quarta-feira, 8 de julho de 2026.
AP/Francisco Seco
A Otan identifica a Rússia como a maior ameaça à segurança de seus membros, que aumentaram os gastos com defesa em centenas de bilhões de dólares desde a invasão da Ucrânia por Moscou, em 2022.
"O que ele [Putin] viu agora foi que, às vezes, os aliados discordam um pouco, têm algumas desavenças, e depois se reúnem novamente", disse Rutte.
Segundo Rutte, a capacidade de debater abertamente e depois convergir em torno de um objetivo comum é "o que distingue as democracias" de países como Rússia, China e Irã.
