Russos dançando o proibidão, banho de urina, é protesto ou é torcida? Começa a Bienal de Veneza; vídeos

 

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Marcada por protestos e renúncia do júri por causa da participação de Israel e Rússia, a Bienal de Veneza já havia causado polêmica antes mesmo de começar, neste sábado. A semana que precedeu a abertura oficial, para o público em geral, já foi marcada — ou atravessada, para usar o jargão do artsy world — por algumas particularidades que problematizam a questão mais do que talvez os artistas e curadores envolvidos previam.

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Vodka sem água de coco. Mas com 'senta senta senta'

O Pavilhão da Rússia mal abriu e já fechou, pelos protestos e desagrado da participação do país devido à invasão da Ucrânia. Ontem, o espaço já foi encerrado, e as performances que nele foram realizadas desde terça-feira (5), quando foi inaugurado apenas para convidados, serão reproduzidas em telões ao longo do evento.

Vodka e funk

Como notou a imprensa especializada, elementos sensoriais marcaram o espaço, com apresentações musicais com sons ancestrais e flores dando boas-vindas aos convidados. Vídeos de paisagens da Buriácia, região da Sibéria, e uma grande árvore no andar superior do salão também chamaram a atenção. Mas na noite da abertura mesmo, com poucas pessoas para o tamanho do espaço, o que fez sucesso mesmo foi a distribuição grátis de vodka, e um detalhe bem brasileiro cujo sentido total escapou a quem não entende português ou a linguagem das quebradas: a preferência do DJ russo por funks proibidões brasileiros. Os adolescentes presentes curtiram, talvez porque não conhecessem a letra.

É pela Palestina ou pelo futebol?

A torcida celebra no meio da arte

Milhares de jovens unidos em meio a nuvens de fumaça na noite de sexta (8) na Praça São Marcos confundiram o olhar de artistas e curadores presentes à Sereníssima. Alguns deles comentaram que seria um protesto contra a participação de Israel na Bienal, por causa da invasão da Faixa de Gaza e dos ataques no Sul do Líbano. Mas um olhar mais atento mostrava que aqueles jovens estavam engajados é em uma celebração futebolística: os torcedores do Veneza F.C. celebravam a volta do time à série A do futebol italiano.

A confusão é compreensível: durante a tarde, houve de fato manifestações pró-Palestina. E a mistura deve continuar neste sábado, quando está prevista uma festa maior ainda para o time de futebol.

Bebês reborn nipônicos

Boneco de bebê em instalação do Pavilhão do Japão na Bienal de Veneza

Reprodução

No Pavilhão do Japão, o artista Ai-Arakawa Nash resolveu fazer uma reflexão sobre a paternidade, o declínio populacional e outros temas correlatos. A inspiração foi o filho que Nash teve durante a pandemia. As reflexões de Nash se traduziram em vários bonecos de bebês, bem pesados, que os visistantes podem pegar, ninar, trocar a fralda, e admirar a roupinha — em um look bem ousado, com óculos escuros e tudo.

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Nessa piscina vale fazer o número 1

Na disputa por quem chama mais a atenção pela ousadia, a artista austríaca Florentina Holzinger largou com vantagem na lacração, em sua performance onde ficou imersa em uma banheira para onde corria a urina feita em um banheiro químico por quem estivesse apertado. Os usuários eram alertados, no entanto, a não fazer o número 2, para não estragar a obra. Uma atuação que chamou a atenção, para quem nunca entrou em uma piscina de plástico ou nadou no Aterro do Flamengo.

Fazendo arte na água