Rússia diz que divergências com Ucrânia diminuíram, mas que reunião de fim da guerra precisa ser em Moscou

 

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A Rússia afirmou nesta segunda-feira (2) que segue 'aberta a negociações' com a Ucrânia sobre a guerra. Segundo declaração do porta-voz do governo, Dmitry Peskov, houve progressos de algumas questões e as divergências diminuíram.

Apesar disso, ele defende que se trata um 'processo complexo e multifacetado'.

'Em algumas questões, fizemos progressos porque houve discussões e conversas. Em algumas questões, é mais fácil encontrar um terreno comum. Existem questões em que é mais difícil encontrar um consenso. Não é possível fazer nenhum progresso nessas áreas ainda', disse em uma coletiva de imprensa.

Ele completou comentando que uma negociação para o fim da guerra até pode acontecer. Porém, o presidente russo, Vladimir Putin, possui uma condição: a necessidade de ocorrerem em Moscou, capital da Rússia.

O porta-voz também afirma que o apelo do presidente francês, Emmanuel Macron, ao diálogo com Moscou 'é sensato, e nós o compartilhamos'.

Negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA são adiadas e ficam para quarta-feira (4)

Presidente russo, Vladimir Putin; presidente americano, Donald Trump; e presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Mikhail METZEL / POOL / AFP; Jim WATSON / POOL / AFP; e Adem ALTAN / AFP.

As negociações diretas entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos pelo fim da guerra serão retomadas na próxima quarta-feira (4) em Abu Dhabi. Os debates devem se estender até quinta-feira (5). O anúncio foi feito pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Inicialmente, estava previsto um encontro neste domingo (1º) em Abu Dhabi, que já recebeu nos dias 23 e 24 de janeiro um primeiro ciclo da negociação trilateral. Zelensky publicou nas redes sociais que a Ucrânia está preparada para uma discussão substancial e quer que o resultado os aproxime de um fim da guerra real e digno.

Apesar da retomada do diálogo, as tratativas seguem consideradas difíceis. Um dos principais entraves é a questão territorial, com a Rússia exigindo que as forças ucranianas se retirem de áreas da região de Donetsk ainda sob controle de Kiev.

Paralelamente às negociações em Abu Dhabi, houve movimentação diplomática nos Estados Unidos. O emissário econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, se reuniu na Flórida com o enviado especial americano Steve Witkoff, o secretário do Tesouro Scott Bessent e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

Zelensky tem reiterado que a Ucrânia trabalha para encerrar o conflito, mas defende que qualquer acordo inclua garantias de segurança robustas.

No mês passado, após encontro com Trump às margens do Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente ucraniano chegou a dizer que documentos voltados a um possível encerramento da guerra estavam “quase prontos”, incluindo textos sobre garantias de segurança e um pacote econômico para o futuro do país. Ele também afirmou que o processo exigirá concessões de todas as partes, não apenas da Ucrânia.

Destruição na cidade de Kharkiv, na Ucrânia, após ataque com drones da Rússia.

Foto por SERGEY BOBOK / AFP