Rússia defende que Irã tem direito 'inalienável' de enriquecer urânio para fins civis

 

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirma que 'o direito de enriquecer urânio para fins civis é um direito inalienável da República Islâmica do Irã'.

Segundo ele, independentemente do país, em suas negociações com os Estados Unidos, decidir 'dar uma pausa' ou 'insistir em preservar esse direito', a Rússia aceitará 'qualquer abordagem baseada nesse princípio, o princípio da universalidade do direito ao enriquecimento', disse Lavrov a repórteres em Pequim, na China, onde esteve em visita de dois dias esta semana.

Lavrov reforça que Rússia e China 'apoiam firmemente' as negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio, 'para que as partes possam avançar em direção a objetivos realistas e justos, respeitando plenamente os direitos legítimos de cada parte, em conformidade com o direito internacional'.

O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear de 1970, que concede aos países o direito a programas pacíficos de energia nuclear com salvaguardas, mas não menciona explicitamente o enriquecimento.

Negociações entre EUA e Irã

Fumaça após ataque contra o Irã na guerra do Oriente Médio.

AFP

Representantes dos Estados Unidos e do Irã podem se reunir até esta quinta-feira (16) para uma nova rodada de negociações sobre o fim da guerra.

O presidente Donald Trump disse que o encontro poderia ocorrer nos próximos dois dias no Paquistão. O objetivo diplomático é fechar um acordo antes do fim do cessar-fogo de duas semanas, que expira na terça-feira.

Enquanto isso, os militares americanos afirmam ter paralisado completamente o comércio econômico de entrada e saída do Irã por via marítima, com o bloqueio no Estreio de Ormuz.

Segundo a agência iraniana Fars News, o porta-voz do governo disse que avaliações preliminares estimam os danos causados pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em cerca de 270 bilhões de dólares.

Nessa terça (14), o FMI alertou que a guerra no Irã vai desacelerar o crescimento econômico global, pressionar a inflação e aumentar o risco de uma recessão. O economista-chefe do Fundo avaliou que a guerra e o fechamento do Estreito de Ormuz já trouxeram mais impactos no mercado global de energia do que a crise do petróleo de 1973.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Divulgação/Casa Branca

No caso do Brasil, segundo o relatório, a guerra deve ter um efeito positivo para a economia em 2026, especialmente porque o país produz e exporta petróleo. E, com isso, arrecada mais dólares.

O FMI aumentou a projeção de crescimento brasileiro em 2026 de 1,6% para 1,9% e ressaltou que o país é um grande produtor de energias renováveis e isso atenua os efeitos da alta do petróleo.

Nessa terça-feira (14), o dólar teve a quinta queda seguida e fechou abaixo de cinco reais pelo segundo dia consecutivo.

O Ibovespa voltou a bater recorde e está perto de quebrar a barreira dos 200 mil pontos.