Rússia defende envolvimento de França e Reino Unido em novo acordo nuclear com os EUA
Enquanto os Estados Unidos defendem que um novo acordo nuclear precisa envolver a China, a Rússia afirma que um novo tratado de não proliferação nuclear devem também envolver a França e a Grã-Bretanha.
O embaixador russo, Gennady Gatilov, defendeu isso em seu discurso na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, na ONU.
'A Rússia, em princípio, participaria desse processo se o Reino Unido e a França, aliados militares dos EUA na OTAN, que se declarou uma aliança nuclear, também participassem', explicou.
Os Estados Unidos voltaram a defender nesta sexta-feira (6), agora através do secretário de Estado, Marco Rubio, que as negociações sobre um novo tratado de controle de armas nucleares precisam ser multilaterais e com a presença da China.
Em um comunicado oficial divulgado, Rubio diz que Trump 'foi claro, consistente e inequívoco ao afirmar que o futuro controle de armas deve abordar não apenas um, mas ambos os arsenais nucleares de países concorrentes'.
O secretário apresenta nesta sexta em Genebra, na Suíça, na ONU, o apelo para negociações 'multilaterais', que envolvam os diversos países que possuem ou produzem armas nucleares para manter uma 'estabilidade estratégica'.
Rubio defende que, em primeiro lugar, o controle das armas nucleares não pode ser uma questão mais bilateral entre EUA e Rússia.
'Como o Presidente deixou claro, outros países têm a responsabilidade de ajudar a garantir a estabilidade estratégica, e nenhum mais do que a China'.
Afirma que os EUA não aceitarão serem prejudicados e nem ignorarão potenciais descumprimentos de futuro acordo. Por fim, defende uma negociação a partir da posição da força.
'A Rússia e a China não devem esperar que os Estados Unidos fiquem de braços cruzados enquanto elas se esquivam de suas obrigações e expandem seus arsenais nucleares. Manteremos uma dissuasão nuclear robusta, crível e modernizada. Mas faremos isso enquanto buscamos todos os meios para atender ao desejo genuíno do Presidente por um mundo com menos dessas armas terríveis', continua o texto.
EUA e Rússia concordam em reestabelecer diálogo sobre questões militares
Putin e Trump na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, em Anchorage (Alasca)
ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
Os Estados Unidos e a Rússia anunciaram nesta quinta-feira (5) que concordaram em restabelecer o diálogo militar de alto nível. A definição aconteceu após participação de membros do governo russo e americano em reuniões de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, sobre a guerra na Ucrânia.
A informação foi confirmada pelo Comando Europeu dos Estados Unidos, que faz parte das Forças Armadas americanas, em um comunicado.
O acordo foi alcançado após conversas entre o General Alexus Grynkewich, Comandante do Comando Europeu dos EUA e altos funcionários militares russos e ucranianos, segundo o comunicado.
O canal 'proporcionará um contato militar constante enquanto as partes continuam a trabalhar em prol de uma paz duradoura', diz o texto.
'Manter o diálogo entre as forças armadas é um fator importante para a estabilidade e a paz globais, que só podem ser alcançadas pela força, e oferece um meio de aumentar a transparência e promover a desescalada', completa.
A definição acontece no dia em que se esgotou o acordo nuclear entre os dois países. Da parte do governo Trump, há pressão para que a China esteja presente no tratado. Já o governo russo lamentou.
Em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (5), o governo da China lamentou o fim do acordo nuclear entre EUA e Rússia. A falta de participação chinesa está entre os principais motivos para o governo Trump não querer seguir com o tratado.
Só que o governo chinês, apesar de torcer pela continuidade das negociações, diz que não participará de conversas para um acordo de redução das armas nucleares junto desses dois países.
'As forças nucleares da China não estão no mesmo nível das dos Estados Unidos e da Rússia, e a China não participará das negociações de desarmamento nesta fase', declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Lin Jian.
Segundo ele, a estratégia nuclear do país são estritamente de autodefesa e que não defende a proliferação nuclear.
'A China tem aderido consistentemente a uma estratégia nuclear de autodefesa, respeitado a política de não uso primeiro de armas nucleares e assumido compromissos incondicionais de não usar ou ameaçar usar armas nucleares contra Estados não nucleares ou zonas livres de armas nucleares', continuou.
'A comunidade internacional está preocupada que o vencimento do tratado terá um impacto negativo no sistema internacional de controle de armas nucleares e na ordem nuclear global'.
Em uma declaração nesta quinta-feira (5), o governo da Rússia afirmou que lamenta o final do tratado de armas nucleares entre o país e os Estados Unidos. A afirmação foi do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
'Vemos isso de forma negativa. Expressamos nosso pesar a respeito', declarou.
Exercício nuclear na Rússia.
Reprodução
O acordo Novo START, assinado em 2010 entre os dois países, teve o seu final adiado na busca de uma nova definição. Entretanto, essa não veio por algumas divergências entre os países.
Da parte dos EUA, o presidente Donald Trump defende que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear, mesmo que esteja muito atrás de Moscou e Washington em termos de número de ogivas nucleares operacionais.
Mas Pequim continua se recusando a participar de qualquer negociação cujo objetivo final seja limitar seu arsenal nuclear. No mês passado, em entrevista ao New York Times, quando questionado sobre o Novo START, Trump se mostrou fatalista: 'Se expirar, expira, o que significa que faremos um melhor'.
Trump sempre foi muito crítico do acordo Novo Start, sobre o fim das proliferações nucleares entre os países. Isso vem especialmente por sua recorrente crítica a tudo que foi realizado dentro do governo Obama.
O secretário de Estado Marco Rubio afirmou na quarta-feira (4) que é 'impossível' chegar a um acordo sem a China 'devido ao seu vasto arsenal, que cresce rapidamente'. O Pentágono estima que a China terá mais de mil armas nucleares até 2035, um aumento significativo em relação às cerca de 200 existentes em 2019.
O tratado atual é um acordo bilateral entre os EUA e a Rússia, que possuem cerca de 4,3 e 3,7 mil ogivas nucleares, respectivamente, de acordo com a Federação de Cientistas Americanos .
Na terça (3), a Rússia afirmou que está pronta para um mundo aonde não se tenha acordos nucleares e sem controle dos armamentos. A afirmação, feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, ocorre dias antes do final do acordo com os Estados Unidos sobre não proliferação nuclear, assinado em 2010.
Ryabkov, citado pela agência de notícias estatal TASS, disse que 'a falta de resposta também é uma resposta'. Ele também comentou que apoia a posição da China sobre o armamento nuclear.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já rejeitou em algumas ocasiões a proposta russa de adiar por um ano para ter mais tempo a negociações. Do outro lado, o governo da Rússia vê com receio esse final.
Aliado de Putin e principal membro do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, disse que o fim do acordo não significa uma 'guerra nuclear', mas 'isso deve nos colocar a todos em alerta'.
Medvedev era presidente do país e assinou o acordo com Barack Obama, então presidente americano, há 16 anos.
'O relógio [do apocalipse] está correndo, e agora obviamente vai acelerar. Não estamos interessados em um conflito global. Não somos loucos', afirmou em entrevista à agência de notícias russa TASS, a Reuters e o blog de guerra WarGonzo.
