Rússia atinge áreas civis da Ucrânia com mísseis e drones; ataque deixa ao menos 16 mortos

 

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A Rússia atingiu áreas civis da Ucrânia com centenas de drones e dezenas de mísseis em um ataque que durou horas, do dia até a noite, matando ao menos 16 pessoas e ferindo mais de 80, enquanto moradores aterrorizados se abrigavam em suas casas, disseram autoridades nesta quinta-feira, 16.

Foram lançados quase 700 drones e dezenas de mísseis balísticos e de cruzeiro, mirando principalmente civis, no maior bombardeio aéreo em quase duas semanas, segundo autoridades.

Tetiana Sokol, uma moradora de Kiev de 54 anos, disse que dois mísseis explodiram perto de sua casa e que ela se abrigou com seu cachorro no corredor, enquanto clarões iluminavam a noite e janelas se estilhaçavam com a onda de choque.

"No terceiro ataque, tudo quebrou, tudo voou, ficamos em choque, não sabíamos para onde correr. Peguei o que estava fácil e saí correndo com o cachorro", disse ela. "Ainda não consigo encontrar os gatos na casa, eles saíram por algum lugar, nem sei. Não há janelas, nada, o cachorro ainda está andando pela casa em estado de estresse".

As forças de Moscou têm atingido áreas civis quase diariamente desde a invasão em larga escala do país vizinho há mais de quatro anos, com os ataques regulares sendo ocasionalmente intensificados por ofensivas de grande escala. Mais de 15 mil civis ucranianos morreram nos bombardeios, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Zelenski em missão para reforçar a defesa aérea

O bombardeio mais recente ocorreu após a viagem de 48 horas do presidente ucraniano Volodmir Zelenski nesta semana à Alemanha, Noruega e Itália, em busca urgente por mais sistemas de defesa aérea capazes de interceptar mísseis russos.

A Ucrânia desenvolveu uma significativa indústria nacional de armamentos, especialmente na produção de drones e mísseis, mas ainda não consegue igualar a sofisticação dos sistemas de defesa aérea Patriot, fabricados nos Estados Unidos. A principal prioridade diplomática do país é garantir ajuda de aliados para adquirir e produzir defesas aéreas melhores e em maior quantidade, afirmou Zelenski nesta semana.

Com dificuldades financeiras, a Ucrânia também precisa do rápido desembolso de um empréstimo prometido pela União Europeia de 90 bilhões de euros, que foi bloqueado pela Hungria.

A Ucrânia teme que a guerra com o Irã esteja consumindo os estoques de sistemas avançados de fabricação americana de que necessita e se opôs a uma isenção temporária dos EUA às sanções petrolíferas russas, que Kiev alega estarem ajudando a financiar o esforço de guerra do Kremlin.

"Mais uma noite provou que a Rússia não merece qualquer flexibilização da política global nem o levantamento de sanções", disse Zelenski no X.

Ele agradeceu à Alemanha, Noruega e Itália por novos acordos nesta semana para apoiar a defesa aérea da Ucrânia. Autoridades também trabalham com a Holanda para obter suprimentos adicionais, disse. Ao mesmo tempo, observou que alguns países parceiros ainda não cumpriram promessas de apoio militar.

"Instruí o comandante da Força Aérea a entrar em contato com os parceiros que anteriormente se comprometeram a fornecer mísseis para sistemas Patriot e outros", afirmou Zelenski.

Outras áreas da Ucrânia e da Rússia também foram atingidas

O bombardeio foi o maior em semanas. No mês passado, a Rússia disparou 948 drones e 34 mísseis em 24 horas, no maior ataque da guerra contra áreas civis.

Ao menos quatro pessoas morreram durante a noite em Kiev, incluindo uma criança de 12 anos, e mais de 50 ficaram feridas, segundo autoridades. O ataque danificou 17 prédios residenciais, 10 casas, além de um hotel, um centro de escritórios, uma concessionária de veículos, um posto de gasolina e um shopping na capital.

Nove pessoas morreram e 23 ficaram feridas na cidade portuária de Odessa, no sul; três mulheres morreram e cerca de três dezenas ficaram feridas na região central de Dnipro.

"Esses ataques não podem ser normalizados. São crimes de guerra que precisam ser interrompidos e seus responsáveis responsabilizados", disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiha, no X.

A Força Aérea ucraniana afirmou que as defesas aéreas derrubaram ou neutralizaram 667 dos 703 alvos, incluindo 636 drones do tipo Shahed e outros veículos aéreos não tripulados. Segundo os militares, 20 drones de ataque e 12 mísseis atingiram 26 locais.

Enquanto isso, na Rússia, o governador da região de Krasnodar, Veniamin Kondratiev, informou que uma menina de 14 anos e uma mulher foram mortas em ataques ucranianos no porto de Tuapse, no Mar Negro.

Ele disse que os ataques danificaram seis prédios residenciais, 24 casas e três escolas. Fragmentos de drones também caíram perto do porto de Tuapse.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas defesas aéreas derrubaram 207 drones ucranianos durante a noite.(Fonte: Associated Press)