Rússia anuncia negociação trilateral com Ucrânia e EUA em Genebra, após novo bombardeio massivo
O Kremlin anunciou nesta sexta-feira que uma nova rodada de negociações com representantes dos EUA e da Ucrânia está prevista para a próxima semana, em um momento em que o conflito no Leste Europeu está prestes a completar quatro anos — com a intensa atividade na linha de frente causando mortes quase diariamente e danos à infraestrutura que deixaram milhares de pessoas em um frio congelante. Ao menos seis pessoas morreram em um bombardeio russo entre a noite de quinta-feira e a madrugada desta sexta.
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— A próxima rodada de negociações sobre a solução para o conflito ucraniano será realizada no mesmo formato trilateral Rússia-EUA-Ucrânia, nos dias 17 e 18 de fevereiro, em Genebra — afirmou o principal porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, indicando que deve seguir o mesmo modelo das rodadas rodadas diplomáticas realizadas em Abu Dhabi. As negociações no Oriente Médio não progrediram até um acordo, com as questões envolvendo a cessão territorial por parte da Ucrânia e o envio de tropas garantidoras de segurança para Kiev — algo que Moscou veta — sendo apontados como principais gargalos para as conversas em curso.
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Enquanto não há um acordo no plano diplomático, a guerra continua a provocar perdas humanas e de infraestrutura. Bombardeios russos mataram seis pessoas no país e danificaram uma central energética em Odessa, cidade portuária ucraniana, em um ataque que a Força Aérea de Kiev disse ter envolvido um míssil e 154 drones.
As vítimas civis são de diferentes regiões da Ucrânia. Três homens e uma criança morreram na cidade ucraniana de Kramatorsk, no leste ucraniano, enquanto um homem de 48 anos morreu quando um drone atingiu um edifício residencial em Zaporíjia, no sul. Os danos mais graves foram registrados em Odessa, também no sul, onde as autoridades relataram a morte de um civil e danos a estruturas portuárias e de energia.
O desgaste pela continuidade da guerra e as perdas civis pressionam a Ucrânia, sobretudo em um momento em que os danos estruturais deixam milhares de pessoas expostas a um frio congelante. A operadora privada de energia DTEK afirmou que apenas após os bombardeios mais recentes, mais de 100 mil residências ficaram sem energia elétrica em Kiev. Moradores recorrem à criatividade em busca de uma adaptação.
As negociações diplomáticas são mediadas — e até certo ponto, impostas — pelos EUA, que desde o retorno do presidente Donald Trump adotaram uma tática de pressão, principalmente sobre Kiev, para por fim ao conflito. Washington, antes um apoiador de primeira ordem da campanha militar ucraniana, ameaçou deixar os aliados do Leste Europeu à própria sorte, caso não engajassem nas negociações, em uma abordagem que causou repulsa entre a parte europeia da Otan, que segue apoiando uma defesa coletiva forte contra o avanço russo.
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Serviços de Emergência da Ucrânia via AFP
Na quinta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que não há urgência em iniciar um diálogo com Vladimir Putin, enfatizando a importância da cooperação entre os europeus.
— Não é uma questão de dias. [...] Agora devemos nos concentrar principalmente em nós mesmos, no que queremos solicitar. [...] Devemos nos preparar como europeus para, no momento oportuno, estarmos prontos para as conversas com os russos — disse Macron após uma cúpula informal na Bélgica. — E o que queremos? Queremos garantias de segurança para a Ucrânia, mas também queremos coisas para os europeus.
Entre as prioridades, o líder francês enumerou "questões de prosperidade", "o futuro da Europa" e "a arquitetura de segurança". Macron e outros líderes europeus, como o chanceler alemão Friedrich Merz, estarão com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nesta sexta-feira na Conferência de Segurança de Munique — um dos principais eventos do setor no mundo.
Ao comentar a ida à cidade alemã, Zelensky demonstrou expectativa em reunir apoio dos aliados em meio ao momento difícil no front. Em uma publicação nas redes sociais, o líder ucraniano disse que se tratava de "um dia importante":
"Haverá novos passos em direção a nossa segurança coletiva — aquela que inclui Ucrânia e Europa", escreveu.
Os EUA também estarão representados na conferência de segurança. Antes de embarcar para a Europa, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou mais uma vez que os esforços de Washington são pelo fim do conflito, mencionando a situação difícil para os civis ucranianos.
—É terrível, é uma guerra. É por isso que queremos que a guerra acabe. As pessoas estão sofrendo. É o período mais frio do ano — disse Rubio a repórteres, em referência à situação provocada pelos ataques à rede elétrica do país. (Com AFP)
