Rússia afirma estar pronta para um mundo sem controle de armas nucleares
A Rússia afirmou nesta terça-feira (3) que está pronta para um mundo aonde não se tenha acordos nucleares e sem controle dos armamentos. A afirmação, feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, ocorre dias antes do final do acordo com os Estados Unidos sobre não proliferação nuclear, assinado em 2010.
O último dia é nesta quarta-feira (4). Ou seja, a partir de quinta (5), o mundo viveria sem esse trato entre as duas nações.
Ryabkov, citado pela agência de notÃcias estatal TASS, disse que 'a falta de resposta também é uma resposta'. Ele também comentou que apoia a posição da China sobre o armamento nuclear.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já rejeitou em algumas ocasiões a proposta russa de adiar por um ano para ter mais tempo a negociações. Do outro lado, o governo da Rússia vê com receio esse final.
Aliado de Putin e principal membro do Conselho de Segurança do paÃs, Dmitry Medvedev, disse que o fim do acordo não significa uma 'guerra nuclear', mas 'isso deve nos colocar a todos em alerta'.
Medvedev era presidente do paÃs e assinou o acordo com Barack Obama, então presidente americano, há 16 anos.
'O relógio [do apocalipse] está correndo, e agora obviamente vai acelerar. Não estamos interessados ​​em um conflito global. Não somos loucos', afirmou em entrevista à agência de notÃcias russa TASS, a Reuters e o blog de guerra WarGonzo.
Trump sempre foi muito crÃtico do acordo Novo Start, sobre o fim das proliferações nucleares entre os paÃses. Isso vem especialmente por sua recorrente crÃtica a tudo que foi realizado dentro do governo Obama.
O republicano afirma que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear, mesmo que esteja muito atrás de Moscou e Washington em termos de número de ogivas nucleares operacionais.
Mas Pequim continua se recusando a participar de qualquer negociação cujo objetivo final seja limitar seu arsenal nuclear. No mês passado, em entrevista ao New York Times, quando questionado sobre o Novo START, Trump se mostrou fatalista: 'Se expirar, expira, o que significa que faremos um melhor'.
Relógio do JuÃzo Final fica a 85 segundos para meia-noite, menor tempo da história
Anúncio do relógio do juÃzo final em 2026.
Reprodução
O Relógio do JuÃzo Final, conhecido como 'Doomsday Clock', atualizou nesta terça-feira (27) para o ano de 2026 faltando 85 segundos para meia-noite. Ele mede o quanto próximo o mundo está de uma guerra que envolva armas nucleares e a tensão mundial.
A decisão foi tomada pelos cientistas Daniel Holtz, Steve Fetter, Inez Fung, Asha M. George, John B. Wolfstal, Alexandra Bell e Maria Ressa.
Parte da piora está relacionada à s tensões envolvendo os Estados Unidos, comandado por Donald Trump. O paÃs se envolveu em confrontos, como entre Irã e Israel, além de ameaças de controle da Groenlândia.
Além disso, o uso cada vez maior da IA para desinformação, além da falta de acordo sobre armas de nucleares, como dos EUA e da Rússia, estão entre os fatores que contribuÃram.
Em 2025, ficou em 89 segundos para meia-noite, o mais próximo do limite. Ele é atualizado todos os anos há quase 80 anos.
A ideia da sua criação, em 1947, pelo Bulletin of Atomic Scientists, sempre foi de levantar debates sobre temas da ciência, além de trazer discussões sobre a necessidade da busca pela paz. Por isso, não mede, necessariamente, ameaças diretas, mas envolve todas elas para o cálculo.
A sua projeção foi realizada por cientistas que estiveram no Projeto Manhattan, que desenvolveu a bomba atômica no perÃodo da Segunda Guerra Mundial.
Inicialmente, a medição se focava em possÃveis confrontos envolvendo artefatos nucleares. Porém, a partir de 2007, a conta ficou mais abrangente, colocando, por exemplo, as mudanças climáticas como parte do estudo.
A sua definição ocorre todos os anos por um grupo de cientistas do Conselho de Ciência e Segurança do Bulletin. Entre os que fazem parte dessa equipe estão mais de 10 ganhadores do Nobel em diferentes áreas.
Presidente e CEO do Bulletin, Rachel Bronson, explica que, caso o relógio chegue em meia-noite 'significa que ocorreu algum tipo de troca nuclear ou mudança climática catastrófica que acabou com a humanidade'.
'Portanto, não queremos chegar lá e não saberemos quando chegaremos'.
