A Rússia incluiu nesta quarta-feira o fundador do Telegram, Pavel Durov, na lista internacional de procurados e o acusou formalmente de cumplicidade com o terrorismo. Segundo o Serviço Federal de Segurança (FSB), a plataforma deixou de remover canais, grupos e robôs de conversa ("bots") supostamente utilizados por serviços de inteligência da Ucrânia e por organizações classificadas pelo Kremlin como terroristas e extremistas para coordenar sabotagens, ataques e crimes cibernéticos em território russo.
Em comunicado, o FSB afirmou que as atividades desenvolvidas por meio do Telegram resultaram em "numerosas vítimas humanas" e alegou que um chatbot de relacionamentos da plataforma foi usado para recrutar cidadãos russos para ações de sabotagem.
Segundo as autoridades, 46 usuários, com idades entre 12 e 22 anos, foram detidos desde julho de 2025 por suposta participação nesses esquemas.
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Caso seja condenado pela Justiça russa, Durov poderá receber pena de prisão perpétua. O empresário, no entanto, vive em Dubai, possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos e está fora da jurisdição das autoridades russas. Até o momento, o Telegram não comentou as novas acusações.
Durov nega acusações O embate entre Durov e o Kremlin se intensificou neste ano, quando as autoridades russas abriram uma investigação criminal contra o empresário por suposta colaboração com atividades terroristas. Na ocasião, o fundador do Telegram afirmou que o governo russo fabricava acusações para restringir o acesso à plataforma e enfraquecer a privacidade e a liberdade de expressão dos usuários.
Nascido na Rússia, Durov deixou o país em 2014 após perder o controle da rede social VKontakte (VK), criada por ele. Desde então, mantém uma relação conturbada com o governo de Vladimir Putin, que já tentou bloquear o Telegram e, mais recentemente, passou a restringir seu funcionamento.
Ofensiva contra plataformas As acusações fazem parte da estratégia do Kremlin de ampliar o controle sobre a internet desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Nos últimos anos, a Rússia bloqueou ou restringiu plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube, Signal e Viber. O WhatsApp e o Telegram também passaram a enfrentar limitações de funcionamento no país.
Folha de Pernambuco